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Papa pede na Guiné 'respeito aos direitos de cada cidadão' após visitar uma prisão
O papa Leão XIV apelou, nesta quarta-feira (22), ao "respeito dos direitos de cada cidadão" diante de milhares de fiéis no estádio de Bata, a maior cidade da Guiné Equatorial, após ter visitado uma prisão no segundo dia de sua viagem a esta ex-colônia espanhola.
Em um clima festivo, em que se misturaram cantos e danças tradicionais, o papa americano defendeu o "respeito dos direitos de cada cidadão, de cada família de cada grupo social", retomando as palavras do papa João Paulo II (1978-2005), durante sua visita, em 1982, a este país de fala espanhola com dois milhões de habitantes, conhecido por seu poder autoritário e seus ataques às liberdades individuais.
Antes, Leão XIV fez uma visita ao centro penitenciário de Bata, no oeste, sob um controle estrito, e fez uma denúncia incomum sobre as condições de vida dos detentos.
No pátio da prisão, com muros de cor salmão recém-pintados e com arame farpado no topo, vários detentos cantaram e dançaram debaixo de uma chuva torrencial e seguindo uma encenação habilmente orquestrada, alinhados em frente ao papa.
"A administração da justiça tem como objetivo proteger a sociedade, mas para ser eficaz, deve apostar sempre na dignidade e no potencial de cada pessoa", afirmou o pontífice diante de 600 presos, entre eles cerca de 30 mulheres.
Vestidos com uniformes cor laranja vivo ou cáqui, os detentos, jovens em sua maioria, tinham as cabeças raspadas e calçavam sandálias de plástico.
Alguns usavam máscaras. O tapete vermelho, o estrado, as bandeiras do Vaticano e os alto-falantes que executavam música festiva refletiam os esforços das autoridades para dar a melhor imagem possível deste presídio, apesar das críticas das ONGs sobre as condições de reclusão.
Ao final do encontro, os detentos exultaram de alegria e dançaram aos gritos de "Liberdade!".
Em um relatório de 2023, o Departamento de Estado americano reportou casos de tortura, superlotação e condições sanitárias deploráveis nos presídios do país.
Apesar do tom diplomático, as declarações do papa representaram uma denúncia muito incomum neste país tão controlado e criticado por seus ataques à liberdade de expressão.
- Maratona pela África -
No décimo dia de sua viagem africana, Robert Francis Prevost, de 70 anos, primeiro celebrou uma missa para cerca de 100.000 fiéis em Mongomo, no leste, reduto do clã presidencial, situado na fronteira com o Gabão.
Na presença do presidente Teodoro Obiang Nguema, de 83 anos, que governa o país com mão de ferro desde 1979, o papa pediu que "os espaços de liberdade aumentem, que a dignidade da pessoa humana seja sempre preservada".
"Penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldade; penso nos reclusos, frequentemente obrigados a viver em condições preocupantes de higiene e saúde", denunciou.
Neste país laico com 80% de católicos, o líder da Igreja católica deve manter um equilíbrio diplomático delicado: apoiar os fiéis, sem ser visto como um apoiador do poder.
Na terça-feira, Leão XIV instou as autoridades a se colocarem "a serviço do direito e da justiça" e denunciou "a colonização das jazidas petrolíferas e de minérios, em desprezo ao direito internacional e à autodeterminação dos povos".
A produção de hidrocarbonetos representava 46,1% do PIB do país em 2024, segundo o Banco Africano de Desenvolvimento.
Mas, segundo a ONG Human Rights Watch, "a receita petroleira financia modos de vida suntuosos para a pequena elite que cerca o presidente, enquanto uma grande parte da população vive na pobreza".
Desde o início de sua viagem de 11 dias por quatro países da África, o papa encadeia missas, discursos, voos, encontros, cerimônias e contatos com a multidão sob um sufocante calor tropical.
Após um périplo de 18.000 km, iniciado na Argélia, e que seguiu para Camarões e Angola, o papa encerrará sua viagem na quinta-feira com uma missa ao ar livre no estádio de Malabo.
D.Khalil--SF-PST