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Opositor sul-africano Julius Malema é condenado a cinco anos de prisão
O opositor sul-africano Julius Malema foi condenado, nesta quinta-feira (16), a cinco anos de prisão por disparar com um rifle de assalto durante uma concentração comemorativa de seu partido há oito anos.
O líder dos Economic Freedom Fighters (EFF, Lutadores pela Liberdade Econômica) permanecerá, no entanto, em liberdade provisória, enquanto o recurso de apelação estiver em tramitação.
"Não foi condenado um partido político", declarou a magistrada que proferiu a sentença. "Trata-se de uma pessoa, de um indivíduo", acrescentou.
O ex-líder da liga juvenil do Congresso Nacional Africano (CNA), antes de ser expulso do partido de Nelson Mandela em 2012, recebeu a decisão com estoicismo, mas atacou a magistrada diante de centenas de apoiadores reunidos às portas do tribunal de KuGompo.
Malema acusou a magistrada de racismo e disse: "Estamos lutando contra o inimigo e o inimigo é a supremacia branca".
Em um longo discurso, a acusou, sem fundamento, de ser membro do grupo identitário Afriforum, que defende os interesses dos africâneres, descendentes de colonos europeus. Também a qualificou de "magistrada mais incompetente que existe" e disse que há uma "mão invisível que controla o processo".
O deputado, de 45 anos, poderá continuar ocupando o seu assento na Assembleia Nacional.
Ele e o seu antigo guarda-costas foram acusados de terem disparado para o ar com armas de fogo durante a celebração do quinto aniversário do EFF perto de KuGompo.
Poderia ter sido condenado a 15 anos de prisão, pena solicitada pelo Ministério Público.
Em agosto, Malema foi declarado culpado de incitamento ao ódio por ter dito aos seus apoiadores, em 2022, que "nunca deveriam ter medo de matar".
Grupos identitários africâneres criticam Malema por entoar um canto histórico da luta contra o Apartheid que conclama "matar o bôer, o fazendeiro", em referência aos descendentes de colonos holandeses.
Estes grupos de pressão aproveitaram o rancor de longa data que possuem em relação a Malema para chamar a atenção de Donald Trump, e o mandatário exibiu um vídeo em que aparece o político cantando o lema ao receber o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca.
No encontro, Trump apagou as luzes de repente e exibiu um vídeo que supostamente apoiava suas afirmações de que há uma perseguição contra pessoas brancas na África do Sul, algo que Ramaphosa nega.
"Por que não prendem este homem?", perguntou Trump em referência a Malema.
Apesar do retrocesso do CNA nas últimas eleições parlamentares, o partido de Malema também perdeu espaço na eleição de 2024. Com pouco menos de 10%, ficou em quarto lugar.
T.Samara--SF-PST