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Palestinos votam nas primeiras eleições desde a guerra em Gaza
Os palestinos na Cisjordânia, juntamente com um pequeno segmento da Faixa de Gaza, votam neste sábado (25) em seus prefeitos e vereadores, nas primeiras eleições desde a guerra no enclave costeiro, com opções políticas limitadas e em meio a um desânimo generalizado.
Quase 1,5 milhão de pessoas estão inscritas nos registros eleitorais na Cisjordânia, ocupada por Israel, e 70.000 na área de Deir al-Balah, em Gaza, de acordo com a Comissão Eleitoral Central, sediada em Ramallah.
Na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de uma guerra que fez disparar a miséria e o número de deslocados, "estas eleições são simbólicas, mas as vejo como uma expressão da nossa vontade de viver", disse à AFP Mohamed al-Hasayna, de 24 anos.
"Merecemos ter o nosso próprio Estado", acrescentou após depositar seu voto em Deir al-Balah, uma das poucas localidades em Gaza onde uma parte dos moradores conseguiu permanecer.
"Queremos que o mundo nos ajude a superar a catástrofe da guerra. Chega de guerra! É hora de trabalhar na reconstrução", declarou.
O conflito eclodiu após um ataque a Israel realizado pelo grupo islamista Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então, já ceifou mais de 72.000 vidas, segundo dados do Ministério da Saúde do território, estatísticas consideradas confiáveis pela ONU.
Desde 10 de outubro de 2025, um cessar-fogo precário está em vigor, marcado por atos de violência quase diários.
- "Oportunidade importante" -
Na Cisjordânia, ela própria palco de uma escalada da violência por parte dos colonos, um jornalista da AFP observou uma baixa participação em diversas seções eleitorais, onde diplomatas monitoram o processo eleitoral.
Os municípios são responsáveis por serviços essenciais, como água, saneamento e infraestrutura local, mas não detêm poderes legislativos.
Visto que não são realizadas eleições presidenciais ou legislativas desde 2006, este pleito representa uma das poucas instituições democráticas atualmente em funcionamento sob a administração da Autoridade Palestina.
Em um cenário de estagnação econômica, o governo enfrenta inúmeras denúncias de corrupção, e os doadores têm condicionado cada vez mais o seu apoio à implementação de reformas.
Segundo Ramiz Alakbarov, coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, estas eleições representam "uma oportunidade importante para que os palestinos exerçam seus direitos democráticos em um momento particularmente difícil".
A União Europeia as considera um "passo importante rumo a uma maior democratização e ao fortalecimento da governança local".
- Sem participação do Hamas -
A maioria das listas é independente ou está alinhada com o Fatah, o partido nacionalista e laico do presidente Mahmoud Abbas, que está no poder desde 2005.
Não há grupos afiliados ao movimento islamista Hamas, arquirrival do Fatah, que controla quase metade da Faixa de Gaza.
Alguns aspirantes a candidatos alegam que não conseguiram concorrer. É o caso de Mohamad Dweikat, em Nablus; conforme relatou à AFP, vários indivíduos de sua lista permaneceram detidos até que o prazo de registro expirasse.
"Quer sejam independentes ou filiados a um partido, os candidatos não mudarão nada na cidade", lamenta Mahmoud Bader, um empresário que vota em Tulkarem, no norte da Cisjordânia.
"É a ocupação que comanda tudo", diz ele à AFP, referindo-se a Israel, que controla dois acampamentos de refugiados vizinhos há mais de um ano.
As urnas fecharão às 19h00 (13h00 de Brasília) na Cisjordânia e às 17h00 em Deir al-Balah, para permitir que a apuração dos votos ocorra durante o dia, devido à escassez de energia elétrica.
Em Nablus, onde apenas uma lista concorre, espera-se que uma mulher seja eleita prefeita pela primeira vez.
Eleições municipais foram realizadas na Cisjordânia em 2017 e em 2021–2022; em Gaza, no entanto, estas são as primeiras eleições desde o pleito legislativo de 2006, vencido pelo movimento islamista.
O cientista político Jamal al-Fadi, da Universidade Al-Azhar, no Cairo, sugere que a Autoridade Palestina está realizando eleições em Deir al-Balah unicamente para avaliar "seu sucesso ou fracasso", já que nenhuma pesquisa de opinião foi realizada desde o cessar-fogo estabelecido em outubro do ano passado.
M.AbuKhalil--SF-PST