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Macron nomeará primeiro-ministro após reunião com líderes políticos na França
O presidente francês, Emmanuel Macron, vai nomear um primeiro-ministro "nas próximas horas", informaram, nesta sexta-feira (10), participantes de uma reunião de emergência de líderes políticos para tentar solucionar a crise política que abala a França.
Durante mais de duas horas, Macron conversou com a situação e a oposição, com exceção da extrema-direita e da esquerda radical, dias depois de Sébastien Lecornu, seu terceiro primeiro-ministro em um ano, jogar a toalha.
"A princípio" não haverá antecipação das eleições legislativas e o presidente nomeará um primeiro-ministro "nas próximas horas", informou o presidente do grupo parlamentar independente Liot, Laurent Panifous, ao final da reunião.
Uma antecipação das eleições, decidida por Macron em 2024, sem consultar seus aliados, mergulhou a França na crise atual, ao deixar uma Assembleia Nacional (Câmara baixa) sem maioria e dividida em três blocos: esquerda, a centro-direita governista e extrema-direita.
A demissão de Lecornu na segunda-feira, apenas 14 horas depois de ele apresentar seu gabinete, agravou a crise, principalmente quando o Parlamento derrubou seus dois antecessores: o conservador Michel Barnier e o centrista François Bayrou.
O presidente francês o encarregou, então, de dialogar com os partidos para ver se havia possibilidade de nomear um novo governo que garantisse certa estabilidade e pudesse aprovar um orçamento para 2026.
A principal missão do próximo governo será apresentar contas que obtenham uma maioria na Assembleia e permitam sanear as finanças públicas, cujo nível de endividamento chegou a 115,6% do PIB em junho.
Lecornu lhe sugeriu, então, nomear um primeiro-ministro e considerou que seus membros não deveriam ter a ambição de se candidatar às eleições presidenciais em 2027, nas quais Macron não poderá mais concorrer.
O aviso não é trivial. A queda do último governo ocorreu por críticas à composição do gabinete do líder do partido conservador Os Republicanos (LR) e ministro do Interior, Bruno Retailleau, que poderia se candidatar em 2027.
- "Atônita" -
Por enquanto, não se sabe quem o presidente vai nomear e quando. O cenário mais especulado antes da reunião de crise era uma nova nomeação do centro-direitista Lecornu, que disse "não correr atrás" do cargo.
A hipótese de manter o chefe de Governo que renunciou na segunda-feira irritou a oposição e até mesmo membros da situação governista.
"Não entenderia se houvesse uma nova nomeação de um primeiro-ministro macronista", advertiu a ministra interina Agnès Pannier-Runacher.
No entanto, apesar de todos os partidos de esquerda pedirem a nomeação de um chefe de governo deste bloco, a líder ecologista Marine Tondelier, assegurou que isto não vai acontecer. "Tudo vai acabar muito mal", acrescentou, após sair "atônita" da reunião.
A Presidência não havia chamado a ultradireitista Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional (RN), nem o líder do partido da esquerda radical, A França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, pois estes já pediram eleições antecipadas.
Le Pen, cujo partido lidera as pesquisas, prometeu censurar todos os governos enquanto não forem convocadas novas eleições legislativas, e Mélenchon voltou a pedir, nesta sexta-feira, a renúncia de Macron, a quem acusa de se agarrar ao poder.
As atenções estão voltadas ao que farão os socialistas, que permitiram a adoção dos orçamentos de 2025. Mas, desde então endureceram sua posição, ao se sentirem enganados por Bayrou, e agora pedem um primeiro-ministro de esquerda.
Outra incógnita é se Macron abrirá um "debate", como recomendou Lecornu, sobre a reforma das pensões que impôs por decreto em 2023, contrariando a maioria da opinião pública. A esquerda e os sindicatos pedem sua revogação.
Macron não deu "nenhuma resposta clara", explicou o líder socialista Olivier Faure, advertindo que não há garantias até o momento de que o próximo governo, que seria o quarto desde setembro de 2024, não vá sofrer uma moção de censura.
burs-tjc/avl/dd/jc/mvv/aa
T.Ibrahim--SF-PST