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Guerra no Irã ameaça petróleo e amplia riscos ao comércio mundial
A operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias de Teerã estão perturbando o tráfego marítimo mundial, sobretudo de produtos petroleiros.
No entanto, a imobilização de navios no entorno do Golfo e as restrições para navegar pelo Estreito de Ormuz também representam importantes impactos para setores muito diversos além dos hidrocarbonetos
- Fertilizantes em risco -
"Quase 33% dos fertilizantes mundiais, incluindo enxofre e amônia, transitam pelo Estreito de Ormuz", um corredor estreito delimitado pelo Irã e por Omã, segundo a consultoria de análise Kpler.
Carregados em navios no Catar, na Arábia Saudita ou nos Emirados Árabes Unidos, esses fertilizantes têm múltiplos destinos: além do Brasil, Índia, China e países africanos.
"Não existe uma alternativa viável" à navegação pelo Golfo, "as rotas terrestres são limitadas pela capacidade dos oleodutos e dos caminhões", indicou a Kpler.
Como grande parte dos fertilizantes é fabricada com gás ou petróleo, a forte alta dos hidrocarbonetos provocada pela guerra no Irã ameaça elevar os preços dos fertilizantes.
- Produção de plásticos -
"A escalada do conflito no Oriente Médio ameaça um importante centro de exportação de polímeros", destaca a empresa Argus Media.
Segundo seus dados, a região produz até 23 milhões de toneladas anuais de polietileno, um dos plásticos mais utilizados no mundo, o que representa 15% da produção mundial.
No domingo (1º), o porto de Jebel Ali nos Emirados Árabes Unidos, fundamental para as exportações desse derivado do petróleo, foi atingido por um projétil. Um incêndio foi registrado em um dos píeres do porto, informou a empresa de comunicação de Dubai.
Outra instalação portuária, desta vez no Kuwait, teve que suspender temporariamente suas atividades após a queda de destroços nas proximidades, segundo a imprensa local.
- Rotas marítimas mais longas -
As principais empresas de navegação do mundo anunciaram que evitarão o Estreito de Ormuz diante do risco decorrente da escalada militar na região.
As seguradoras elevaram fortemente suas tarifas para navios que atravessam o Oriente Médio e até cancelaram totalmente sua cobertura, como no caso da escandinava Skuld.
Nessas condições, navegar pelo Golfo torna-se proibitivo ou impossível para cargueiros. Os navios de bandeira francesa ou pertencentes a empresas francesas bloqueados "dentro" do Golfo são 60, segundo a Armateurs de France.
A dinamarquesa Maersk e a francesa CMA CGM suspenderam as passagens pelo Estreito de Ormuz, mas também as travessias pelo Canal de Suez (entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho).
Seus navios de carga agora precisam contornar a África para chegar à Europa a partir do Oriente Médio e da Ásia, um desvio de vários milhares de quilômetros e vários dias.
- Riscos alimentares -
As condições de navegação também estão afetando a chegada ao Oriente Médio de navios carregados.
O desafio é significativo: "O Oriente Médio é uma região estruturalmente dependente das importações de alimentos", afirmam analistas da XP Investments.
O Irã, por exemplo, importa grandes quantidades de milho brasileiro.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos compraram produtos agrícolas americanos no valor de 1,5 bilhão de dólares (R$ 7,72 bilhões).
"Uma grande parte" das importações transita pelo estreito de Ormuz "ou em suas proximidades", segundo especialistas da XP Investments.
Durante a operação militar americana anterior no Irã, em junho de 2025, carregamentos inteiros de arroz com destino à região ficaram retidos na Índia.
P.Tamimi--SF-PST