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Trump anuncia operação para liberar o Estreito de Ormuz e Irã ameaça atacar forças americanas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um plano para que as forças de seu país escoltem navios no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira (4), mas o comando militar do Irã advertiu que atacará as tropas americanas se a operação for levada adiante.
O Irã fechou quase por completo a passagem pelo Estreito de Ormuz, crucial para o tráfego mundial de combustíveis, desde que Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o país em 28 de fevereiro. Em represália, Washington mantém um bloqueio naval aos portos iranianos.
Trump anunciou no domingo a nova operação marítima em Ormuz, batizada de "Projeto Liberdade", e a descreveu como um gesto "humanitário" para ajudar os marinheiros bloqueados na passagem marítima, que, segundo o presidente americano, poderiam estar ficando sem alimentos e outros suprimentos essenciais.
A partir da manhã de segunda-feira, no horário local, a Marinha americana escoltará, através do Estreito de Ormuz, navios de países "que não têm nada a ver com o conflito no Oriente Médio", anunciou Trump no domingo.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou no X que suas forças devem apoiar a operação com destróieres equipados com lançadores de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves e 15.000 militares.
O Irã respondeu com ameaças às forças americanas. "Alertamos que qualquer força armada estrangeira – especialmente as agressivas forças militares americanas – será alvo de ataques se tentar se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz", declarou o general Ali Abdollahi, do comando central do Exército iraniano.
O presidente da comissão do Parlamento iraniano responsável pela segurança nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer "interferência" dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.
Segundo a empresa especializada em monitoramento marítimo AXSMarine, até 29 de abril havia 913 navios comerciais de todo tipo no Golfo.
"Muitos navios sofrem com a escassez de alimentos e de tudo que é necessário para que as tripulações possam permanecer a bordo em condições adequadas", destacou Trump.
- Abandonar "exigências excessivas" -
A situação entre Teerã e Washington permanece estagnada desde a entrada em vigor da trégua de 8 de abril, após quase 40 dias de ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã e de represálias iranianas contra as monarquias do Golfo aliadas do governo americano.
O Paquistão recebeu um ciclo de negociações em 11 de abril que terminou sem acordo, com as posições muito afastadas sobre o Estreito de Ormuz – onde o Irã pretende cobrar um pedágio pela passagem de navios – e o programa nuclear da República Islâmica.
O Irã pediu nesta segunda-feira aos Estados Unidos que "adotem uma abordagem razoável" e abandonem as "exigências excessivas", após receber uma resposta de Washington à sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.
"Nesta etapa, nossa prioridade é acabar com a guerra", afirmou em uma entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai.
"Não podemos ignorar as lições do passado. Já negociamos em duas ocasiões sobre os aspectos nucleares e, ao mesmo tempo, fomos atacados pelos Estados Unidos", acrescentou o porta-voz em uma entrevista exibida pela televisão estatal.
Teerã transmitiu esta semana uma nova proposta de paz a Washington. Segundo a agência oficial Tasnim, a proposta de 14 pontos prevê o fim do conflito em todas as frentes e estabelece condições para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Trump disse no domingo que funcionários de seu governo estão mantendo "conversas muito positivas" com o Irã e que as negociações "podem conduzir a algo muito positivo para todos".
As consequências do conflito seguem afetando a economia mundial. A cotação do petróleo atingiu na última semana o maior valor em quatro anos, quando o barril de Brent chegou a ser negociado a 126 dólares. Nesta segunda-feira, o preço era de 108 dólares.
A guerra provocou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, onde Israel prossegue com os ataques contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apesar de uma trégua.
burx-bar/cm/tq/meb/pc/fp
N.Shalabi--SF-PST