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EUA nega desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo
Os Estados Unidos não pretendem excluir o Irã da Copa do Mundo de futebol de 2026, declarou. nesta quinta-feira (23). o secretário de Estado Marco Rubio, depois que um funcionário americano mencionou a possibilidade de incluir a Itália, que não se classificou.
As especulações surgiram após as declarações de um assessor de Donald Trump ao jornal Financial Times. Ele disse que sugeriu ao presidente americano e ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, substituir o Irã pela Itália no torneio que acontece de 11 de junho a 19 de julho.
A seleção do Irã está no centro das atenções pelas tensões derivadas da guerra com os Estados Unidos e as restrições migratórias vigentes.
Washington sustenta que essas medidas não afetam os jogadores, mas há dúvidas sobre o acesso de acompanhantes da delegação e torcedores iranianos ao país durante o torneio, do qual México e Canadá também são coorganizadores.
"O problema com o Irã não seriam seus atletas, mas algumas das outras pessoas que gostariam de trazer consigo, algumas das quais têm vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica [o exército ideológico do Irã]. Talvez não possamos deixá-los entrar, mas os próprios atletas certamente poderão", disse Rubio a jornalistas na Casa Branca.
Se os jogadores iranianos "decidirem não vir por iniciativa própria, é porque optaram por não vir", prosseguiu. "O que não podem fazer é trazer ao nosso país um montão de terroristas fingindo que são jornalistas e preparadores físicos".
"Não sei de onde saiu isso, são especulações de que o Irã poderia decidir não vir e que a Itália ocuparia o seu lugar", acrescentou o secretário de Estado.
Em meados de março, porém, Trump estimou que a seleção iraniana não estaria "a salvo" se viesse aos Estados Unidos.
O Irã deve disputar suas partidas do Grupo G em Los Angeles, contra Nova Zelândia (16 de junho) e Bélgica (21 de junho), e depois em Seattle, contra o Egito (27 de junho). Está previsto que seu alojamento base seja em Tucson, no Arizona.
- Rejeição total na Itália -
Enquanto a guerra no Oriente Médio gera dúvidas sobre a participação iraniana, o assessor de Trump Paolo Zampolli disse nesta quinta ao Financial Times que havia apresentado este improvável cenário de substituir o Irã pela Itália a Trump e Infantino.
"Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a 'Squadra Azzurra' em um torneio organizado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, tem o pedigree para justificar sua inclusão", declarou o assessor do presidente americano.
Em 2022, após o fracasso anterior da 'Azzurra' nas eliminatórias para a Copa do Catar, houve apelos — sem sucesso — à Fifa para que desclassificasse o Irã por conta de violações de direitos humanos relacionadas à sua repressão policial, para que a Itália pudesse voltar a um Mundial.
Os dirigentes italianos, no entanto, descartam essa opção.
"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não seria apropriado, você deve se classificar no campo", afirmou o ministro dos Esportes italiano, Andrea Abodi, citado pelas agências italianas Ansa e AGI.
O presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, garantiu que se sentiria "ofendido" se a Itália se classificasse dessa maneira. "É preciso conquistar a vaga na Copa do Mundo", frisou, segundo as agências italianas.
- Fifa decide por conta própria -
A 'Squadra Azzurra' não participará do Mundial pela terceira vez consecutiva, após ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina (1 a 1 na prorrogação, 4 a 1 nos pênaltis) no final de março, na repescagem das eliminatórias europeias.
Ao ser consultada pela AFP, a entidade máxima do futebol mundial relembrou declarações recentes de Infantino, cuja conivência explícita com Trump tem gerado críticas.
"O Irã estará na Copa" e disputará, como está previsto, suas partidas da primeira fase nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Fifa à AFP no final de março.
"O Irã deve vir, representam o seu povo, se classificaram, os jogadores querem jogar", declarou depois, em meados de abril, durante uma conferência econômica em Washington, com a esperança de que o Oriente Médio recuperasse logo uma "situação pacífica".
No início do conflito desencadeado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Irã cogitou um "boicote" à competição, antes de solicitar à Fifa que transferisse suas partidas para o México. A organização descartou essa opção.
O regulamento da Fifa confere à organização a faculdade de decidir por si só as medidas a serem tomadas se uma equipe se retirar do torneio.
"O futebol pertence às pessoas, não aos políticos. A tentativa de excluir o Irã da Copa do Mundo não faz mais do que revelar a falência moral dos Estados Unidos, que teme inclusive a presença de 11 jovens iranianos nos gramados", escreveu nesta quinta-feira, na rede social X, a embaixada iraniana em Roma.
P.AbuBaker--SF-PST