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Papa Leão XIV visita Guiné Equatorial, última etapa da viagem pela África
O papa Leão XIV chegou nesta terça-feira (21) à Guiné Equatorial para a quarta e última etapa de sua viagem pela África, em um dos países mais fechados do continente, onde deve abordar o pluralismo político e as liberdades públicas.
Depois de passar três dias em Angola, o pontífice americano deixou Luanda no início da manhã com destino a Malabo, antiga capital do país da África Central governado desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, o chefe de Estado não monárquico que está há mais tempo no poder no planeta.
No aeroporto de Malabo, Leão XIV foi recebido por uma banda musical e percorreu o tapete vermelho acompanhado pelo presidente Obiang Nguema, de 83 anos.
Centenas de fiéis deram as boas-vindas ao pontífice ao som de cânticos religiosos e vuvuzelas.
"A visita do papa à Guiné Equatorial é uma grande bênção. Gostaria que o papa rezasse especialmente pelos jovens", declarou à AFP Ana-Marie Sofinda, de 55 anos.
Durante o voo, Leão XIV prestou homenagem ao papa Francisco, exatamente um ano após sua morte.
Há 44 anos, o papa João Paulo II foi o primeiro pontífice a visitar Guiné Equatorial, um país rico em petróleo de dois milhões de habitantes, com 80% de católicos, herança da colonização espanhola.
Desde o início de sua longa viagem, em 13 de abril, Leão XIV tem adotado um tom contundente, com apelos à justiça social, à luta contra a corrupção e ao respeito aos direitos humanos.
Na Guiné Equatorial, no entanto, ele deverá buscar um equilíbrio delicado: apoiar os fiéis, mas sem ser considerado um apoiador do regime, frequentemente acusado de autoritarismo e de violação dos direitos humanos.
A maioria dos opositores e dos meios de comunicação independentes está exilada na Espanha.
As organizações internacionais acusam as autoridades da Guiné Equatorial de corrupção endêmica e de repressão à oposição, com detenções arbitrárias e restrições às liberdades públicas.
Em Malabo, as ruas receberam retratos do papa e faixas de boas-vindas, ao lado de bandeiras do Vaticano e da Guiné Equatorial.
Os coros das igrejas do país cantarão um hino composto em sua homenagem ao longo da visita.
Juan Raul, morador de Malabo, considera a visita como um momento de coesão nacional. "Vai trazer mudanças espirituais e motivar muitas pessoas a comparecer à missa", afirmou.
- "Nossos sofrimentos" -
No grande mercado Semu, no centro de Malabo, as reações são diversas: alguns comerciantes esperam benefícios com a visita, enquanto outros expressam reservas.
"O papa vem por causa dos governantes do país. A visita dele não vai nos servir de nada, porque ele não virá convencer a classe governante a levar em consideração os nossos sofrimentos e as nossas reivindicações", lamentou Anita Oye, uma vendedora de tomates.
A maior parte da população vive na pobreza, apesar de o país ter uma das rendas per capita mais elevadas da África, graças em particular às receitas do petróleo. No ano passado, o índice de desemprego chegou a 8,3%, segundo o Banco Mundial.
O papa deve discursar em Malabo diante do presidente, de membros do governo, do corpo diplomático e da sociedade civil, assim como de representantes do mundo cultural.
Na quarta-feira, ele terá uma agenda intensa, com três voos. Leão XIV visitará Mongomo, cidade natal do presidente Obiang, onde celebrará uma missa e conhecerá estudantes e professores de um centro de tecnologia que leva o nome do papa Francisco.
Também visitará Bata, a capital econômica, para uma homenagem às vítimas de uma explosão que deixou mais de 100 mortos em um acampamento militar em 2021.
No último dos 11 dias de sua viagem de 18.000 quilômetros na África, o papa celebrará, na quinta-feira, uma missa em um estádio de Malabo.
Z.AbuSaud--SF-PST