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Retomada das negociações entre EUA e Irã permanece incerta
A retomada do diálogo entre os Estados Unidos e o Irã, mediado pelo Paquistão, permanece incerta neste domingo (26), após o presidente americano, Donald Trump cancelar a viagem de seus enviados a Islamabad, onde se espera outra visita do ministro das Relações Exteriores iraniano.
Trump se recusou a permitir que seu genro, Jared Kushner, e o enviado especial Steve Witkoff fizessem um voo de "15 ou 16 horas" para conversas que, segundo ele, poderiam ser conduzidas por telefone.
"Muito tempo perdido viajando, muito trabalho! (...) Ninguém sabe quem está no comando (no Irã), nem mesmo eles", escreveu em sua plataforma de mídia social Truth Social.
As primeiras negociações entre o Irã e os Estados Unidos ocorreram há duas semanas em Islamabad, após a implementação de um cessar-fogo.
Mas todas as tentativas de continuá-las fracassaram, apesar dos temores de que o conflito que mergulhou o Oriente Médio no caos e abalou a economia global possa reacender.
Trump, discordando da posição de Teerã, afirmou que não havia sentido em se reunir para "conversar sobre nada".
Mais tarde, ele acrescentou que o Irã revisou suas propostas minutos após o cancelamento.
"Eles nos entregaram um documento que deveria ter sido melhor e, curiosamente, assim que cancelei, em menos de dez minutos, recebemos um novo documento muito melhor", disse ele a repórteres, sem dar mais detalhes.
Questionado se o cancelamento significava um retorno às hostilidades, Trump respondeu: "Não, não significa isso. Ainda não pensamos nisso."
As últimas horas foram turbulentas em Washington, onde um homem armado foi detido durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca.
Trump duvida que o incidente esteja relacionado ao Irã, mas, mesmo assim, enfatizou que isso não o impedirá de "vencer a guerra".
Antes do cancelamento, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, concluiu uma visita a Islamabad após se reunir com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, um mediador importante; o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar.
O Irã declarou que Araghchi viajou para Omã e tem previsão de retornar ao Paquistão neste domingo, antes de seguir para a Rússia para discutir maneiras de pôr fim à guerra no Oriente Médio, iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro com ataques conjuntos em território iraniano.
Araghchi descreveu sua viagem ao Paquistão como "muito frutífera", mas expressou ceticismo quanto às intenções de Washington.
"Resta saber se os Estados Unidos estão realmente empenhados na diplomacia", disse ele.
Mesmo antes do anúncio de Trump, as perspectivas para as negociações eram incertas. Segundo a televisão estatal iraniana, Araghchi não tinha encontros agendados com autoridades americanas diretamente, mas sim conversas intermediadas por Islamabad.
Segundo a mesma fonte, o primeiro-ministro paquistanês conversou com o influente presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que lhe disse que a República Islâmica não se deixaria intimidar pelas "ações hostis" de Washington.
- Bloqueio em Ormuz -
A pressão para o fim da guerra intensificou-se devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo e gás.
A Guarda Revolucionária iraniana declarou que não tem intenção de suspender o bloqueio, que tem afetado os mercados de energia.
"Controlar o Estreito de Ormuz e manter a sombra do seu efeito dissuasório sobre os Estados Unidos e os aliados da Casa Branca na região é a estratégia definitiva do Irã islâmico", afirmou no Telegram.
Em retaliação, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Em um comunicado divulgado pela mídia estatal, o exército iraniano alertou que a continuação do "bloqueio, banditismo e pirataria" dos EUA provocará uma resposta.
- Israel ataca Líbano -
Na frente libanesa da guerra, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra o Hezbollah após acusar o grupo pró-Irã de violar o cessar-fogo prorrogado esta semana.
A mídia estatal libanesa noticiou ataques israelenses em pelo menos quatro cidades do sul do país, que deixaram seis mortos, segundo o Ministério da Saúde.
O exército israelense afirmou ter "eliminado" três membros do Hezbollah que dirigiam "um veículo carregado de armas", outro que estava em uma motocicleta e outros dois membros armados do grupo em locais distintos.
burx-bar/eml/tmt/gmo/apz/erl/avl/aa
I.Yassin--SF-PST