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Netanyahu viaja aos EUA para se reunir com Trump e pressionar contra o programa de mísseis do Irã
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reunirá com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington na quarta-feira (11), e tentará pressioná-lo a adotar uma postura mais firme em relação ao programa de mísseis do Irã, que tem Israel em seu raio de alcance.
O encontro de quarta-feira será o sétimo entre os dois líderes desde que Trump retornou à presidência há pouco mais de um ano e ocorrerá após a última rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã em Omã, na última sexta-feira.
Trump, que mantém uma dúzia de navios de guerra no Oriente Médio como forma de exercer pressão e intensificou as sanções ao petróleo iraniano, afirmou que haverá outra rodada de negociações em breve.
"Nesta viagem, discutiremos vários assuntos: Gaza, a região, mas, claro, em primeiro lugar, as negociações com o Irã. Transmitirei ao presidente nossas posições em relação aos princípios da negociação", disse Netanyahu nesta terça-feira (10), antes de embarcar para Washington.
O gabinete de Netanyahu indicou que o veterano líder israelense enfatizará a preocupação de seu país com o arsenal de mísseis do Irã, e não apenas com as consequências do programa nuclear da República Islâmica.
Netanyahu "acredita que quaisquer negociações devem incluir limitações aos mísseis balísticos e o fim do apoio ao eixo iraniano", declarou seu gabinete no fim de semana, em referência aos aliados de Teerã na região, como o Hezbollah libanês, os rebeldes huthis no Iêmen e o Hamas palestino — todos inimigos do Estado israelense.
Israel, potência nuclear não oficial, travou uma guerra de 12 dias contra o Irã em junho do ano passado, atacando instalações nucleares, alvos militares e áreas civis. Os Estados Unidos juntaram-se à campanha, bombardeando três instalações nucleares na madrugada de 22 de junho.
A República Islâmica retaliou lançando mísseis contra alvos militares e áreas densamente povoadas em território israelense, o que deixou aproximadamente 30 mortos.
Desde então, as autoridades israelenses têm insistido que o programa de mísseis do Irã representa um risco diferente, e talvez mais imediato, do que seu programa nuclear.
"Não creio que seja uma ameaça existencial, mas representa uma ameaça significativa para a frente interna de Israel", afirma Danny Citrinowicz, especialista em Irã do Instituto Israelense de Estudos de Segurança Nacional.
O Irã nega que suas negociações com os Estados Unidos se estendam além de seu programa nuclear, que afirma ser pacífico, contrariando as suspeitas das potências ocidentais e de Israel, que temem que o verdadeiro objetivo seja a bomba atômica.
Washington também quer abordar a questão dos mísseis e do "eixo da resistência", enfraquecido de qualquer forma após as guerras de Israel contra o Hamas e o Hezbollah e a queda do regime sírio de Bashar al-Assad no final de 2024.
Poucas horas antes da visita, o Ministério das Relações Exteriores do Irã pediu nesta terça-feira aos Estados Unidos que "atuem independentemente das pressões e influências destrutivas" de Netanyahu na região.
Enquanto isso, o chefe da principal agência de segurança do Irã, Ali Larijani, reuniu-se nesta terça-feira com o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, e ambos "enfatizaram a importância de retornar à mesa de negociações para superar as diferenças e resolvê-las pacificamente", segundo a agência de notícias omanita ONA.
- Mísseis, "linha vermelha" -
Analistas concordam que Netanyahu está receoso de qualquer acordo entre os Estados Unidos, seu principal aliado militar e diplomático, e o Irã, seu maior inimigo.
"Ele está preocupado com o fato de o presidente Trump não estar tão entusiasmado quanto ele gostaria com um ataque militar contra os iranianos", observa Guy Ziv, professor associado do Departamento de Política Externa e Segurança Global da American University, em Washington.
"Ele quer convencer o presidente Trump de que os mísseis balísticos iranianos, que ele considera uma grande ameaça a Israel, devem ser incluídos em qualquer acordo sobre o programa nuclear iraniano", acrescenta Ziv.
Seguindo essa lógica, observa o analista, Netanyahu "quer garantir que (...) Trump também veja essa questão como uma linha vermelha".
"Para Netanyahu, o objetivo final é claro: mudança de regime [no Irã] ou, no mínimo, o desmantelamento completo de suas capacidades nucleares e de mísseis", acrescenta o analista geopolítico Michael Horowitz em declarações à AFP.
burs-jd/ris/avl/meb/aa/fp
O.Salim--SF-PST