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Israel está replicando 'linha amarela' de Gaza no sul do Líbano?
Israel afirma ter estabelecido uma "linha amarela" no sul do Líbano, perto da fronteira, onde suas forças continuam operando, apesar de um cessar-fogo de dez dias acordado com o movimento pró-iraniano Hezbollah.
O que é a chamada "linha amarela", em que ela se assemelha à linha de demarcação militar israelense na Faixa de Gaza e como isso afeta o Líbano?
- Que anúncio foi feito por Israel? -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel havia aceitado a trégua, em vigor desde sexta-feira, mas que manterá uma "zona de segurança" com 10 quilômetros a partir da fronteira com o país vizinho.
O Exército israelense anunciou no sábado que estabeleceu uma demarcação denominada "linha amarela" no sul do país. No dia seguinte, divulgou um mapa no qual indicava uma "linha de defesa avançada", que se estende do Mediterrâneo, a oeste, até a fronteira do Líbano com a Síria, a leste.
A maioria dos habitantes fugiu da área, que inclui aldeias fronteiriças muito danificados em uma rodada de hostilidades em 2023, embora moradores de algumas localidades cristãs tenham desafiado as ordens de evacuação do exército israelense. As forças de paz da ONU também estão estacionadas no local.
O Exército israelense — que vem destruindo edifícios nas localidades na fronteira desde o início da trégua — advertiu nesta segunda-feira (20) os civis libaneses para que não retornassem a dezenas de povoados ao sul da linha, alegando atividades do movimento xiita Hezbollah na área que violam o cessar-fogo.
Israel tentou repetidas vezes criar uma zona de amortecimento no sul do Líbano.
Em 2000, após pressão do Hezbollah, as tropas israelenses se retiraram do sul do Líbano, depois de cerca de duas décadas de ocupação.
- Parecida com Gaza? -
Em Gaza, a "linha amarela" refere-se a uma demarcação militar israelense estabelecida durante o cessar-fogo de outubro de 2025 com o grupo islamista palestino Hamas.
Ela divide Gaza entre uma área sob controle militar israelense direto, à qual não é permitido o acesso aos palestinos, e uma área governada pelo Hamas, mas onde os residentes continuam vulneráveis aos ataques israelenses.
O exército israelense relata com frequência que ataca pessoas descritas como combatentes que se aproximam da linha, e passou a fazer o mesmo no Líbano.
O especialista militar libanês Hassan Jouni declarou à AFP que "a linha amarela no Líbano é uma cópia da ideia e da filosofia da linha amarela em Gaza".
Na Faixa, no entanto, este perímetro foi "o resultado de um acordo com o Hamas. No Líbano não há acordo (...) ela foi decidida unilateralmente" por Israel, afirmou, qualificando-a como uma "decisão agressiva".
A linha representa uma nova fronteira de segurança israelense para proteger as cidades e vilarejos do norte de Israel e, potencialmente, "uma linha para lançar novas operações ofensivas", acrescentou.
Ela cria uma zona "onde qualquer atividade (...) é considerada suspeita e justifica a abertura de fogo", avaliou o especialista.
- Quais são as opções do Líbano? -
O presidente libanês, Joseph Aoun, declarou nesta segunda-feira que as negociações diretas previstas com Israel têm como objetivo pôr fim às hostilidades e à ocupação israelense no sul.
Segundo os termos da trégua, que não mencionam uma retirada israelense do Líbano, Israel se reserva o direito de continuar atacando o Hezbollah para prevenir "ataques planejados, iminentes ou em curso".
As forças israelenses nunca se retiraram completamente após a última guerra, apesar do exigido pelo cessar-fogo de novembro de 2024.
O Hezbollah se opõe firmemente às negociações previstas e também pediu que as tropas israelenses se retirem.
O deputado do Hezbollah Hassan Fadlallah declarou à AFP nesta segunda-feira que o movimento "trabalhará para romper a 'linha amarela' por meio da resistência". "Todas essas linhas serão rompidas e não aceitaremos nenhuma delas", acrescentou.
Jouni afirmou que a "linha amarela" será um ponto de fricção e disse esperar tanto "uma via política que comece com as negociações" quanto uma abordagem no terreno, "que será decidida em função da situação regional (...) entre o Irã e os Estados Unidos".
"Talvez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreenda a todos ao pressionar Israel a se retirar" do Líbano, acrescentou.
Z.AlNajjar--SF-PST