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Batalha de Trump pelo controle do Congresso fragmenta minorias no Texas
Majoritariamente latino, o bairro de Manchester Park em Houston, Texas, tem um representante democrata no Congresso dos Estados Unidos há décadas. Mas um redesenho dos mapas eleitorais impulsionado por Donald Trump para manter o controle republicano do Parlamento ameaça esse domínio.
Ludivina Moreno, de 46 anos, mora nesta área, vizinha de uma refinaria. O bairro faz parte, até agora, do distrito 29, que tem a americana de raízes mexicanas Sylvia García como sua parlamentar em Washington DC.
"Ela fez muito pela comunidade e, se nos tirarem de sua zona, (...) não sabemos quem nos representará ou se velará pela comunidade", disse Moreno na porta de sua casa.
Os novos mapas foram aprovados no Parlamento do Texas, de maioria republicana, apesar de legisladores democratas terem tentado impedir a votação abandonando o estado.
Algumas jurisdições do Texas foram redesenhadas, fragmentando áreas principalmente latinas e afro-americanas onde os republicanos não tiveram maioria nas presidenciais de 2024.
E se juntam a maiorias republicanas para favorecer a eleição de cinco representantes adicionais e conservar o controle do Congresso nas eleições legislativas de 2026, sem obstáculos para os planos trumpistas.
O governador do Texas e aliado de Trump, Greg Abbott, promulgou esta norma que "garante uma representação justa". "O Texas agora é mais vermelho (cor republicana) no Congresso dos Estados Unidos", disse no X.
O distrito 29 passará de ter quase 70% de latinos em idade de votar para pouco mais de 40%, embora nem todos compareçam às urnas. Permanecem com uma população branca de 18% que vota e pode decidir a eleição, explicou Christina Morales, representante democrata no Parlamento texano.
Manchester Park fica fora dessa jurisdição.
"Este bairro está à sombra das refinarias. As famílias enfrentam poluição e dificuldades econômicas. Ter Sylvia García tem permitido que suas lutas não sejam ignoradas. Com o novo mapa, Manchester Park perderia essa representação em Washington, algo devastador para uma comunidade que precisa de uma representação sólida e justa", detalhou.
- Gerrymandering -
O assunto começou com uma carta do Departamento de Justiça da administração Trump que questionava autoridades do Texas acerca de alguns distritos eleitorais supostamente criados com considerações raciais.
A cada dez anos, após um censo populacional, os distritos são redesenhados para garantir representatividade. A última vez foi em 2021.
A nova mudança surge inesperadamente agora antes das eleições de meio de mandato, quando as políticas de Trump em matéria migratória, relações exteriores e economia enfrentam críticas.
A manobra é conhecida como gerrymandering, ou manipulação de circunscrições eleitorais.
Trump "quer cinco republicanos a mais [no Congresso], porque sabe que suas ideias não funcionam, seu índice de aprovação caiu para 40% e podem perder as eleições no próximo ano", disse à AFP a legisladora García.
"Não há segredo. Estão fazendo gerrymandering em todo os Estados Unidos, só depende de quem está no controle", comentou por sua vez Tommy Swate, de 80 anos, que junto a outros vizinhos participou de uma reunião com García para entender os novos mapas.
"Sou republicano, mas apoio quem acredito ser a melhor pessoa e não o partido, e prefiro García, apesar de apoiar Trump", acrescentou.
"O Congresso não deve escolher seus eleitores, mas os eleitores devem escolher seu Congresso", sustentou Cynthia Roney, uma engenheira aposentada de 67 anos, republicana.
- Motivações raciais -
"Texas é apenas 40% branco, mas os eleitores brancos controlam mais de 73% das cadeiras no Congresso", afirmou em comunicado Derrick Johnson, presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), que processou o Texas por esta norma.
O distrito 9, representado por Al Green - que enfrentou Trump durante seu discurso no Parlamento em março - veria sua população negra em idade de votar cair de 30% para 11%, segundo cálculos do Texas Tribune.
"Tem motivações raciais. A intenção do estado é reduzir o número de congressistas que representam comunidades negras, e isso é inconstitucional", acrescentou.
- Contra-ataque -
Verónica Rodríguez, republicana latina de 54 anos, acredita que com essas mudanças "muita gente" em Manchester Park ficará excluída. "É um bairro muito pequeno, e aqui ajudam as minorias (...) Definitivamente afetará o bairro porque há muita pobreza nesta área".
García lembra que os democratas contra-atacarão redistribuindo distritos na Califórnia, onde são maioria. "Isso se tornou uma grande manobra de poder. Não deveria ser assim. Se formos ter mudanças nos mapas depois de cada eleição, será um caos", afirmou.
F.AbuShamala--SF-PST