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Irã promete bloquear exportação de petróleo e EUA ameaça intensificar ataques
O Irã disse, nesta terça-feira (10), que não vai permitir a exportação de um litro de petróleo do Golfo sequer apesar da advertência dos Estados Unidos, que ameaçou com o dia "mais intenso" de ataques contra a república islâmica.
O Irã, por sua vez, anunciou à tarde uma nova salva de mísseis contra Israel, em particular Tel Aviv, e alvos americanos no Oriente Médio.
Desde os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, seguidos de represálias iranianas, sobretudo contra a infraestruturas energéticas do Golfo, os preços do petróleo sofreram flutuações.
Na segunda-feira, dispararam antes de se estabilizarem nesta terça-feira, em meio ao temor de que a guerra provoque uma crise econômica mundial.
A refinaria da Ruwais nos Emirados Árabes Unidos se viu obrigada a fechar por um ataque de drones, informou uma fonte a par do assunto, que pediu o anonimato.
"Vimos duas bolas de fogo subir do complexo, seguidas de barulhos fortes que pareciam explosões", contou, também sob anonimato, um taxista que transportou o pessoal que evacuou a refinaria.
Os Emirados não reportaram destroços na instalação.
Os Estados Unidos alertaram o Irã que evitasse fazer a economia mundial refém, mas a advertência foi inútil.
"As forças armadas iranianas [...] não vão permitir a exportação de um único litro de petróleo da região para a parte hostil e seus aliados até novo aviso", reagiu Ali Mohamad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, exército ideológico do regime.
Ele parece se referir ao Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e que o Irã controla de fato.
O secretário americano de Energia, Chris Wright, disse que a Marinha escoltou um navio petroleiro para que pudesse cruzar o estreito, mas minutos depois apagou a mensagem.
- Guerra sem fim? -
O chefe da gigante saudita de hidrocarbonetos Aramco, Amin Nasser, considera "absolutamente crucial que o transporte marítimo seja retomado no estreito".
Na Europa, os nervos estão à flor da pele.
A União Europeia recomendou baixar os impostos sobre a energia para compensar o aumento dos preços e o chanceler alemão, Friedrich Merz, pediu que se evite "uma guerra sem fim".
A Agência Internacional de Energia (AIE) convocou, nesta terça, "uma reunião extraordinária" para avaliar se é necessário recorrer aos estoques estratégicos de hidrocarbonetos.
- Quebrar "os ossos" -
Washington, em todo caso, não dá sinais de moderação.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu, por sua vez, quebrar "os ossos" do regime iraniano.
O presidente americano, Donald Trump, enviou uma mensagem contraditória ao mencionar, na segunda-feira, a possibilidade de que a guerra termine "logo".
Em Teerã foram ouvidas fortes explosões ao longo do dia. À noite, jornalistas da AFP sentiram fortes detonações que foram ouvidas em um raio de vários quilômetros.
Moradores contaram à AFP que muitos comércios estão fechados, assim como escolas e a maioria dos escritórios, bancos e agências governamentais.
As comunicações estão restritas e é quase impossível falar com o exterior.
Segundo uma moradora contactada pela AFP, há "homens armados nas ruas a bordo de veículos grandes".
"O único que vemos deles são seus olhos", disse.
As autoridades iranianas mantêm um tom desafiador.
"O Irã não se assusta com suas ameaças vazias. Outros mais poderosos que você tentaram eliminar a nação iraniana e não conseguiram. Cuide-se você para não ser eliminado!", escreveu no X o chefe do Conselho de Segurança do Irã, Ali Larijani, em mensagem dirigida a Trump.
Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento, prometeu dar uma resposta "olho por olho, dente por dente" aos ataques contra as infraestruturas iranianas.
O ministério da Inteligência anunciou a detenção de trinta pessoas por suspeita de espionagem, inclusive um estrangeiro, cuja nacionalidade não foi revelada.
As prisões se seguem à nomeação, no domingo, do aiatolá Mojtaba Khamenei como guia supremo, após a morte de seu pai em bombardeios israelenses-americanos no primeiro dia da guerra.
Dois dias depois, o herdeiro, cuja esposa também foi assassinada, ainda não apareceu em público.
O único que veio à tona em uma reportagem da TV pública foi que ele "ficou ferido" na guerra.
Enquanto isso, prosseguem os ataques iranianos contra as monarquias petroleiras do Golfo, algumas das quais abrigam bases americanas.
Kuwait e Arábia Saudita disseram ter derrubado drones e o Bahrein lamentou dois mortos em um ataque contra um prédio residencial.
No Líbano, o exército israelense continua com sua ofensiva contra o movimento pró-iraniano Hezbollah que, segundo o governo libanês, deixou quase 760 mil deslocados.
burx-dla/anb/jvb-erl/meb/mvv/am
L.AbuTayeh--SF-PST