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Israel voltará a ocupar o sul do Líbano?
Um mês após o início de uma nova guerra contra o Hezbollah, o Exército israelense avança lentamente no sul do Líbano e provoca temores de uma nova ocupação, quase 25 anos após sua retirada da região.
Israel anunciou a intenção de estabelecer uma "zona de segurança" para acabar com a ameaça do movimento pró-iraniano contra o norte de seu território.
Para Beirute, o anúncio representa uma "intenção clara de impor uma nova ocupação do território libanês", nas palavras de seu ministro da Defesa, Michel Menassa.
Em 1982, em plena guerra civil libanesa, o Exército israelense invadiu o país e chegou até Beirute para neutralizar os combatentes palestinos.
Mas a invasão deu origem a um adversário mais radical para Israel: o movimento xiita Hezbollah, patrocinado pelo Irã.
Fiel à sua criação e suas lealdades, o grupo reabriu a frente de batalha em 2 de março, com o lançamento de projéteis contra Israel com a intenção de "vingar" a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, assassinado dois dias antes, no início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos.
Até onde Israel poderia seguir desta vez? Confira os pontos-chave da situação:
- O que esta acontecendo no território libanês -
Atualmente, há quatro divisões mobilizadas no Líbano, segundo uma fonte do Exército de Israel.
"Os israelenses avançam por um eixo de cada vez" e destroem sistematicamente as localidades fronteiriças, afirmou à AFP uma fonte militar ocidental baseada no sul do país. A fonte acrescentou que, em particular, invadiram a cidade estratégica de Khiam.
O Hezbollah, que reivindica ataques frequentes contra os soldados israelenses, não impede o seu avanço, "mas busca vitórias simbólicas, como a destruição de tanques Merkava", explica a mesma fonte, que falou sob a condição de anonimato.
David Wood, especialista do International Crisis Group, considera que "à medida que Israel avança mais no Líbano, entra em um tipo de combate que, na realidade, poderia ser mais favorável ao Hezbollah, em particular uma guerra de guerrilhas baseada em ataques relâmpago".
O Exército libanês, por sua vez, anunciou que suas tropas estão sendo reposicionadas em várias localidades do sul, por onde as tropas israelenses avançam, devido ao temor de ataques.
As tropas chegaram até 10 km ao norte da fronteira em alguns pontos, segundo uma fonte militar libanesa.
Os capacetes azuis da ONU, que anunciaram a morte de três soldados indonésios desde domingo, são incapazes de deter os combates.
- O que Israel deseja? -
O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou na semana passada que seu país controlará o sul do Líbano até o rio Litani, que fica quase 30 km ao norte da fronteira.
Também advertiu que centenas de milhares de moradores da região não devem retornar às suas casas enquanto a segurança do norte de Israel não for garantida.
As declarações preocupam o diretor de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, que teme a possível criação de um novo "território ocupado" no Líbano.
O Exército israelense emitiu ordens de expulsão sem precedentes para amplas zonas do sul, o que obrigou a fuga dos moradores da região, considerada um reduto do Hezbollah.
O movimento "recrutou nas últimas décadas pessoas originárias das localidades do sul", o que conferiu uma legitimidade local da qual Israel teme que ele se aproveite em caso de retorno dos habitantes, explica à AFP o analista militar e general da reserva do Exército libanês, Khalil Helou.
Para Eyal Zisser, especialista em Líbano na Universidade de Tel Aviv, não se deve levar as declarações de Katz ao pé da letra.
"Ele é bom para fazer declarações, mas sempre é necessário verificar se estão em sintonia com as do primeiro-ministro israelense", analisa.
Benjamin Netanyahu, que deu ordem às tropas para "expandir a zona de segurança" no sul do Líbano, não mencionou de forma explícita uma ocupação de longo prazo do sul, nem o deslocamento prolongado de seus habitantes.
- É viável? -
Israel já tentou no passado criar uma "zona de segurança" no sul do Líbano e ocupou uma parte do sul pela primeira vez em 1978, antes de invadir uma parte considerável do país em 1982.
O país se retirou progressivamente do Líbano, mas continuou ocupando uma área de até 20 km ao norte da fronteira até o ano 2000, quando deixou o território libanês sob a pressão dos ataques do Hezbollah.
Durante sua última guerra contra o grupo e mesmo após o cessar-fogo de novembro de 2024, as tropas israelenses destruíram a maior parte das localidades fronteiriças e devastaram amplas zonas agrícolas.
Uma nova ocupação poderia criar "novas ameaças à segurança" de Israel, adverte David Wood.
"Se Israel negar o direito de retorno dos habitantes às suas terras ancestrais, surgirão grupos de resistência armada que continuarão travando o combate", conclui.
B.Khalifa--SF-PST