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Chefe do Exército paquistanês visita Irã para dialogar sobre negociações com EUA
O influente chefe do Exército paquistanês se reuniu, nesta quinta-feira (16), com o presidente do Parlamento do Irã, no contexto dos diálogos em curso para organizar uma segunda rodada de negociações com os Estados Unidos.
Washington se mostrou otimista sobre o diálogo com Teerã e continuou com seus esforços de mediação entre Israel e Líbano, afirmando que seus "líderes" vão conversar nesta quinta-feira.
No último fim de semana, o Paquistão sediou um primeiro ciclo de negociações entre EUA e Irã para alcançar uma solução duradoura para a guerra no Oriente Médio. A reunião terminou sem acordo.
O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, se reuniu, nesta quinta, com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A agência iraniana Mizan publicou fotos dos dois trocando um cordial aperto de mãos em frente a bandeiras de seus respectivos países.
A delegação paquistanesa chegou na quarta-feira ao Irã, pouco antes de Washington mencionar a possibilidade de uma segunda rodada de negociações com a República Islâmica.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que seu governo é "otimista sobre as perspectivas de um acordo".
Por enquanto, "não há uma data" marcada, disse à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.
O Irã reafirmou sua vontade de negociar, mas se mantém firme em uma exigência fundamental: o direito do país a ter um programa nuclear civil, abrindo a porta unicamente a debates sobre "o nível e o tipo de enriquecimento" de urânio.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que, se o Irã rejeitar uma proposta americana na qual se exige, entre outras coisas, renunciar ao "armamento nuclear", Israel lançará ataques "ainda mais dolorosos" contra novos alvos.
- Giro diplomático -
Diante deste conflito, que custou milhares de vidas, principalmente no Irã e no Líbano, e sacudiu a economia mundial, o mundo espera que seja prorrogado o cessar-fogo de duas semanas vigente desde 8 de abril e que vence na próxima semana.
O otimismo surgiu após o intenso giro diplomático de quatro dias do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que esteve na Arábia Saudita na quarta-feira e no Catar na quinta-feira.
Estes dois países e outros aliados dos Estados Unidos no Golfo foram alvos de ataques quase diários por parte do Irã antes da trégua, em represália aos bombardeios israelenses-americanos que desencadearam o conflito, em 28 de fevereiro.
Além do programa nuclear iraniano, outro ponto principal do conflito entre Estados Unidos e Irã é o estratégico Estreito de Ormuz, por onde antes da guerra transitavam 20% do petróleo e do gás mundiais.
No terreno, Teerã segue bloqueando o estreito e Washington impõe desde a segunda-feira um bloqueio aos navios que zarpam ou se dirigem a portos iranianos.
O exército americano anunciou na quarta-feira que tinha impedido a dez navios zarpar dos portos iranianos. Segundo Washington, "90%" da economia iraniana dependem do comércio marítimo.
Em resposta, o Irã esgrimiu a ameaça de um bloqueio do Mar Vermelho e ameaçou afundar os navios americanos se tentassem atuar como "polícia" no Estreito de Ormuz.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, assegurou, nesta quinta-feira, que seu país vai bloquear os portos iranianos "pelo tempo que for necessário".
- "Ponto de partida" -
Quanto à outra frente da guerra, no Líbano, tanto os Estados Unidos quanto o Irã pressionam pelo fim das hostilidades.
O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o movimento islamista libanês Hezbollah atacou Israel em represália aos bombardeios contra o Irã, seu aliado.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deixaram pelo menos um milhão de deslocados.
O embaixador israelense e sua homóloga libanesa se reuniram na terça-feira em Washington, no primeiro diálogo direto de alto nível entre os dois países desde 1993.
O presidente americano, Donald Trump, escreveu na quarta-feira em sua rede, Truth Social, que Washington está "tentando dar um pouco de espaço para respirar entre Israel e Líbano", dois países tecnicamente em guerra há décadas.
"Há muito tempo que os dois líderes não se falam, uns 34 anos. Será amanhã (quinta-feira). Genial!", anunciou.
A ministra israelense da Inovação, Gila Gamliel, afirmou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu "falará" com o presidente libanês, Joseph Aoun.
O mandatário libanês não confirmou que a conversa vá ocorrer, e se limitou a reiterar a importância de um cessar-fogo, qualificando-o como "ponto de partida natural para as negociações diretas".
O presidente do Parlamento iraniano, por sua vez, afirmou que uma trégua no Líbano é "tão importante" quanto a do Irã.
As forças israelenses ocupam atualmente partes do sul do Líbano, e seu governo tem resistido a considerar qualquer cessar-fogo até que o Hezbollah tenha sido desmantelado.
O exército israelense destruiu, nesta quinta, uma ponte estratégica no sul do país e matou uma pessoa ao bombardear a rodovia que liga a capital libanesa, Beirute, à capital síria, Damasco.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a autoria de vários ataques contra posições militares no norte de Israel.
burs-ec/dcp/mvl/mas/hgs/an/mvv/aa
J.AbuShaban--SF-PST