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França e outros países europeus reconhecem o Estado palestino em reunião na ONU
A França e outros países se preparam para reconhecer, nesta segunda-feira (22), o Estado palestino, no início da Assembleia Geral da ONU em Nova York, em uma importante mudança diplomática que provocou a ira de Israel.
O reconhecimento de um Estado palestino por parte do Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal, no domingo, aumentou a pressão sobre Israel, que intensifica a guerra em Gaza, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em quase dois anos de guerra.
A iniciativa foi condenada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e criticada pelos Estados Unidos.
O presidente Emmanuel Macron disse que a França seguira o mesmo caminho nesta segunda-feira, durante uma reunião organizada em conjunto com a Arábia Saudita sobre a solução de dois Estados, ou seja, a convivência pacífica e segura de um Estado israelense ao lado de outro palestino.
O reconhecimento é o resultado de um processo de vários meses que, há alguns dias, já permitiu a aprovação por ampla maioria na Assembleia Geral de um texto que apoia a criação de um futuro Estado palestino, mas exclui explicitamente o movimento islamista Hamas, uma condição exigida por vários países ocidentais.
Os palestinos "querem uma nação, querem um Estado, e não devemos empurrá-los para o Hamas. Se não oferecermos uma perspectiva política e o reconhecimento, (...) ficarão presos com o Hamas como única solução", disse no domingo o presidente francês Emmanuel Macron, ao explicar sua decisão, em entrevista ao canal americano CBS.
"Se queremos isolar o Hamas, o processo de reconhecimento e o plano de paz que o acompanha são uma condição prévia", acrescentou.
No domingo, horas antes do início da reunião na ONU, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal formalizaram o reconhecimento.
A Alemanha, que devido ao seu passado nazista transformou o apoio ao Estado de Israel na pedra angular Ade sua política externa, reafirmou a posição de que o reconhecimento de um Estado palestino só deveria acontecer ao final de um processo de negociação para uma solução de dois Estados.
"Uma solução negociada de dois Estados é o caminho que pode permitir a israelenses e palestinos viver em paz, segurança e dignidade", disse o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephu.
Pelo menos 145 dos 193 países membros da ONU reconhecem o Estado palestino, segundo um levantamento da AFP. Os palestinos, no entanto, permanecem com o status de observadores nas Nações Unidas. A aspiração de ser um membro pleno foi bloqueada pelos Estados Unidos.
Outros países devem formalizar o reconhecimento nesta segunda-feira, incluindo Andorra, Bélgica, Luxemburgo, Malta e San Marino, informou a presidência francesa.
Na Faixa de Gaza, o Exército israelense intensifica a ofensiva, iniciada após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, e apesar da pressão para que interrompa a guerra no território palestino, devastado por dois anos de conflito.
- "Paz justa e duradoura"-
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que participará da reunião desta segunda-feira por videoconferência após ter o visto negado para entrar nos Estados Unidos recusado, afirmou que o reconhecimento é "um passo importante e necessário para uma paz justa e duradoura".
Alguns diplomatas, no entanto, temem represálias israelenses.
Netanyahu reiterou no domingo que não haverá um Estado palestino e ameaçou ampliar a colonização na Cisjordânia, enquanto dois ministros israelenses de extrema direita, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, pediram a anexação desse território palestino ocupado.
"Não deveríamos nos sentir intimidados pelo risco de represálias de Israel", afirmou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, à AFP.
No atual contexto, o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, previsto para sexta-feira, é muito aguardado, assim como o do presidente americano, Donald Trump, na terça-feira.
O governo dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, expressou oposição veemente ao processo de reconhecimento. O Departamento de Estado americano criticou no domingo os "gestos teatrais" de alguns de seus aliados cruciais e afirmou que o foco de Washington está na "diplomacia séria".
O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o território israelense matou 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo dados oficiais.
Segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas, as ofensivas de represália israelenses na Faixa de Gaza, onde o Hamas assumiu o poder em 2007, deixaram mais de 65.000 mortos, a maioria civis.
Z.AlNajjar--SF-PST