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Delegação dos EUA está prestes a partir para o Paquistão para negociações previstas com o Irã
A menos de dois dias de expirar o cessar-fogo, o Irã afirmou que ainda não decidiu se participará de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, cuja delegação se prepara para partir para o Paquistão nesta segunda-feira (20).
O objetivo do diálogo é alcançar um acordo para o fim duradouro da guerra, iniciada em 28 de fevereiro por ataques de Israel e dos Estados Unidos, e que se propagou por todo o Oriente Médio, com um balanço de milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e um forte impacto na economia mundial.
"Não temos nenhum plano para a próxima rodada de negociações e nenhuma decisão foi tomada a respeito", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghaei, que questionou a "seriedade" de Washington no processo diplomático.
O presidente americano, Donald Trump, também acusou Teerã de violar a trégua ao atacar navios no Estreito de Ormuz, via marítima crucial para o comércio global que o Irã praticamente fechou por completo.
A delegação de Washington deveria partir para o Paquistão "em breve", disse à AFP uma fonte familiarizada com os planos dos Estados Unidos nesta segunda-feira, enquanto Trump afirmou ao canal PBS News que "se supõe que [os iranianos] devam estar lá. Nós concordamos em estar lá".
O republicano advertiu que, se o cessar-fogo terminar sem um acordo de paz, "então muitas bombas vão começar a explodir" e, em declarações à Bloomberg News, indicou que era "altamente improvável" que prorrogasse a trégua de duas semanas.
O cessar-fogo expira em tese na noite de terça-feira, horário de Teerã, embora, em suas declarações à Bloomberg, Trump tenha dito que a trégua terminaria um dia depois, na noite de quarta-feira (horário de Washington).
Em Teerã, cujos principais aeroportos reabriram nesta segunda-feira pela primeira vez em semanas, a vida parecia ter voltado em grande parte ao normal, com cafés cheios e pessoas passeando nos parques e fazendo exercícios.
Mas os habitantes que falaram com jornalistas da AFP sediados em Paris disseram que a situação não é tão boa quanto pode parecer à primeira vista.
"Vamos ver o que acontece na terça. A única coisa que esses 50 dias de guerra mostraram é que ninguém se importa com o povo iraniano", declarou uma bióloga de 30 anos.
- "Não há luz no fim do túnel" -
Saghar, uma iraniana de 39 anos que não quis informar o sobrenome, afirmou que restam poucas esperanças para o povo de seu país, já que ele é afetado tanto pelo impacto da guerra quanto pela repressão do governo.
"Não há luz no fim do túnel. A economia está péssima. Estão prendendo pessoas por nada", disse.
Mesmo sem a eventual confirmação das negociações, a segurança foi reforçada em Islamabad, capital paquistanesa, com o fechamento de rodovias e a presença de barricadas.
A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, que também coordenou a comitiva de Washington no primeiro ciclo de conversações, em 11 de abril.
A reunião, com um nível de representantes de alto escalão sem precedentes desde a fundação da República Islâmica em 1979, terminou sem avanços.
Trump – que enfrenta este ano eleições de meio de mandato – está sob pressão para encontrar uma saída desde que Teerã tomou medidas para bloquear o Estreito de Ormuz.
No entanto, o bloqueio naval dos Estados Unidos, destinado a reduzir as receitas petrolíferas do Irã, e a apreensão de um cargueiro provocaram novas ameaças por parte dos iranianos, em vez de incentivá-los a voltar à mesa de negociações.
Marinha americana apreendeu no domingo nessa passagem o cargueiro Touska, de bandeira iraniana. Teerã prometeu "responder em breve" ao que chamou de "ato de pirataria armada".
Segundo a agência Tasnim, o Irã lançou drones na direção dos navios militares americanos que "atacaram" o Touska.
Por outro lado, as partes mantêm posições antagônicas, em particular na questão do programa nuclear iraniano. Segundo Trump, o Irã aceitou entregar seu urânio altamente enriquecido, o que Teerã nega.
O Irã afirma que não deseja fabricar uma bomba atômica, mas defende seu direito à energia nuclear civil.
- Aviso do Hezbollah -
No Líbano, o outro front da guerra, a situação continua muito instável apesar de um cessar-fogo de 10 dias que entrou em vigor na sexta-feira entre Israel e o movimento islamista pró-Irã Hezbollah. As partes trocam acusações sobre violações da trégua.
Nesta segunda-feira, o Exército israelense advertiu os civis libaneses que não retornem para dezenas de vilarejos do sul do Líbano, ao destacar que as atividades do Hezbollah na região constituem uma violação do cessar-fogo.
Desde o início da trégua na sexta-feira, milhares de deslocados começaram a retornar para diversas localidades do sul do Líbano. O Exército do país reabriu estradas e pontes que foram danificadas pelos bombardeios.
O deputado do Hezbollah Hassan Fadlallah declarou à AFP que seu partido "trabalhará para romper a 'linha amarela'" de ocupação que Israel estabeleceu no sul do Líbano e que delimita uma "zona de amortecimento".
Nas seis semanas de guerra entre Israel e o Hezbollah, pelo menos 2.387 pessoas morreram no Líbano, segundo um novo balanço divulgado nesta segunda-feira pelo governo libanês.
burx-hme/anb/pb/dbh/fp/jc/yr/ic/am
R.Halabi--SF-PST