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Em pré-campanha, Flávio Bolsonaro elogia modelo de segurança de Bukele
Pré-candidato da direita às eleições presidenciais de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, nesta quinta-feira (19), a construção de novos presídios e a redução da maioridade penal no país, em discurso no qual elogiou a política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele.
Embora ainda não tenha começado a campanha para as eleições presidenciais, nas quais provavelmente vai enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antecipou suas ideias para endurecer o combate ao crime, em um evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro.
"A gente tem que construir muitos e muitos presídios", disse o senador, de 44 anos, ao estimar que há no Brasil um déficit de 500.000 vagas para presidiários. No país atuam quadrilhas poderosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que controlam territórios como favelas do Rio de Janeiro e faturam com o narcotráfico e outros crimes.
A insegurança é uma das preocupações centrais da população e uma das críticas mais comuns contra Lula, considerado indulgente por seus detratores.
Flávio Bolsonaro exaltou o modelo do presidente Bukele, que observou em primeira mão, durante uma visita a El Salvador no ano passado. "Tive a oportunidade de conhecer como foi a mudança radical em El Salvador", disse. "Em cinco anos, a taxa de homicídios caiu de 128 a cada 100.000 habitantes para 0,8", acrescentou.
No país, a prisão se tornou um símbolo da luta contra o crime, em meio a denúncias de violações dos direitos humanos.
Flávio Bolsonaro, que se diz mais moderado que seu pai, disse apoiar a reprodução dessa política de linha-dura contra o crime. "Ninguém aguenta mais ver marginal de 16 anos de idade cometendo atrocidades. E eu vou além: a maioridade penal para crimes hediondos ou para estupradores, por exemplo, tem que ser a partir dos 14 anos", acrescentou. Disse, ainda, defender a "castração química" para os estupradores.
Empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto a sete meses das eleições, Flávio Bolsonaro também criticou o petista por ser contrário à designação do PCC e do CV como organizações terroristas, como defende seu campo político.
Lula "tem medo de enfrentar as facções criminosas", afirmou. "É uma grande vergonha para nós, brasileiros, que quando você vai tratar acordos de cooperação para combater organizações criminosas internacionais, o Brasil não participa da formação desse grande conjunto de países", prosseguiu.
O pré-candidato pareceu se referir à aliança de 17 países para combater os cartéis de narcotraficantes no continente americano, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após uma reunião realizada este mês com mandatários alinhados à sua administração, da qual o Brasil não participou.
R.Shaban--SF-PST