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Irã anuncia apreensão de navios que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária do Irã informou, nesta quarta-feira (22), que suas forças navais interceptaram dois porta-contêineres que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, apesar da prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, para dar mais tempo às negociações de paz.
Dois organismos de monitoramento da segurança marítima com sede no Reino Unido confirmaram que três navios comerciais relataram incidentes com lanchas de patrulha na passagem estratégica, cujo controle é disputado pelas forças americanas e iranianas.
"A força naval do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica identificou e deteve esta manhã, no Estreito de Ormuz, dois navios infratores", afirmou o exército ideológico iraniano em um comunicado.
"Os dois navios infratores (...) foram apreendidos pelo CGRI e conduzidos para a costa iraniana", acrescenta a nota.
As autoridades iranianas identificaram um navio como "MSC-FRANCESCA", que disseram pertencer "ao regime sionista", em referência a Israel, e o outro como "EPAMINONDAS".
O site de rastreamento Marine Traffic informou que as últimas posições conhecidas dos dois navios estavam próximas da costa iraniana do Estreito de Ormuz, ao nordeste de Omã.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou no início da manhã que uma lancha iraniana abriu fogo contra um porta-contêineres ao longo da costa de Omã, assim como disparos contra um navio na costa do Irã.
A empresa de segurança britânica Vanguard Tech identificou este último como o porta-contêineres Euphoria, de bandeira do Panamá, e afirmou que "atravessava o Estreito de Ormuz em direção ao exterior".
As forças militares dos Estados Unidos tentam bloquear os navios que se dirigem para e que tentam sair dos portos iranianos, enquanto Teerã afirma que as embarcações devem solicitar permissão para sair ou entrar no Golfo pelo Estreito de Ormuz, uma rota pela qual, em período de paz, transita 20% das exportações mundiais de petróleo e gás.
- "Avanço importante" -
Antes dos incidentes, Donald Trump anunciou que estendeu a trégua após um pedido do Paquistão e ressaltou a necessidade de permitir que o governo iraniano "fraturado" elabore uma proposta para acabar com a guerra.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, celebrou a prorrogação, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou a medida um "avanço importante para a desescalada".
Desde o início da guerra no Oriente Médio, deflagrada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, uma rodada de negociações aconteceu em Islamabad, mas terminou sem resultados. O Paquistão, país mediador, tenta organizar outro ciclo de conversações para acabar com um conflito que matou milhares de civis, principalmente no Irã e no Líbano, e abala a economia mundial.
Apesar dos esforços diplomáticos do Paquistão, o futuro das negociações de paz mediadas por Islamabad continua incerto.
Um funcionário da Casa Branca confirmou que o vice-presidente JD Vance não viajará à capital paquistanesa para uma nova rodada de negociações, como estava previsto inicialmente.
O Irã, por sua vez, não anunciou se havia decidido enviar uma delegação. Analistas consideram que a falta de comprometimento de Teerã foi uma forma de pressionar Washington.
- Missão para o Estreito de Ormuz -
Apesar da prorrogação do cessar-fogo, Donald Trump insistiu que os Estados Unidos prosseguirão com o bloqueio aos portos iranianos e afirmou, em uma mensagem, que o Irã está "entrando em colapso" devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
O ministro iraniano da Agricultura, Gholamreza Nouri, afirmou que "a segurança alimentar nacional está garantida".
O Reino Unido e outros aliados dos Estados Unidos já comunicaram a Washington que não pretendem aderir a nenhuma iniciativa militar que tenha como objetivo reabrir à força o Estreito de Ormuz.
O Ministério da Defesa britânico, no entanto, anunciou que receberá, a partir desta quarta-feira, militares de quase 30 países para discutir, durante dois dias, a formação de uma missão, liderada em conjunto com a França, com o objetivo de proteger a navegação em Ormuz.
- Um morto no Líbano -
Na outra frente de batalha da guerra, novas negociações diretas entre Israel e Líbano devem acontecer na quinta-feira em Washington, segundo o governo americano.
Assim como as primeiras, em 14 de abril, as conversações serão lideradas pelos embaixadores.
Segundo a agência oficial libanesa NNA, um ataque aéreo israelense matou uma pessoa e feriu duas na região libanesa do Bekaa nesta quarta-feira.
Um balanço oficial divulgado na terça-feira afirma que 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra.
burs-bar-vla/cjc-arm-ahg-hgs/erl/fp/aa
Z.Ramadan--SF-PST