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Líder supremo Mojtaba Khamenei afirma que Irã desferiu 'golpe fulminante' no inimigo
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta sexta-feira (20) que o Irã desferiu um "golpe fulminante" e "derrotou" o inimigo na guerra, em uma mensagem pelo Ano Novo persa, marcado pelos ataques de Israel, que matou outros dois dirigentes da república islâmica.
O conflito bélico iniciado há três semanas não mostra nenhum sinal de arrefecimento e pesa sobre a atividade mundial, suscitando temores de uma crise econômica de grande magnitude.
"Neste momento, graças à unidade especial que se formou entre vocês, nossos compatriotas, apesar de todas as diferenças de origem religiosa, intelectual, cultural e política, o inimigo foi derrotado", declarou o aiatolá.
Os iranianos "desferiram um golpe fulminante que fez com que agora [o inimigo] comece a proferir palavras contraditórias e sem sentido", disse Khamenei nessa mensagem, lida na televisão pública.
O sucessor de Ali Khamenei, que morreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, também está na mira das forças israelenses. Desde então, não foi visto em público.
Nesta sexta-feira, a capital iraniana foi sacudida pelo estrondo de explosões, segundo um jornalista da AFP, que disse que vinham do norte e do leste de Teerã.
O Exército israelense continua com sua ofensiva e informou nesta sexta-feira, em um comunicado, que matou, em um bombardeio em Teerã, o chefe da unidade de inteligência da milícia paramilitar Basij, Esmail Ahmadi.
O anúncio ocorreu horas depois da morte do porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohamad Naini, que "caiu como mártir", segundo o exército de elite iraniano.
Por sua vez, o Irã atacou Jerusalém e infraestruturas no Golfo, onde provocou um incêndio em uma grande refinaria do Kuwait.
- "Covardes" -
O temor de que o conflito provoque uma importante crise econômica aumenta, sobretudo porque o Irã mantém de fato bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde costumava transitar cerca de um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.
Uma situação que levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criticar duramente nesta sexta-feira os países da Otan, aos quais chamou de "covardes" em sua plataforma Truth Social. Segundo ele, esses aliados "não querem ajudar a abrir" essa rota estratégica.
Na quinta-feira, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão declararam-se "dispostos a contribuir", quando chegar o momento, para os esforços de garantir a navegação no estreito.
Ainda assim, França, Itália e Alemanha advertiram que sua eventual participação só é concebível após um cessar-fogo.
Após um breve alívio nos preços da energia, os do petróleo voltaram a subir ligeiramente nesta sexta-feira, enquanto as bolsas mundiais continuavam a demonstrar nervosismo.
Por sua vez, o diretor-geral da IATA, a principal associação mundial de companhias aéreas, considerou que é "inevitável" que os preços das passagens aéreas subam em todo o mundo.
- "A vida continua" -
Os ataques obscurecem o clima festivo em que a região deveria estar mergulhada por causa do Ano Novo persa, o dia de Nowruz, assim como o fim do jejum do Ramadã na maioria dos países muçulmanos.
Em Teerã, foram instalados cartazes em homenagem ao Nowruz. Em alguns, via-se uma família reunida em torno de uma mesa.
"Não sabemos o que vai acontecer, mas a vida continua", disse Hoda, uma mulher de 44 anos de Saveh, cidade situada ao sul de Teerã.
Em Jerusalém Oriental, os acessos à mesquita de Al Aqsa, o terceiro local mais sagrado do islã, permaneceram fechados.
"Nos foi confiscado. Está sendo um Ramadã triste e doloroso", denunciou Wajdi Mohammed Shueiki, de cerca de 60 anos.
- "Continuamos fabricando mísseis" -
Em represália à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel, o Irã mira diariamente interesses americanos nos países do Golfo, assim como infraestruturas energéticas.
Além do bombardeio contra a refinaria kuwaitiana Mina Al Ahmadi, que levou ao fechamento de várias de suas unidades, outros ataques foram relatados na região.
Os Emirados Árabes Unidos disseram que seu território foi alvo de drones e mísseis; no Bahrein houve um incêndio em um depósito; e na Arábia Saudita, mais de uma dezena de drones foram "interceptados e destruídos" em apenas duas horas, segundo as autoridades.
No entanto, Mojtaba Khamenei afirmou que seu país não é responsável por ataques recentes contra Omã e Turquia, países com os quais a república islâmica mantém "boas relações". Ele os atribuiu a Israel.
Depois que, na quinta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "o Irã está sendo dizimado" e que já não tem nem "a capacidade de enriquecer urânio" nem de "produzir mísseis balísticos", o governo iraniano respondeu que sua "indústria balística merece nota máxima".
"Mesmo em tempos de guerra, continuamos fabricando mísseis", afirmou em comunicado o porta-voz da Guarda Revolucionária, pouco antes de sua morte ser anunciada.
burx-dla/anb/ahg/dbh/fp/aa/am
Q.Jaber--SF-PST