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Irã respondeu à proposta dos EUA, mas Netanyahu afirma que guerra não acabou
O Irã enviou sua resposta à proposta dos Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio, mas o primeiro-ministro de Israel declarou que a guerra “não terminou”, ao afirmar que o urânio enriquecido deve ser “retirado” da república islâmica.
Mais de um mês após a implementação de um cessar-fogo em 8 de abril, não há avanços para concretizar uma solução duradoura nem o fim definitivo da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
O Irã respondeu com represálias em vários países da região e com o bloqueio do Estreito de Ormuz. O conflito deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e desestabilizou a economia mundial devido à alta dos preços da energia.
"A República Islâmica do Irã enviou, por meio de um mediador paquistanês, sua resposta ao último texto proposto pelos Estados Unidos para pôr fim à guerra", informou neste domingo (10) a agência oficial de notícias Irna, sem dar mais detalhes.
A agência destacou que a resposta do Irã se concentra em "pôr fim à guerra e garantir a segurança marítima" no Golfo e no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos ainda não reagiram ao anúncio. Em uma entrevista gravada durante a semana e divulgada neste domingo, o presidente americano Donald Trump declarou que precisaria de apenas duas semanas para atacar “cada um dos alvos” restantes no Irã, e acrescentou que o país já está derrotado “militarmente”.
“Eles estão militarmente derrotados. Na cabeça deles, talvez não saibam disso. Mas acredito que sabem”, disse Trump na entrevista.
Enquanto isso, o premiê israelense Benjamin Netanyahu afirmou em uma entrevista divulgada neste domingo que a guerra com o Irã “não terminou”.
“Ainda resta material nuclear – urânio enriquecido – que precisa ser retirado do Irã. Ainda há instalações de enriquecimento que devem ser desmanteladas”, argumentou.
- "Nossa moderação terminou" -
Durante o dia, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, advertiu os Estados Unidos contra qualquer ataque a embarcações nas águas do Golfo e afirmou que a moderação do Irã chegou ao fim.
"Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas", escreveu Rezaei no X.
Vários alvos no Golfo foram atingidos por ataques neste domingo, incluindo um cargueiro que navegava em direção ao Catar.
O Ministério da Defesa do Catar informou que um cargueiro que chegava às suas águas vindo de Abu Dhabi foi atingido por um drone ao nordeste do porto de Mesaieed.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO indicou que o navio graneleiro informou ter sido atingido por um projétil desconhecido. Não foram registradas vítimas.
Embora não tenha havido reivindicação imediata de responsabilidade, a agência iraniana Fars informou que "o graneleiro atingido perto da costa do Catar navegava sob bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos".
Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de ser responsável por um ataque que teve como alvo seu território.
Da mesma forma, o Kuwait relatou uma tentativa de ataque que foi neutralizada.
- Irã lança alerta a França e Reino Unido -
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que seu país nunca “considerou” um destacamento naval militar no Estreito de Ormuz e esclareceu que seu plano era uma missão de segurança “combinada com o Irã”.
Macron fez essas declarações depois que o Irã advertiu a França e o Reino Unido sobre “uma resposta decisiva e imediata” caso fosse enviado qualquer navio de guerra ao Estreito de Ormuz.
No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi reuniu-se com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei, e, segundo a televisão estatal iraniana, recebeu "novas diretrizes e instruções para a continuação das operações".
Nesse contexto, a Guarda Revolucionária Islâmica ameaçou atacar interesses americanos no Oriente Médio caso seus petroleiros fossem atacados, como ocorreu na sexta-feira, quando um caça americano disparou contra dois navios de bandeira iraniana e os inutilizou.
No front do Líbano, o Ministério da Saúde informou que dois paramédicos do Comitê Islâmico de Saúde, ligado ao movimento xiita Hezbollah, morreram e outros cinco ficaram feridos neste domingo por bombardeios israelenses, apesar do cessar‑fogo em vigor.
burs-ahg/an/am/ic
W.Mansour--SF-PST