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Trump confirma morte de líder supremo do Irã, Ali Khamenei, após ataques com Israel
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (28) a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, após um ataque em grande escala lançado por Washington e Israel contra a república islâmica, que incendiou a região.
Nas ruas de Teerã, as primeiras informações sobre a morte de Khamenei, o líder absoluto do Irã desde 1989, foram recebidas com aplausos e gritos de alegria, segundo disseram testemunhas.
"Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Em um discurso televisionado pouco antes, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia antecipado que o ataque destruiu "o complexo do tirano Khamenei no coração de Teerã" e que havia "muitos indícios" de que ele havia morrido.
O Irã respondeu a esses ataques sem precedentes com salvas de mísseis contra Israel, onde morreu uma mulher, e também contra várias monarquias do Golfo, muitas delas com bases militares americanas.
As ações causaram um morto e vários feridos e paralisaram o tráfego aéreo e marítimo nesse importante elo comercial entre Ásia, Europa e África.
- "Tomem o poder" -
Desde as primeiras horas da ofensiva, o Exército israelense indicou que havia atacado várias reuniões de altos funcionários em Teerã. Entre as áreas atacadas figurava o bairro onde se encontra a residência do líder supremo, onde jornalistas da AFP viram colunas de fumaça, um amplo dispositivo de segurança e ruas bloqueadas.
À tarde, em declarações à emissora americana NBC, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que Khamenei está vivo, "que eu saiba", assim como "todos os oficiais de alto escalão".
No entanto, Netanyahu, em seu discurso vespertino, afirmou que suas forças haviam eliminado "altos responsáveis do regime dos aiatolás, comandantes da Guarda Revolucionária e responsáveis de primeiro plano do programa nuclear".
Segundo o porta-voz militar israelense Effie Defrin, entre os mortos estão o chefe da Guarda Revolucionária, o general Mohamad Pakpour, Ali Shamkhani, assessor de Khamenei, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh.
Desde as primeiras horas da manhã, Netanyahu e Trump deram a entender que queriam uma mudança de regime e incentivaram os iranianos a se rebelarem.
"É o momento de unir forças, derrubar o regime e garantir seu futuro", disse Netanyahu a eles à noite.
"Quando tivermos terminado, tomem o poder, caberá a vocês fazê-lo", havia dito antes o americano.
À noite, Trump declarou à ABC News que tem "uma ideia muito clara" sobre quem será o próximo líder do Irã. Não deu um nome.
Entre os aspirantes figura Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, deposto em 1979 pela revolução islâmica, que comemorou que o regime teocrático passa agora ao "lixo da história".
- "Lição inesquecível" -
Depois do discurso de Netanyahu, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, afirmou que Teerã dará uma "lição inesquecível" aos Estados Unidos e a Israel.
A Guarda Revolucionária anunciou ataques contra o Ministério da Defesa e bases militares em Israel, cujo exército relatou "vários pontos de impacto" por disparos de mísseis. Uma mulher de cerca de quarenta anos morreu na área metropolitana de Tel Aviv.
No Irã, o Crescente Vermelho informou pelo menos 201 mortos e 747 feridos pelos ataques israelenses e americanos que, segundo essa organização, teriam afetado 24 das 31 províncias do país.
As autoridades iranianas pediram aos 10 milhões de habitantes de Teerã que evacuassem a capital e informaram 85 mortos em um ataque contra uma escola para meninas no sul do país, um número que a AFP não pôde verificar.
Tanto Netanyahu quanto Trump disseram que os bombardeios continuarão "pelo tempo que for necessário".
Segundo o chefe das forças armadas israelenses, o tenente-general Eyal Zamir, trata-se de um ataque de "uma escala completamente diferente" da guerra de 12 dias travada contra o Irã em junho passado, à qual os Estados Unidos se juntaram brevemente.
Como naquela ocasião, a ofensiva ocorre após semanas de advertências e de várias rodadas de negociações entre Washington e Teerã mediadas por Omã, a única monarquia do Golfo que saiu ilesa da resposta iraniana.
Em janeiro, após a repressão de protestos antigovernamentais no Irã que resultou em milhares de mortos segundo várias ONGs, Trump havia prometido "ajuda" aos iranianos.
O republicano ordenou o maior desdobramento militar em décadas no Oriente Médio e ameaçou atacar a república islâmica se as negociações sobre o programa nuclear e de mísseis iraniano não culminassem em acordo.
Um funcionário do governo americano assegurou que o Irã queria manter sua capacidade de enriquecer urânio para "usá-lo em uma bomba nuclear".
Em Teerã, os jornalistas da AFP ouviram fortes explosões e viram várias colunas de fumaça.
Os habitantes se refugiavam em suas casas. A polícia patrulhava as ruas, onde só se viam longas filas diante das padarias ou dos postos de gasolina.
"Houve muito barulho", contou um morador da cidade a um jornalista da AFP, antes que as comunicações e o acesso à internet fossem cortados, uma medida habitual no Irã em períodos de tensão.
As escolas e universidades receberam ordem de fechar até novo aviso.
Além de Teerã, também houve explosões nas cidades de Isfahã, Qom, Karaj, Kermanshah, Minab, Lorestão e Tabriz, em diferentes pontos do país, segundo os meios de comunicação iranianos.
- A região, em ebulição -
Em Israel, jornalistas da AFP ouviram explosões em Jerusalém e em outras cidades como Tel Aviv. Mas o Irã não se limitou ao território israelense.
No Golfo, várias explosões ecoaram em Riade, Abu Dhabi, Doha, Dubai, Kuwait e Manama, a capital do Bahrein, onde uma importante base naval americana foi atingida.
A Arábia Saudita, o Catar e os Emirados Árabes Unidos afirmam ter interceptado projéteis iranianos e reservam-se o direito de responder a esses disparos.
As hostilidades podem alterar o fornecimento mundial de petróleo e disparar os preços.
Muitos países da região fecharam seu espaço aéreo.
Os Estados Unidos desaconselharam os navios comerciais a se aproximarem da área.
A Guarda Revolucionária do Irã avisou aos navios que o estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica, estava fechado, segundo a missão naval da União Europeia.
O.Farraj--SF-PST