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Fifa quer vender ações da Copa do Mundo para investidores privados
Poucos dias após o encerramento da Copa do Mundo de 2026, a Fifa anunciou, nesta terça-feira (28), sua intenção de criar uma empresa para gerir suas atividades comerciais e atrair investidores externos, prometendo uma receita vultosa de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,4 bilhões na cotação atual) para financiar o desenvolvimento do futebol.
"A administração da Fifa está analisando a ideia de consolidar todos os direitos comerciais, abrangendo transmissão, patrocínio, venda de ingressos e licenciamento, juntamente com a execução operacional de seus torneios, por meio da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE)", declarou a entidade máxima do futebol mundial.
"A Fifa convidará terceiros para realizar investimentos minoritários, sem poder de controle, nesta entidade", acrescentou o comunicado.
Segundo diversas reportagens, essa participação externa seria inicialmente de cerca de 20%.
"A Fifa manteria o controle exclusivo da FFE por meio de representação majoritária no conselho de administração", especifica o texto, assim como a "autoridade exclusiva" sobre a governança do futebol, competições, calendário e decisões relacionadas a regulamentos.
Como associação sem fins lucrativos, a Fifa retém uma parte de suas receitas, notadamente para organizar suas competições e remunerar seus funcionários, incluindo o presidente Gianni Infantino, que ganha vários milhões de dólares por ano, e destina o restante a programas de desenvolvimento, os quais, segundo a entidade, serão impulsionados pela criação desta FFE.
- "Liberar potencial comercial" -
A FFE deve gerar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,6 bilhões) somente neste ano, e "todos os lucros líquidos serão reinvestidos no futebol", afirma a Fifa, prometendo aos seus membros benefícios econômicos por meio de um novo mecanismo de financiamento: o Programa Fifa Fast Forward (FFFP).
Ao consolidar todos os programas de financiamento existentes, a Fifa pretende acumular um fundo superior a US$ 10 bilhões (R$ 51,38 bilhões) ao longo dos próximos quatro anos para financiar o desenvolvimento do futebol.
Segundo as projeções atuais, a Fifa havia planejado distribuir aproximadamente US$ 2,7 bilhões (R$ 13,87 bilhões) às suas associações-membro durante o período de 2027 a 2030.
Esse anúncio está alinhado ao objetivo de Infantino de "liberar o potencial comercial da Fifa", uma meta declarada por ele antes do lançamento de uma Copa do Mundo de grande porte na América do Norte, com um formato de 48 seleções (bem maior do que o das edições anteriores, com 32 equipes) e 104 partidas.
- Uefa se opõe -
Para concretizar este projeto, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho da Fifa, a entidade explica que está trabalhando com o banco de investimento J.P. Morgan e o fundo de investimento Thrive Eternal (fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared e genro do presidente americano Donald Trump), que "deveria liderar o grupo de possíveis investidores para a FFE".
Presidente da Fifa desde 2016, Infantino é candidato à reeleição para um novo mandato de quatro anos em 2027, pleito no qual desponta como favorito, embora enfrente a oposição de algumas federações europeias, assim como da Uefa.
Frequentemente crítica às decisões da Fifa, a Uefa, que reúne as federações europeias, não demorou a reagir a essa iniciativa.
"A alma e a governança do futebol não são ativos passíveis de especulação, especialmente sem transparência quanto ao destino dos lucros financeiros. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo", escreveu a entidade em um comunicado.
"A estreita relação entre o presidente da Fifa e o presidente dos EUA assumiu uma dimensão financeira que causa sérios danos ao futebol. Ninguém tem o direito de vender o nosso esporte", observou Sepp Blatter, antecessor de Infantino no comando da Fifa (1998–2015), em uma mensagem publicada no X.
Reações negativas também chegaram à esfera política: Andy Burnham, o novo primeiro-ministro britânico, acredita que "o futebol não pertence aos investidores", mas sim àqueles que "lotam as arquibancadas e ficam à beira do campo semana após semana, faça chuva ou faça sol".
"A Copa do Mundo", acrescentou ele no X, "não é um produto. É a maior competição do esporte mundial e nunca pertenceu a ninguém para ser vendida", insistiu.
F.Qawasmeh--SF-PST