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Diosdado Cabello: a mão de ferro no centro do governo venezuelano
Poucos nomes na Venezuela carregam tanto peso como o de Diosdado Cabello. Temido por opositores e venerado por chavistas, é alvo dos Estados Unidos, que oferecem 25 milhões de dólares (R$ 134,7 milhões) por sua captura.
Após a queda do presidente deposto, Nicolás Maduro, durante um bombardeio dos Estados Unidos em Caracas, a atenção se voltou ao poderoso dirigente, considerado número dois do chavismo.
Cabello ocupou todo tipo de cargos no Estado: ministro, deputado, constituinte, vice-presidente e até presidente por algumas horas após o golpe contra Hugo Chávez em 2002.
Agora ele controla o aparato armado e os serviços de inteligência do Estado à frente do Ministério do Interior, cargo que ocupa desde agosto de 2024, em meio aos protestos após a questionada reeleição de Maduro.
Mais de 2.000 pessoas foram presas em operações que consolidaram um medo coletivo que desmobilizou a oposição por completo.
- Figura mítica -
São muitas as especulações sobre Cabello, uma espécie de figura mítica.
Desde sua rivalidade com outros dirigentes do chavismo como o próprio Maduro ou os irmãos Jorge e a agora presidente, Delcy Rodríguez, até o fato de ter acumulado uma fortuna gigantesca por meio do uso de laranjas para comprar empresas.
Cabello costuma brincar com esses rumores, que nega categoricamente.
"Eles sempre compreenderam que sua unidade é absolutamente fundamental para serem fortes", disse David Smilde, um acadêmico americano da Universidade de Tulane, especializado em Venezuela.
O capitão reformado é situado no lado mais radical da chamada Revolução Bolivariana, e sua influência envolve cada centímetro da militância.
"A verdadeira força de Cabello nas ruas é a de organizar os coletivos", disse o ex-diplomata americano Brian Naranjo, em referência aos grupos armados alinhados ao governo.
- Companheiro de golpe -
Cabello nasceu em 15 de abril de 1963 em El Furrial, uma comunidade, na época, majoritariamente rural, no estado oriental de Monagas.
Após se formar na Academia Militar da Venezuela, conheceu no Exército Hugo Chávez, que já conspirava no setor castrense.
Juntou-se ao fracassado golpe de Estado de 1992, que selou o destino e a amizade de ambos.
Absolvidos e em liberdade, apoiou Chávez na campanha que o levou ao poder em 1999 e, a partir de então, iniciou sua longa carreira dentro do governo.
Chávez, acometido por um câncer do qual morreu em 2013, escolheu Maduro para substituí-lo acima de Cabello, que então presidia o Parlamento.
Perdeu capital político, uma espécie de "exílio interno do círculo íntimo", segundo Naranjo. Mas, durante este período, construiu um enorme capital social graças à plataforma de comunicação que ergueu com espaços como "Con el mazo dando", um programa de televisão no qual, literalmente com um martelo, apontava "para os inimigos do regime", destacou Naranjo.
- Programa de TV -
Em seu popular programa na televisão estatal, Cabello entretém o público com seu humor sombrio. Dispara insultos sem pudor, sobretudo contra figuras opositoras como a Nobel da Paz, María Corina Machado.
Também usa o espaço para denunciar conspirações da oposição, que levaram dezenas de dirigentes à prisão. Nas redes sociais, aparece com frequência ao volante de seu carro em Caracas como prova de que o país está em paz.
Fez isso em 3 de janeiro, após o bombardeio que atingiu a capital e outros três estados.
Esta não é a primeira vez que atua como ministro do Interior. Ocupou o cargo em 2002, após o golpe contra Chávez, em um cenário de alta tensão.
Casado e com três filhos, Cabello se entrincheirou na Venezuela, acuado por sanções econômicas e pela recompensa oferecida pelos Estados Unidos, que o acusam, assim como a Maduro, de tráfico de drogas e terrorismo.
O.Mousa--SF-PST