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Petróleo despenca e impulsiona alta das bolsas em Europa e Ásia
Os preços do petróleo despencaram nesta terça-feira (10), o que impulsionou boa parte das bolsas de valores mundiais, em um dia marcado pela atenção dos mercados ao trânsito de petroleiros pelo Golfo Pérsico.
O barril do Brent para entrega em maio caiu hoje 11,28%, aos US$ 87,80, e o do WTI para o mesmo mês fechou em queda de 11,94%, aos US$ 83,45. Na véspera, os preços se aproximaram dos US$ 120 nos mercados asiáticos, com altas de mais de 30%.
A desaceleração dos preços do petróleo começou após o presidente americano, Donald Trump, sugerir ontem que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve. Essa tendência se manteve hoje, e se consolidou com força depois que o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou no X que a Marinha de seu país havia escoltado um petroleiro no Estreito de Ormuz, o que o governo americano desmentiu posteriormente.
Outra notícia que contribuiu para a queda dos preços foi o anúncio de que a Agência Internacional de Energia (AIE) havia convocado uma "reunião extraordinária" de seus membros, para avaliar se recorreriam às reservas estratégicas.
"O otimismo renovado após a queda dos preços do petróleo contribuiu para a recuperação dos índices das bolsas mundiais, sobretudo na Ásia e na Europa", explicou o analista Axel Rudolph, da plataforma de negociação IG.
Os preços do petróleo haviam disparado devido aos ataques iranianos a monarquias petrolíferas do Golfo, em resposta aos bombardeios americanos e israelenses que mataram seu líder supremo, Ali Khamenei, que foi substituído por seu filho.
Já os preços do gás na Europa caíram 19,52%. O contrato de gás natural TTF holandês, considerado a referência europeia, recuou para cerca de 45 euros, após ter subido no dia anterior a um valor que não alcançava desde janeiro de 2023.
- 'Mercado instável' -
Na Europa, as altas no fechamento foram expressivas: Londres subiu 1,59%, Paris ganhou 1,79%; Frankfurt, 2,39%; Milão, 2,67%; e Madri, 3,05%.
Na Ásia, Seul fechou em alta de 5,4%, e Tóquio, de 2,9%. Hong Kong subiu 2,2%, e Xangai, 0,7%.
Wall Street passou boa parte do dia no azul, mas fechou com resultados divergentes, após o secretário de Energia ser desmentido.
O Dow Jones (-0,07%) e o Nasdaq (+0,01%) permaneceram estáveis, enquanto o S&P 500 retrocedeu 0,21%.
"Continua sendo um mercado instável. Se as manchetes piorarem ou a guerra se intensificar, poderemos ver os preços voltarem a subir", disse Kathleen Brooks, do grupo XTB.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que suspenderia temporariamente algumas sanções relacionadas ao petróleo, e disse que conversou com seu colega russo, Vladimir Putin.
Os investidores estão atentos ao que acontece no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, do golfo para os mercados internacionais.
“O fator mais importante para os mercados é saber se o fornecimento de energia da região será retomado normalmente”, apontou o analista do Forex.com, Fawad Razaqzada.
D.Khalil--SF-PST