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Forças curdas anunciam acordo 'global' com o governo da Síria
O regime sírio e os curdos, que controlam uma zona autônoma no norte da Síria, anunciaram nesta sexta-feira (30) um acordo "global" pelo qual as forças e a administração curdas serão progressivamente integradas ao Estado sírio.
O pacto ocorre depois que as Forças Democráticas Sírias (FDS, dominadas pelos curdos) sofreram um revés importante para o Exército sírio, ao qual foram obrigadas a ceder vastas zonas do norte e nordeste da Síria sob pressão militar.
Segundo o acordo, as forças de segurança de Damasco serão enviadas para duas cidades controladas pelos curdos. Além disso, as forças curdas permanecerão agrupadas em três brigadas dentro do Exército sírio.
A resolução foi anunciada primeiro pelas FDS e posteriormente pela emissora oficial síria.
As FDS recuaram para seu reduto de Hasakeh (nordeste) e controlam também a zona de Kobane (oeste), separada territorialmente da zona autônoma.
As novas autoridades islamistas, que derrubaram em dezembro de 2024 o governo de Bashar al-Assad, ato que encerrou uma longa guerra civil, estão determinadas a estender sua autoridade a todo o território sírio.
Os Estados Unidos apoiaram as FDS em seu combate aos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) e agora apoiam o governo do presidente Ahmed al-Sharaa.
Segundo o enviado especial americano para a Síria, Tom Barrack, o acordo é uma "etapa histórica" no caminho do país rumo à reconciliação nacional, à unidade e à estabilidade.
O governo central sírio e as FDS haviam prorrogado em 24 de janeiro um cessar-fogo por 15 dias e prosseguiram com as negociações sobre a integração das forças e da administração curdas ao Estado.
Segundo o texto do acordo, "as forças subordinadas ao Ministério do Interior entrarão no centro das cidades de Hasakeh e Qamishli", dois bastiões curdos.
O acordo representa um revés para as esperanças de autonomia dos curdos, que haviam estabelecido uma zona autônoma no norte e nordeste durante a guerra civil (2011–2024).
Os curdos são um povo sem Estado próprio, que vivem em territórios da Síria, Turquia, Iraque e Irã.
A.AlHaj--SF-PST