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Irã ameaça fechar novamente Ormuz se bloqueio dos EUA continuar
Teerã ameaçou, neste sábado (18, data local), fechar o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio dos portos iranianos, horas depois que a passagem marítima foi reaberta.
A reabertura do estreito tranquilizou os mercados na sexta-feira, e impulsionou o otimismo em Washington. O Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel.
Em uma conversa telefônica com a AFP nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assegurou que não havia "pontos conflitivos" para concluir um acordo de paz. Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações.
"Vamos conseguir isso [recuperar o ucrânio enriquecido] entrando no Irã, com muitas escavadeiras", disse Trump durante um discurso para apoiadores do movimento conservador Turning Point USA em Phoenix, Arizona.
O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum.Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
"Se o bloqueio continuar, o Estreito de Ormuz não vai permanecer aberto", escreveu o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, na rede social X. Além disso, assinalou que o trânsito por essa via marítima dependeria de autorização da República Islâmica.
"O que eles chamam de bloqueio naval terá definitivamente a resposta apropriada do Irã. Um bloqueio naval é uma violação do cessar-fogo", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.
As notas conflitantes chegam em um dia classificado por Trump de "GRANDE E BRILHANTE", com uma série de publicações nas redes sociais nas quais ele elogiou o Paquistão, mediador das negociações, e os aliados do Golfo.
Em sua entrevista telefônica com a AFP, Trump falou sobre o acordo, que "parece que vai ser algo muito bom para todos". E, ao ser perguntado sobre quais questões espinhosas ainda estavam pendentes, respondeu: "Não há pontos conflitantes, absolutamente nenhum."
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos.
- Preços do petróleo caem -
As cotações do petróleo já haviam cedido diante da esperança de uma solução negociada para o conflito, e a queda se acelerou nesta sexta. As ações, por outro lado, subiram, na medida em que os investidores se deixavam contagiar pelo otimismo.
Na noite desta sexta-feira, os Estados Unidos emitiram outra isenção que permite a venda de petróleo russo e produtos derivados que já estão carregados nos navios, uma medida que pressionará para baixo os preços do petróleo enquanto o abastecimento é retomado.
O cessar-fogo no Líbano e a reabertura do estreito marcaram um avanço claro no acordo que Washington busca para acabar com sua guerra contra o Irã, depois que Teerã insistiu em que os enfrentamentos no Líbano fossem incluídos na negociação.
Nesse país árabe, famílias deslocadas buscam retornar a seus lares no bombardeado sul de Beirute nestes dez dias de trégua.
"Nossos sentimentos são indescritíveis, orgulho e vitória", disse à AFP Amani Atrash, de 37 anos, que espera que o cessar-fogo continue.
Trump, por sua vez, disse que Washington "proibiu" Israel de continuar com seus ataques. "É suficiente", disse, e acrescentou que os Estados Unidos vão trabalhar com o Líbano "para lidar" com o Hezbollah.
- Trégua sob pressão -
Não obstante, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não havia terminado.
Já o Líbano assinalou que está trabalhando em "um acordo permanente" com Israel após o cessar-fogo, segundo o presidente Joseph Aoun.
É "uma fase de transição [...] para trabalhar em um acordo permanente que proteja os direitos de nosso povo", acrescentou.
Segundo os termos do cessar-fogo, Israel se reserva o direito de continuar apontando sua mira para o Hezbollah para evitar "ataques planejados, iminentes ou em curso", e manterá uma zona de segurança de 10 km na fronteira entre os dois países.
Em contrapartida, o grupo islamista advertiu que está com o "dedo no gatilho" caso Israel viole a trégua.
burs/dc/amj/hgs-jvb/dbh/cjc/mel/lb/rpr
T.Ibrahim--SF-PST