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Zidane, uma lenda do futebol que sabe gerir estrelas
Zinedine Zidane garantiu seu lugar na história do futebol francês como a estrela da equipe que conquistou a primeira Copa do Mundo do país, em 1998. Vinte anos após se aposentar como jogador, ele agora assume o comando da seleção de seu país como técnico.
Em 9 de julho de 2006, 'Zizou' se despediu dos gramados de uma maneira insólita: sendo expulso após dar uma cabeçada em Marco Materazzi durante a final da Copa do Mundo em Berlim, partida em que a Itália venceu a França nos pênaltis.
Foi um desfecho triste para uma carreira inesquecível, na qual ele conquistou não apenas a Copa do Mundo de 1998, mas também a Eurocopa (2000) pela França e a Liga dos Campeões pelo Real Madrid (2002), esta última garantida com um voleio memorável na final contra o Bayer Leverkusen.
Após os 14 anos de Didier Deschamps no comando da seleção francesa, período marcado pelo título da Copa do Mundo de 2018, a nomeação de Zidane parece lógica e já era, inclusive, um segredo aberto.
"O cargo de técnico da França era o único que eu queria", admitiu ele nesta terça-feira (28), durante sua coletiva de imprensa de apresentação.
Sua carreira não foi lendária só dentro de campo, mas também à beira do gramado, onde alcançou o feito histórico de conquistar três títulos consecutivos da Liga dos Campeões com o Real Madrid, em 2016, 2017 e 2018.
"É diferente de treinar um clube, mas não me assusta. É o que eu queria fazer. Terei um equilíbrio entre minha vida pessoal e a seleção francesa, e isso me cai muito bem", declarou ele após o anúncio.
- Gestor de egos -
Durante sua passagem pelo time 'merengue', ele não apenas acumulou glórias e troféus, mas também aprimorou sua habilidade em gerir vestiários complexos repletos de superestrelas como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema, Toni Kroos, Sergio Ramos e outras personalidades fortes.
"Ele entende os jogadores perfeitamente. É um dos melhores treinadores, sem dúvida. O que ele conquistou é inimaginável", disse o meio-campista croata Luka Modric à AFP em 2020, relembrando o primeiro encontro dos dois em 2016.
"Ele me disse: 'Vejo você como um jogador capaz de ganhar a Bola de Ouro'. Eu nunca tinha pensado que poderia ganhar a Bola de Ouro um dia, mas quando alguém como Zizou lhe diz isso, você sente que ganhou asas", relatou Modric, que viria a conquistar o prêmio em 2018, duas décadas depois de o próprio Zidane, hoje com 54 anos, tê-lo vencido.
Na seleção francesa, 'Zizou' precisará mostrar mais uma vez seu toque de mestre ao gerir uma verdadeira constelação de estrelas: Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise, Désiré Doué...
- De um bairro popular à glória -
Nada predestinava o jovem 'Yazid', como era chamado por seus parentes, a uma carreira tão espetacular no futebol.
Seus primeiros chutes numa bola ocorreram aos pés dos prédios de La Castellane, um bairro popular de Marselha originalmente habitado por trabalhadores portuários e pessoas de origem argelina.
A vida desse jovem tímido, de uma família de cinco filhos originária da Cabília (região histórica no norte da Argélia), ganhou uma nova dimensão quando ele marcou dois gols de cabeça na final da Copa do Mundo de 1998, que a França venceu por 3 a 0 contra o Brasil, em Saint-Denis, nos arredores de Paris.
Aos 26 anos, Zidane se tornou o ídolo de toda uma nação, o jogador mais aclamado durante as comemorações na Champs-Élysées e o símbolo da triunfante e diversa geração de 1998, a mistura 'black-blanc-beur' (negro, branco e norte-africano), cujo ímpeto culminou com o título europeu em 2000.
Após se aposentar, Zidane poderia simplesmente ter se acomodado e relaxado ao lado de sua esposa, Véronique. Em vez disso, ele buscou aprimoramento profissional e obteve diplomas como gestor esportivo e treinador.
Após se aposentar como jogador, ele fixou residência em Madri com seus quatro filhos, que tentaram a sorte no futebol.
No Real Madrid, ocupou diversos cargos - conselheiro do presidente, diretor esportivo, auxiliar técnico de Carlo Ancelotti e treinador da equipe B — até janeiro de 2016, quando foi chamado às pressas para assumir o comando da equipe principal.
Ali começou uma era gloriosa. Menos de seis meses depois, ele conquistou a Liga dos Campeões, feito que repetiu nas duas temporadas seguintes.
Deixou o Real Madrid no auge do sucesso em 2018, poucos dias depois de conquistar seu terceiro título consecutivo da Champions.
Mais tarde, retornou ao clube para uma segunda passagem em 2019, permanecendo no cargo por dois anos, embora com um balanço menos positivo.
"O que me torna atípico é que não tenho um plano de carreira", confidenciou Zidane à AFP em 2020.
Agora, essa trajetória o levou a um dos cargos com que sempre sonhou, plenamente consciente de que o desafio está longe de ser simples.
S.Abdullah--SF-PST