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Trump expressa frustração com Irã, mas Omã destaca 'avanços' decisivos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou nesta sexta-feira (27) frustração com a postura do Irã nas negociações nucleares, mas disse que ainda não decidiu sobre possíveis ataques, enquanto o mediador de Omã destacou "avanços" decisivos para evitar uma guerra.
"Não estou feliz com o fato de que eles não querem nos dar o que precisamos. Então, não estou entusiasmado", declarou Trump, após o governo americano recomendar que os funcionários não essenciais de sua embaixada deixem Israel.
Os anúncios foram feitos no dia seguinte à terceira rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos, mediada por Omã e considerada a última tentativa de evitar uma guerra e uma explosão de violência regional. "Ainda não tomamos uma decisão definitiva", disse Trump, ao ser questionado sobre o uso da força.
Washington quer impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, um temor dos países ocidentais, negado repetidamente por Teerã.
O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, afirmou hoje que Teerã concordou nas negociações em não armazenar urânio enriquecido, e que acreditava que todas as questões referentes ao acordo poderiam ser resolvidas em um prazo de três meses.
"Se o objetivo final é garantir para sempre que o Irã não possa ter uma bomba nuclear, acho que resolvemos este problema através destas negociações, ao estabelecermos um avanço muito importante, que nunca havia sido alcançado", disse Albusaidi no programa "Face the Nation", da emissora americana CBS News.
Mais cedo, Trump disse que não deseja que o Irã realize nenhum tipo de enriquecimento de urânio, nem mesmo para fins civis.
"Isso é algo completamente novo. Realmente torna menos relevante o argumento sobre o enriquecimento, porque agora estamos falando de armazenamento zero", declarou o funcionário de Omã, que se reuniu na manhã de hoje, em Washington, com o vice-presidente americano, J.D. Vance.
Washington incluiu hoje o Irã na lista de países que praticam "prisões arbitrárias", e pediu aos cidadãos americanos que "deixem o país imediatamente".
- Alarmado -
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, viajará na segunda-feira a Israel para conversar com autoridades sobre as "prioridades regionais", incluindo o Irã.
Washington realizou a maior mobilização militar em décadas na região, que inclui dois porta-aviões. Um deles é o USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, que partiu de Creta na quinta-feira e deve chegar à costa israelense.
A embaixada americana em Jerusalém pediu aos funcionários governamentais "não essenciais" em Israel que deixem o país devido a "riscos de segurança", e recomendou que o façam "enquanto há voos comerciais disponíveis".
A China pediu hoje a seus cidadãos que deixem o Irã "o quanto antes", e o Ministério das Relações Exteriores britânico anunciou a retirada de seu corpo diplomático daquele país.
Londres também anunciou a transferência de parte de seus funcionários diplomáticos em Tel Aviv para "outro local dentro de Israel". Já o Ministério das Relações Exteriores alemão desaconselhou "em caráter de extrema urgência" que seus cidadãos viajem a Israel.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse nesta sexta-feira que está "alarmado" com o risco de uma "escalada militar regional e suas consequências para a população civil".
- Excesso de exigências -
Em conversa telefônica com o colega egípcio na manhã de hoje, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, pediu a Washington que abandone as "exigências excessivas" para alcançar um acordo. Araghchi ressaltou que "o sucesso neste caminho exige seriedade e realismo".
O governo Trump quer incluir no acordo a questão dos mísseis balísticos do Irã, vistos como uma ameaça existencial por seu aliado Israel, mas Teerã se nega a discutir este tema, o que Rubio considerou "um grande problema".
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que terá conversas técnicas com o Irã na próxima segunda-feira.
No mês passado, um novo foco de tensão surgiu entre Washington e Teerã, quando autoridades iranianas reprimiram com violência protestos que desafiaram o poder dos aiatolás na República Islâmica. Naquela ocasião, Trump ameaçou intervir no país para "ajudar" o povo iraniano.
S.Barghouti--SF-PST