-
Kherson ordena evacuação após ataque russo a usina de aquecimento
-
Esfinge-do-loendro confirmada pela primeira vez em Portugal
-
ALMA revela mapa químico detalhado da região de formação estelar Orion KL
-
Controladores aéreos deixaram seus postos antes de acidente em Nova York
-
Bundesliga começa com o desafio de encontrar um rival para o Bayern
-
Armas, drogas e perseguições: prévia do GTA VI chega à Netflix após vazamentos
-
Welbeck marca seu 1º gol pelo Chelsea em vitória sobre o Luton (2-0) na Copa da Liga
-
Com gol de Raphinha, Barça vence Athletic Bilbao (2-0) e assume liderança na estreia de Rodri
-
MLS suspende técnico do Inter Miami por um jogo
-
Trump diz que Rússia "não atacará" território da Otan
-
'Julián está realmente mal', diz CEO do Atlético de Madrid
-
Alison dos Santos, o atleta que superou suas cicatrizes
-
Dirigente comemora evolução do futebol feminino no Brasil: "Hoje temos várias Martas"
-
Trump assina decreto que muda nome do Lago Ontário para Lago América
-
Novos protestos em Ceuta geram confrontos quase um mês após entrada de migrantes
-
Kremlin chama de "alarmistas" as informações sobre risco de ataque russo à Otan
-
Alison dos Santos bate recorde mundial dos 400 m com barreiras
-
Ministro israelense apresenta plano de 'judaização' de áreas com população árabe significativa
-
Alcaraz e Djokovic podem se enfrentar nas semifinais do US Open
-
Barcelona contrata goleiro da seleção croata Dominik Livakovic
-
Ataque com drones em plena luz do dia deixa um morto e vários feridos na Ucrânia
-
Gigantes da tecnologia pedem resposta mundial contra ameaças à IA
-
Musiala seguirá afastado, mas responde bem ao tratamento, garante técnico do Bayern
-
Sorteio define caminho difícil para PSG e Barça na Champions; Real Madrid tem mais sorte
-
Enchentes entre Nepal e Tibete deixam quase 400 mortos e mais de 1.400 desaparecidos
-
Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos
-
Os adversários dos principais favoritos na fase de liga da Champions
-
Jenni Hermoso retorna ao Atlético de Madrid
-
Galaxy S26 FE vs S25 FE: Principais diferenças e qual vale a pena
-
Piloto argentino Franco Colapinto renova com Alpine até fim da temporada de 2027
-
iCaur confirma chegada de três SUVs ao Brasil em 2027
-
Kremlin rejeita 'histórias alarmistas' sobre o risco de ataque russo à Otan
-
Bouaddi está 'pronto' para jogar pelo Manchester City, diz Maresca
-
Conselho de administração do Atlético de Madrid apoia decisão de não transferir Julián Álvarez para o Barça
-
Sheinbaum quer proibir dupla nacionalidade para altos funcionários no México
-
Uefa 'suspende' ameaça de boicotar competições da Fifa para esta temporada
-
Tottenham segue se reforçando e contrata egípcio Marmoush, do Manchester City
-
Colisão com asteroide pode ter remodelado superfície de Deimos
-
Justiça ordena que presidente da Colômbia se desculpe por ato religioso em sua posse
-
12 aplicativos essenciais para estudantes no regresso às aulas
-
ONU pede que todas as redes sociais adotem um design seguro para crianças
-
Irã executou mais de 500 pessoas até agora em 2026, diz ONG
-
Morre Ratko Mladic, apelidado de 'açougueiro da Bósnia' por crimes de guerra
-
UE diz esperar que Meta proteja 'também nossas crianças' após acordo nos EUA
-
Julgamento de autor intelectual dos ataques de 11/9 será em junho de 2028
-
Tragédia entre Nepal e Tibete deixa ao menos 362 mortos e mais de 1.400 desaparecidos
-
Julgamento de autor intelectual dos atentados de 11/9 acontecerá em 5 de junho de 2028
-
Irã e Catar discutem situação do Estreito de Ormuz
-
Ratko Mladic, ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia, morre aos 84 anos
-
'1666: Amsterdam' marca fim de longa batalha para criador de 'Assassin's Creed'
Indígenas awá da Colômbia: diante da violência, uma 'conexão' com a natureza
Os indígenas awá são um dos povos indígenas da Colômbia mais ameaçados pela violência, e seu território tem sido alvo de depredação por grupos armados há décadas.
Enquanto a COP16 sobre biodiversidade está sendo realizada em Cali, os awá personificam a luta pela sobrevivência dos povos indígenas, a defesa da floresta e a visão de um mundo “conectado” à natureza.
"O povo awá resiste há 500 anos (...) contra a invasão de terras, discriminação, grupos armados, recrutamento, deslocamento forçado e aculturação", disse à AFP Olivio Bisbicus, um dos líderes da comunidade de mais de 50 mil habitantes.
Os "inkal awá", ou "gente da selva" em sua língua ancestral awapit, vivem no sopé amazônico do departamento de Nariño (sudoeste), um dos mais conflituosos da Colômbia.
Seu território se estende até o Equador, com mais de 600 mil hectares sobre os bosques de montanha. O município de Barbacoas, na reserva natural privada La Nutria, é uma tentativa bem-sucedida de “proteção integral da vida e da cultura awá”.
- "Risco de extermínio" -
Há “três grupos armados em disputa” nessa região de fronteira, que é invadida por plantações de coca, um corredor de tráfico de drogas para o Pacífico e repleta de minas de ouro ilegais, diz Alex Javier González, subsecretário de paz do gabinete do governador de Nariño, que descreveu a situação como “crítica” para os awá.
A Justiça colombiana documentou 25 anos de violência contra este povo durante o conflito com os então guerrilheiros das Farc, e observou um “risco de extermínio físico, cultural e espiritual”.
Entre 1990 e 2016, a guerrilha matou 185 awás e os assassinatos continuaram mesmo depois do acordo de paz em 2016. Ao menos 22 indígenas foram mortos em 2022, incluindo um líder reconhecido.
No início de 2023, as defensorias do povo da Colômbia e do Equador lançaram uma advertência conjunta sobre as ameaças contra essa população. A Corte Constitucional colombiana emitiu ao menos três sentenças pedindo sua proteção.
No entanto, nada foi feito. Três homens awás, entre eles um jovem de 19 anos, foram assassinados no final de agosto, segundo Unipa, uma de suas organizações representativas.
- "Resistem" -
"No entanto, eles resistem", disse González.
“Eles demonstraram grande coragem e estão entre os mais determinados”, diz Gilles Bertrand, embaixador da União Europeia (UE), que os apoia juntamente com vários Estados-membros e a ONU. “Sua luta é emblemática da resistência de certas comunidades indígenas e rurais da Colômbia aos grupos armados.
"Eles são um exemplo de comunidades em perigo de extinção", disse Jan Egeland, ex-funcionário da ONU e diretor do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), que visitou Nariño recentemente.
"Ser líder awá é complicado e perigoso", confirma Bisbicus.
“O tráfico de drogas traz vício, desarmonização do território, destruição de nossa cultura e natureza”, acrescenta ele com amargura.
“Diante das armas, estamos de mãos vazias. Mas temos o diálogo, nosso conhecimento ancestral, nossa identidade, nossas autoridades, nossa presença aqui há séculos”, continua Bisbicus.
Armada apenas com paus, a guarda indígena da Unipa, composta por 2 mil voluntários, possibilitou a implementação de medidas de “autoproteção”.
"Temos mantido a unidade do nosso povo e exigido respeito por nosso território. Nossa terra não é um campo de batalha", assegura Bisbicus.
"Hoje o povo awá tenta recuperar seu destino", ele continua, brandindo o tradicional bastão de madeira de palmeira, um símbolo de uma “vida boa e bonita” de acordo com os awá.
- "Vínculo espiritual" -
Guardiões da floresta, os awás também se caracterizam pela sua forte "conexão" e "vínculo espiritual" com a sua terra.
"O território é um espaço vivo, onde convivemos com a natureza, os animais e os espíritos", conta Wilmer Rigoberto Bisbicus, coordenador da La Nutria.
Bastam algumas horas caminhando pela selva com os povos indígenas para sentir esse vínculo impalpável, mas muito poderoso. “Aqui chove muito. Essa água é vida, ela se harmoniza”, explica Álvaro Pai, o guia da reserva, à sua maneira, de bengala na mão. A uma altitude de quase 1.000 metros, La Nutria esconde uma cachoeira encantadora com vista para um vale verdejante.
“A cachoeira ouve você e o cura. Você pode vir e conversar com ela ao amanhecer, contra a parede de pedra. É preciso cuspir nela para cumprimentá-la, para que ela não se ofenda com sua presença. Era assim que os ancestrais faziam”, diz Álvaro.
Descrito pelo embaixador da UE como um “ambicioso projeto de paz e ecoturismo”, os 365 hectares de La Nutria são o lar de 185 espécies de pássaros multicoloridos, borboletas magníficas e sapos escondidos ao longo das trilhas sinuosas.
Wilmer oferece uma visão da rica cosmogonia dos awá: “Estamos ligados aos quatro mundos, o submundo, o mundo humano, o mundo espiritual e o mundo dos deuses, estrelas e astros (...) Esses mundos estão conectados. Se causarmos sofrimento a um deles, causaremos sofrimento a todos os outros.
C.AbuSway--SF-PST