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Vice-presidente dos EUA permanece em Washington e aumenta incerteza sobre negociações com Irã
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que lidera a delegação para negociações com o Irã no Paquistão, permaneceu em Washington nesta terça-feira (21) para participar de reuniões, enquanto Teerã ainda não enviou representantes e o tempo se esgota antes do fim do cessar-fogo.
A segunda rodada de negociações é marcada por incertezas e divergências entre os dois lados, inclusive em relação ao prazo final do atual cessar-fogo, que, segundo a televisão estatal iraniana, está em vigor até as 3h30 da manhã de quarta-feira, horário de Teerã (21h00 de terça-feira, horário de Brasília).
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o prazo se estende até a noite de quarta-feira, no horário de Washington, enquanto o país mediador, o Paquistão, informou que o cessar-fogo está em vigor até as 23h50 GMT desta terça-feira (20h50 em Brasília).
O mundo está em alerta máximo com a retomada dos combates após o início da guerra no Oriente Médio, que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e afetou a economia global devido à interrupção no fornecimento de petróleo do Golfo.
A notícia de que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, permanece em Washington coincidiu com uma declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que afirmou que seu país ainda não tomou uma decisão final sobre sua participação.
"O motivo não é a indecisão; o motivo desta situação é que estamos enfrentando mensagens contraditórias, comportamentos contraditórios e ações inaceitáveis por parte dos Estados Unidos", declarou o porta-voz.
Em meio a dúvidas sobre se a trégua se manterá após quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que seu país sabe como "resistir a intimidações".
Mais cedo, Trump vangloriou-se da "posição sólida" de seu país em relação a eventuais negociações.
"Vamos fazer um ótimo acordo. Acho que eles não têm outra opção", disse Trump à CNBC.
Horas antes, a televisão estatal iraniana indicou que "nenhuma delegação" havia partido para o Paquistão, onde uma primeira rodada de negociações de alto nível foi realizada no início deste mês, as conversas de mais alto nível desde a fundação da república islâmica em 1979.
Este diálogo terminou sem avanços em questões fundamentais, como o programa nuclear do Irã, e as tensões no Estreito de Ormuz aumentaram após as negociações. Os Estados Unidos acusam Teerã de disparar contra navios nesta via navegável crucial para o comércio de hidrocarbonetos, que está obstruída desde o início do conflito.
Teerã afirma que o bloqueio dos EUA e a apreensão de um navio violaram o acordo de cessar-fogo.
Em sua rede social Truth Social, Trump acusou o Irã de violar a trégua em "inúmeras ocasiões", uma acusação que Teerã também faz a Washington.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador nas conversas, declarou que o país não aceitará o diálogo "sob a sombra das ameaças" de Trump e "jogará novas cartas no campo de batalha" se a guerra recomeçar.
- "Não há luz no fim do túnel" -
O cessar-fogo trouxe um certo alívio para alguns moradores de Teerã, como Babak Samiei, que voltou a praticar esportes após 40 dias, mas acredita que "a guerra provavelmente recomeçará".
Para outros moradores da capital entrevistados pela AFP, a vida piorou devido à repressão do governo e à guerra.
"Este maldito cessar-fogo nos devastou. Não há luz no fim do túnel", lamentou Saghar, de 39 anos. "Não conheço ninguém ao meu redor que esteja bem".
Trump impôs condições firmes para as negociações, principalmente a entrega pelo Irã do urânio enriquecido proveniente de seu programa nuclear, que os Estados Unidos e Israel alegam ter sido a razão de sua ofensiva. O Irã, por sua vez, defende seu direito de enriquecer urânio para fins civis, como a energia.
- "Não sobrou nada" -
Um cessar-fogo de 10 dias permanece em vigor no Líbano, mas muitos moradores temem que a trégua seja rompida. O exército israelense afirmou ter atacado um lançador de foguetes do Hezbollah nesta terça-feira, depois que o movimento xiita apoiado pelo Irã disparou contra suas tropas posicionadas no país vizinho.
Em um comunicado, o Hezbollah disse que estava "em defesa do Líbano e de seu povo, e em resposta às flagrantes" violações do cessar-fogo por Israel.
O Líbano se tornou uma outra frente na guerra depois que o Hezbollah o arrastou para o conflito em 2 de março, lançando foguetes contra Israel em apoio ao Irã. Pelo menos 2.454 pessoas morreram em bombardeios israelenses.
Zainab Farran retornou para sua casa em Nabatieh, no sul do Líbano, quando o cessar-fogo começou. Ela perdeu dois parentes em bombardeios israelenses, sua casa foi destruída e ela guarda suas roupas em um carro por medo de novos confrontos.
"Não sobrou nada, nem portas ou móveis", disse a mulher de 51 anos.
Israel e Líbano realizarão uma segunda rodada de negociações em Washington na quinta-feira, afirmou um funcionário do Departamento de Estado americano à AFP.
burs-jfx/arm-erl/dbh-an/dbh/an/cjc/aa
S.Abdullah--SF-PST