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Suspeito de ataque em jantar dos correspondentes nos EUA é engenheiro e fã de videogames
O homem armado que provocou caos no jantar de gala dos correspondentes da Casa Branca em Washington, que contava com a presença do presidente Donald Trump e de muitos funcionários de alto escalão do governo americano, foi identificado neste domingo (26) pela imprensa dos Estados Unidos como um engenheiro mecânico de 31 anos oriundo da Califórnia.
Poucas horas depois dos disparos efetuados do lado de fora do salão onde acontecia no sábado o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Trump publicou uma foto do suspeito algemado de bruços em um piso de carpete.
O homem de cabelo castanho e bigode foi apresentado por vários veículos da mídia americana como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, um subúrbio do sudoeste de Los Angeles, na Califórnia.
Trump contou neste domingo ao canal Fox News que o suspeito, que tentou passar por um detector de metais situado na entrada do salão, tinha deixado um manifesto.
"Quando você lê o manifesto, ele odeia os cristãos, não há dúvida disso", declarou o mandatário, que o descreveu como uma pessoa "muito perturbada".
- Desenvolvedor de jogos eletrônicos -
Segundo o New York Post, minutos antes de entrar em ação, o suspeito enviou para sua família esse manifesto, no qual anunciava sua intenção de matar membros do governo Trump, classificados de "criminosos".
"São alvos, classificados por prioridade do mais alto cargo ao menos alto", diz a mensagem, segundo o jornal, que afirma ter obtido o documento de um funcionário americano cujo nome não foi revelado.
O texto, assinado com o nome "Cole 'coldForce' 'Friendly Federal Assassin' Allen", parece fazer referência às mortes de civis nas guerras em que os Estados Unidos participam, à política anti-imigração de Trump e também ao escândalo em torno do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Um perfil "coldforce" na plataforma BlueSky, desativado neste domingo, mas arquivado, continha mensagens frequentes que expressavam a indignação de seu autor perante as políticas do governo Trump.
Outro perfil no LinkedIn com o nome "Cole Allen" mostrava a foto de um homem que parece corresponder à imagem publicada por Trump.
Nesse perfil, Allen se apresentava como um engenheiro apaixonado pelo desenvolvimento de jogos eletrônicos, radicado na região metropolitana de Los Angeles.
"Engenheiro mecânico e informático de formação, desenvolvedor de jogos independente por experiência, docente de nascimento", dizia o perfil.
O centro de ensino California Institute of Technology (Caltech) disse em comunicado à AFP que uma pessoa chamada Cole Allen tinha se formado na instituição em 2017, sem poder confirmar que se tratava do suspeito.
- 'Realmente inteligente' -
No ano passado, Cole Allen publicou uma foto sua com beca e capelo de formatura, indicando que havia "finalizado" seu mestrado em informática na California State University-Dominguez Hills.
Essa universidade também confirmou à AFP que tem um graduado com esse nome, mas sem tampouco poder afirmar que se trata da mesma pessoa.
Cole Allen também publicou uma mensagem sobre um jogo independente que desenvolveu, intitulado "Bohrdom", descrito como um jogo de combate "baseado na destreza, e não violento".
A C2 Education, uma academia preparatória para exames com sede em Torrance, designou Cole Allen como "professor do mês" em uma publicação no Instagram datada de dezembro de 2024.
Nessa publicação, aparece a imagem de um homem de cabelo castanho com um leve sorriso, vestindo um suéter azul-marinho com zíper, com as mãos cruzadas atrás das costas.
Segundo a NBC News, ele frequentou a escola de ensino médio Pacific Lutheran High School, nos arredores de Los Angeles, e fazia parte da equipe de voleibol. Um ex-companheiro de equipe o descreveu como "quase um gênio" e "super estável".
"Não precisava estudar. Isso lhe era natural. Era realmente muito inteligente", disse o ex-colega ao canal NBC.
Segundo os registros da Comissão Eleitoral Federal consultados pela AFP, uma pessoa chamada Cole Allen, identificada como professor na C2 Education em Torrance, fez uma doação de 25 dólares para um grupo que arrecadava fundos para a campanha da democrata Kamala Harris, derrotada por Trump nas eleições de 2024.
N.Shalabi--SF-PST