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'Trump não tem o direito de acordar e achar que pode ameaçar um país', diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, "não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país", em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (16) pelo jornal espanhol El País.
"Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito a isso, a Constituição americana não garante isso e muito menos a carta da ONU", afirmou Lula.
O presidente brasileiro, 80 anos, concedeu a entrevista ao jornal espanhol às vésperas de uma viagem a Barcelona, onde se reunirá na sexta-feira com o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, e no sábado participará de um fórum internacional de lideranças da esquerda.
Lula também disse que telefonou para o presidente da China, Xi Jinping, para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e para o presidente da França, Emmanuel Macron, para pedir uma reunião sobre a situação internacional.
No mesmo sentido, considerou que a ONU precisa ser repensada para adaptar-se ao contexto atual.
"Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para lhe dar credibilidade, porque, caso contrário, o Trump tem razão", opinou.
"As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas. E por quê? Porque os cinco países do Conselho de Segurança, que deveriam ter um comportamento exemplar, não o têm", acrescentou Lula.
Questionado sobre a situação na Venezuela, o presidente afirmou que seria favorável a uma convocação de eleições, após a queda em janeiro de Nicolás Maduro durante uma intervenção militar dos Estados Unidos.
"Eu penso que teria que ter um processo eleitoral pactuado com a oposição para que, ao terminar as eleições, o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz. O que não pode acontecer é os Estados Unidos acharem que podem administrar a Venezuela. Isso não é normal, não tem lugar na democracia", acrescentou.
Lula, que pode disputar um quarto mandato nas eleições de outubro, será um dos principais participantes do fórum de dirigentes progressistas promovido por Pedro Sánchez, atual presidente da Internacional Socialista, no fim de semana em Barcelona.
Entre os vários líderes políticos esperados estão, entre outros, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
A.Suleiman--SF-PST