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Futuro chefe de Governo da Alemanha defende aumento dos gastos de Defesa
O futuro chefe de Governo da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu nesta quinta-feira (13) no Parlamento seus planos para aumentar de maneira expressiva os gastos em Defesa e infraestrutura, no momento em que a mudança da política dos Estados Unidos obriga a Europa a assumir uma responsabilidade maior por sua segurança.
Merz comprometeu-se a promover seus planos com o apoio de seu bloco de centro-direita, CDU/CSU, e do partido social-democrata SPD, que estão em negociações para formar uma coalizão de governo após as eleições de fevereiro.
A crise na relação entre Europa e Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump gerou apelos para que a Alemanha aumente os gastos militares, enquanto o investimento em infraestrutura é considerado uma forma de retirar o país da estagnação econômica.
A Alemanha tem que agir "para aumentar consideravelmente suas capacidades de Defesa e fazer isso de maneira rápida", disse o líder conservador, ao defender seu programa de investimentos.
"Qualquer atraso adicional seria uma irresponsabilidade", acrescentou.
Em um tom dramático, o vencedor das eleições legislativas de 23 de fevereiro alertou os deputados que "diante da situação alarmante da segurança na Europa e dos crescentes desafios econômicos em nossos países, as decisões de longo alcance não podem ser adiadas".
O plano de Merz prevê excluir o gasto militar das normas fiscais do país quando superar 1% do PIB, além de criar um fundo de 500 bilhões de euros em 10 anos para investir em infraestruturas.
A medida implica uma mudança no chamado "freio da dívida", consagrado na Constituição para limitar o endividamento do governo, o que exige a aprovação de dois terços do Parlamento.
- Calendário apertado -
Os planos de Merz foram elogiados pelos aliados da Alemanha no exterior, mas o líder conservador enfrenta uma grande pressão para aprovar rapidamente os novos gastos.
A aliança CDU/CSU e SPD quer votar a mudança antes da posse do novo Bundestag em 25 de março, no qual o partido de extrema direita da Alternativa para a Alemanha e o partido de extrema esquerda Die Linke poderão bloquear os planos orçamentários.
O Bundestag organizará duas sessões especiais para que os deputados possam debater os planos, nesta quinta-feira e na terça-feira, quando a proposta será votada.
Mas as intenções de Merz se complicaram depois que os Verdes, cujos votos são necessários para alcançar os dois terços, ameaçaram votar contra os planos se não incluírem mais proteções climáticas.
Caso não consiga a aprovação de seus planos, os observadores temem o enfraquecimento de Merz, que poderia enfrentar a mesma paralisia que afetou a coalizão do atual chefe de Governo, Olaf Scholz, cujo colapso em novembro provocou as eleições antecipadas de fevereiro.
A pressão sobre o líder conservador aumentou nas últimas semanas com a aproximação de Trump da Rússia.
Apesar das dificuldades, os analistas apontam que o futuro governo terá opções para aumentar os gastos se o atual Legislativo não votar os planos na próxima semana.
Quando Merz assumir o cargo de chanceler, possivelmente no final de abril, poderá suspender o bloqueio da dívida ao invocar uma emergência, como fez o governo anterior durante a pandemia, embora esta seja uma medida temporária.
O.Farraj--SF-PST