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Trump diz à AFP que não há 'pontos conflituosos' para acordo com Irã
O presidente americano, Donald Trump, assegurou à AFP, nesta sexta-feira (17), logo após o anúncio do Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que não restam "pontos conflituosos" para concluir um acordo de paz.
"Estamos muito perto de chegar a um acordo", declarou o presidente americano por telefone. Perguntado se havia diferenças a resolver entre os dois países, Trump respondeu: "Não há pontos conflituosos em absoluto".
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, com os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu lançando mísseis e projéteis no Golfo e com o fechamento do estreito, uma via marítima crucial para o transporte de hidrocarbonetos.
Nesta sexta, o Irã declarou o Estreito de Ormuz "totalmente aberto", após o início de uma trégua no Líbano entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah.
Perguntado sobre por que não podia anunciar formalmente o acordo com o Irã neste momento, Trump respondeu: "Eu não procedo dessa maneira; quero isto por escrito".
"Em linha com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz foi declarado totalmente aberto pelo período restante do cessar-fogo", anunciou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, na rede social X.
O anúncio provocou a queda de 10% no preço do petróleo e um repique nas bolsas europeias.
A navegação de embarcações militares segue proibida, esclareceu um alto funcionário militar iraniano, citado pela TV estatal.
O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel. Com o início da trégua de dez dias, várias famílias embalaram seus pertences nesta sexta-feira, as colocaram nos bagageiros de seus carros e pegaram a estrada de volta para suas casas em Beirute ou no sul do país.
"Estivemos na rua, indo de um lugar para outro porque não havia espaço nos refúgios", disse à AFP Insaf Ezzedine, de 42 anos, morador do sul de Beirute.
"Esperamos que a guerra termine e possamos voltar para nossas casas e viver em paz", acrescentou.
- Avanço "muito rápido"? -
Trump comemorou o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz. "OBRIGADO!", publicou em sua plataforma, Truth Social, onde disse que o Irã está retirando as minas do estreito com ajuda dos Estados Unidos.
Mesmo assim, advertiu que o bloqueio de Washington aos portos iranianos, imposto desde a segunda-feira para pressionar o Irã vai continuar.
"O bloqueio naval será mantido em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã - e unicamente ao Irã - até o momento em que nossa transação com o Irã esteja 100% concluída", disse Trump, referindo-se às negociações para um acordo.
O cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz são os passos-chave para Washington com vistas a um acordo de paz com Teerã, que insistia no cessar dos combates no Líbano.
O Paquistão liderou os esforços diplomáticos para que Teerã e Washington voltassem a dialogar, após uma primeira rodada de diálogos que terminou sem resultados.
"O processo deveria avançar muito rápido, visto que a maioria dos temas já foi negociada", disse Trump nesta sexta-feira.
Outro desacordo resolvido, segundo Trump, é a entrega do urânio altamente enriquecido pelo Irã, embora Teerã não tenha confirmado este ponto.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou, nesta sexta, a decisão do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz.
"Trata-se de um passo na direção certa", disse Stéphane Dujarric, porta-voz de Guterres.
- Israel suspende restrições de guerra -
Em um sinal da mudança, o exército israelense afirmou que vai suspender as restrições impostas pela guerra.
Contudo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ressaltou que a ofensiva contra o Hezbollah não terminou.
"Ainda há coisas que planejamos fazer a respeito das ameaças dos foguetes e drones" do movimento libanês, disse Netanyahu em uma mensagem gravada.
"Israel não vai mais bombardear o Líbano. Os Estados Unidos o PROIBIRAM de fazê-lo. Já chega!!!", afirmou o republicano em outra postagem na Truth Social.
Minutos antes de o cessar-fogo entrar em vigor, à meia-noite de quinta-feira, Israel bombardeou a cidade de Tiro, no sul do Líbano, matando pelo menos 13 pessoas e destruindo seis blocos residenciais, segundo um funcionário municipal.
A agência nacional de notícias libanesa destacou, nesta sexta, que uma pessoa morreu em um ataque no sul do Líbano apesar da trégua.
Segundo os termos do cessar-fogo, Israel se reserva o direito de continuar apontando contra o Hezbollah para evitar "ataques planejados, iminentes ou em curso", e manterá uma zona de segurança de 10 km na fronteira entre os dois países.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu, no entanto, que os combates ao norte desta área poderiam ser retomados, razão pela qual os moradores que voltarem para lá poderiam ser chamados a deixar suas casas novamente.
O Hezbollah, por sua vez, advertiu que mantém o "dedo no gatilho" no caso de Israel violar a trégua.
burs/dc/amj/hgs-jvb/dbh/cjc/mel/mvv/am
Z.AbuSaud--SF-PST