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Petro e Trump definem 'ações conjuntas' para combater ELN na Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e seu homólogo americano, Donald Trump, concordaram em realizar "ações conjuntas" para golpear a guerrilha do ELN, que atua na fronteira com a Venezuela, informou nesta quinta-feira (08) o governo colombiano.
Na primeira conversa telefônica entre os dois, realizada na quarta-feira, os presidentes reduziram o tom após uma escalada de tensões provocada pelos bombardeios americanos em Caracas, pela captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e por ameaças de possíveis ações militares na Colômbia.
Durante a ligação, o esquerdista Petro aceitou um convite de Trump para uma reunião na Casa Branca.
Eles também "se comprometeram a fazer ações conjuntas" contra o Exército de Libertação Nacional (ELN), disse o ministro do Interior, Armando Benedetti, à Blu Radio.
O líder colombiano agora busca assumir um papel de maior protagonismo regional. Em comunicado, seu governo informou que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visitará Petro no palácio presidencial, em Bogotá, sem informar a data.
Após meses de atritos, o clima entre Colômbia e Estados Unidos é de "alívio" e "tranquilidade" depois da ligação, "mas não há um ambiente (...) de triunfalismo", afirmou à AFP o vice-chanceler Mauricio Jaramillo.
A "palavra-chave", segundo ele, é "cautela".
- "Virar a página" -
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diferentes grupos armados disputam receitas do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando.
Segundo Benedetti, Petro pediu ajuda a Trump para "golpear duramente o ELN", já que os guerrilheiros "sempre terminavam na Venezuela" após confrontos com a força pública colombiana. "Havia momentos em que a Venezuela ajudava e outros em que não", afirmou.
Por isso, disse, é necessário que "também sejam atacados na retaguarda" em território venezuelano.
Em dezembro, o ELN determinou o confinamento de civis nas áreas sob seu controle, no que chamou de "greve armada", como resposta às "ameaças de intervenção de Trump".
Petro tentou, sem sucesso, negociar a paz com essa guerrilha após assumir o poder em 2022, como parte de sua política de desmobilizar todos os grupos armados por meio do diálogo.
As tentativas de aproximação foram interrompidas após uma ofensiva dos rebeldes contra integrantes de outra guerrilha em uma área de fronteira conhecida como Catatumbo, há um ano, que deixou cerca de 100 mortos e dezenas de milhares de deslocados.
Na quarta-feira, Petro havia convocado manifestações em todo o país contra as ameaças de Trump, que o acusou sem provas de ser líder do narcotráfico e disse que consideraria "adequado" realizar uma incursão militar em território colombiano semelhante à feita na Venezuela.
Os dois presidentes já se confrontaram repetidas vezes em temas como narcotráfico, tarifas e migração. Colômbia e Estados Unidos, aliados militares e econômicos históricos, viviam um dos piores momentos de sua relação bilateral.
Agora, com a reunião na Casa Branca no horizonte, os dois governos devem tratar de temas "espinhosos e difíceis, mas dentro do marco da democracia", acrescentou o vice-chanceler Jaramillo.
O principal "desafio", segundo ele, é "manter um diálogo construtivo", o que exige "virar a página".
O.Farraj--SF-PST