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Chefe de órgão eleitoral do Peru renuncia após irregularidades no pleito
O chefe da entidade responsável por organizar as eleições gerais no Peru renunciou nesta terça-feira (21), um pouco antes de prestar depoimento ao Ministério Público sobre irregularidades no processo de votação no primeiro turno.
Piero Corvetto foi convocado para prestar depoimento pelos inconvenientes logísticos na jornada eleitoral de 12 de abril, que atrasaram a apuração.
Os peruanos ainda não sabem quem vai disputar o segundo turno de 7 de junho com a candidata de direita Keiko Fujimori.
Roberto Sánchez, da esquerda radical, e o ultraconservador Rafael López Aliaga disputam voto a voto o segundo lugar, com leve vantagem para o primeiro, de 15 mil votos, com cerca de 94% das urnas apuradas.
Corvetto estava à frente do Departamento Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) e se afastou do cargo antes de comparecer ao MP nesta terça na qualidade de funcionário para dar sua versão sobre o ocorrido.
"Considero necessário e urgente renunciar à responsabilidade que me foi confiada, no interesse da organização e condução do segundo turno das eleições presidenciais em um contexto de maior confiança pública no ONPE", escreveu ele em uma carta que publicou na rede social X.
Corvetto estava no cargo desde 31 de agosto de 2020. Em 2024, foi ratificado na função.
Descreveu como "problemas técnicos e operacionais" as irregularidades registradas na distribuição do material eleitoral em Lima, durante a votação. Esses problemas causaram atrasos na abertura das seções eleitorais na capital peruana e impediram que mais de 50 mil pessoas votassem, forçando uma prorrogação de 24 horas, algo sem precedentes no país.
A missão de observação da União Europeia (UE) apontou "graves falhas", mas especificou que não encontrou "nenhuma evidência objetiva" de fraude, como alegado pelo candidato López Aliaga.
O Júri Nacional de Eleições (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do Peru, estima que os resultados finais não serão apresentados antes de 15 de maio devido a atrasos na apuração dos votos realizada pelo ONPE.
Cédulas encontradas em um contêiner de lixo, registros eleitorais contestados e acusações de fraude lançaram uma sombra sobre a votação e afetaram a apuração do pleito.
- Comemoração e crítica -
Keiko Fujimori, que lidera a contagem parcial com 17% dos votos, comemorou a renúncia de Corvetto.
"Às vésperas do segundo turno, é uma boa notícia para o Peru que este senhor tenha se retirado", disse a jornalistas após sair de um ato público.
O partido Juntos pelo Peru, de Roberto Sánchez, denunciou em um comunicado que a renúncia obedeceu a "uma perversa ação midiática", que busca instalar "uma narrativa" de fraude para anular as eleições diante de seu avanço no pleito.
O partido de López Aliaga, Renovação Popular, indicou, através de sua candidata à vice-presidência Norma Yarrow, que "os responsáveis, que traíram a pátria, assumam as consequências pelo golpe" contra a democracia "com eleições zero transparentes".
Após deixar o cargo, Corvetto compareceu ao MP, onde permaneceu por 90 minutos. Entregou seu passaporte e saiu sem dar declarações. O Ministério Público não informou o tipo de diligência que cumpriu o agora ex-funcionário.
A queda do chefe da ONPE era uma questão de horas, em meio à intensa pressão política e midiática para que renunciasse. O JNE também o denunciou ao Ministério Público pelas supostas irregularidades no primeiro turno.
H.Nasr--SF-PST