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Venezuela e EUA negociam venda de petróleo e Casa Branca garante estar no comando
A Venezuela anunciou nesta quarta-feira (7) que negocia com os Estados Unidos a venda de petróleo, depois que o governo de Donald Trump disse que controlará sua comercialização "indefinidamente".
As decisões da Venezuela serão "ditadas" por Washington, assegurou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, uma declaração de grande peso político que, por ora, é rejeitada pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
Para reafirmar sua hegemonia, que provocou o alarme de países latino-americanos e europeus e a ira da Rússia e da China, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de dois petroleiros, um vazio com bandeira russa segundo Moscou e "apátrida" segundo Washington, no Atlântico Norte, e outro carregado de petróleo sancionado, no Caribe.
Em Caracas, que retoma sua atividade, multiplicam-se as manifestações convocadas pelo regime para retomar a iniciativa, após a audaciosa operação militar americana de sábado que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, agora presos em Nova York.
Milhares de pessoas marcharam no bairro popular de Catia. "Estamos defendendo nossa soberania, nossa pátria. Desde pequenos nos diziam: o império, os gringos, e muita gente acreditou que isso era um conto de fadas", declarou Tania Rodríguez, aposentada de 57 anos.
— EUA "não estão improvisando" —
Entre os governos, discute-se sobretudo o petróleo, sob forte pressão dos Estados Unidos.
"Está em curso uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais que existem entre ambos os países", indicou em comunicado a empresa estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa).
A Pdvsa tem um acordo de extração e venda de petróleo, entre outros, com a multinacional americana Chevron.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, havia dito mais cedo que Washington controlará as vendas de petróleo "indefinidamente".
Trump havia anunciado na véspera que o governo interino de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos.
Aos poucos, os Estados Unidos parecem ir desenhando o marco para se apropriar das vendas do petróleo venezuelano e, em seguida, distribuir as receitas da maneira que considerarem pertinente.
Washington "não está improvisando", assegurou o secretário de Estado, Marco Rubio.
O chefe da diplomacia americana, que enfrentou críticas de legisladores democratas, garantiu que Caracas já pediu para incluir o petróleo apreendido no Caribe dentro das negociações globais.
— Uma "imensa oportunidade" —
"Todas as receitas provenientes da venda de petróleo venezuelano e de produtos serão depositadas primeiro em contas controladas pelos Estados Unidos, em bancos reconhecidos internacionalmente, para garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final das receitas, e esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano", assegurou a porta-voz Leavitt.
"Obviamente, neste momento temos a máxima capacidade de pressão sobre as autoridades interinas da Venezuela", declarou.
"Assim, seguimos mantendo uma estreita coordenação com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América", acrescentou.
Declarações que entram em choque com as da presidente interina, Delcy Rodríguez, na terça-feira ao assumir o cargo.
"O governo da Venezuela governa em nosso país, mais ninguém. Não há agente externo que governe a Venezuela”, enfatizou Rodríguez.
Trump receberá as petroleiras americanas na sexta-feira na Casa Branca para aproveitar "a imensa oportunidade que têm diante de si", disse Leavitt.
Os 30 a 50 milhões de barris de petróleo representariam entre um e dois meses de produção, levando em conta os níveis atuais de extração de petróleo venezuelano.
Esse petróleo já está pronto para ser vendido, segundo uma ficha informativa do Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Uma fonte do setor petrolífero venezuelano disse, sob anonimato, à AFP que também está previsto o levantamento de certas sanções no setor.
A China é até agora o principal cliente do petróleo venezuelano, que chegava a seus portos com preço descontado, em razão das sanções e da dificuldade de transportá-lo.
Se alcançar seu objetivo, Trump não apenas obteria uma nova fonte de abastecimento de petróleo, como também conquistaria uma nova carta de negociação diante de seu principal rival econômico e geopolítico.
O preço do petróleo caiu levemente nos mercados internacionais nesta quarta-feira.
— Um difícil equilíbrio —
Os especialistas assinalam que, para se manter no poder, Rodríguez terá de buscar um difícil equilíbrio entre satisfazer as exigências de Trump e reorganizar um chavismo sem Maduro.
Por ora, ela manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino López, figuras-chave da administração anterior.
Na terça-feira, fez suas primeiras mudanças: nomeou como chefe da guarda presidencial um ex-chefe do serviço de inteligência (Sebin), que por sua vez controlará a temida agência de contrainteligência militar (DGCIM).
Também designou Calixto Ortega como chefe da equipe econômica, cargo que havia sido deixado vago pela própria Rodríguez ao assumir a presidência.
Seu governo interino tem duração máxima de 180 dias, após os quais o governo terá de convocar eleições.
B.AbuZeid--SF-PST