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De Maradona a Messi, Bangladesh segue apaixonado pela seleção argentina
De terraços e varandas enfeitados com bandeiras nas cores branca e azul a murais de Lionel Messi, os fãs de futebol em Bangladesh demonstraram mais uma vez sua paixão pela seleção argentina ao longo da Copa do Mundo e aguardam ansiosamente a final contra a Espanha no domingo (19).
O país asiático de 170 milhões de habitantes nunca conseguiu se classificar para o Mundial. No entanto, vive o torneio com imensa paixão, adotando de forma avassaladora a seleção argentina como se fosse sua.
"Fiquei muito tenso durante Argentina x Egito [quando os egípcios chegaram a abrir vantagem 2 a 0 nas oitavas de final]. Eu estava suando, quase gritando", conta o mecânico Nurul Islam à AFP. "Mas agora posso dizer com confiança que a Argentina vai vencer", diz ele, sorridente.
É verdade que também existe uma parcela significativa do país que torce pelo Brasil, mas desde que a Seleção foi eliminada nas oitavas de final, são os torcedores da Argentina que vêm marcando presença e pintando as ruas de azul e branco.
Mas de onde vem essa paixão pela seleção argentina em um país distante que, à primeira vista, é tão culturalmente diferente? Todos os caminhos levam a um único ponto: a Copa do Mundo de 1986, no México.
Nurul Islam diz que seu amor pela Argentina é uma herança, já que seu pai era um grande fã de Maradona, e que essa paixão já atravessa três gerações.
"Meus dois filhos também são torcedores da Argentina. Eles levam isso muito a sério e sempre fazem questão de comprar as camisas novas", diz ele.
- Febre pelas camisas -
O efeito Copa do Mundo é percebido justamente no aumento expressivo das vendas de camisas da seleção argentina no país.
Shamim Patwary, chefe de vendas da Associação de Comerciantes, Fabricantes e Importadores de Artigos Esportivos de Bangladesh, observou claramente esse aumento na demanda.
"Não há nenhum estudo sobre quantos torcedores da Argentina existem, mas vendemos uma enorme quantidade de camisas", diz Patwary à AFP.
Bangladesh é um dos principais fabricantes mundiais de camisas e material esportivo.
Na Galaxy Sports, uma das maiores lojas de artigos esportivos do país, as camisas da Argentina representam 30% do total de vendas.
"Alguns pais compraram até camisas para recém-nascidos", explica Raihan Hossian.
"Vendemos quase todas as camisas da Argentina que tínhamos, especialmente as edições especiais", conta.
Para muitos torcedores, o preço é secundário quando se trata de vivenciar plenamente uma paixão que só explode com tamanha intensidade a cada quatro anos.
"Outro dia, um mototaxista veio à nossa loja e comprou uma camisa da Argentina, versão de jogador, que custava US$ 10 (aproximadamente R$ 50 na cotação atual). Não sei se ele chega a ganhar isso em um dia", reconhece Hossian.
- Sentimento de união -
Nos bairros populares de Daca, os vendedores ambulantes trocaram suas mercadorias habituais por versões mais acessíveis de camisas de futebol.
"Vi o Maradona jogar e, desde então, sou um torcedor fiel da Argentina", diz um dos vendedores, Al Mamum, de 55 anos, enquanto vende essas camisas mais baratas.
Com a Copa do Mundo sendo realizada na América do Norte, muitos jogos têm sido transmitidos pela televisão na madrugada em Bangladesh, mas nem isso desanimou os torcedores mais fervorosos.
"Eu visto a camisa porque ela me faz sentir que pertenço àquele time, me dá um sentimento de união", diz Zakia Musanna, uma torcedora de 37 anos.
Para a final de domingo, ela planeja repetir o ritual que seguiu quando viu a Argentina se sagrar campeã mundial em 2022, no Catar: irá com o pai ao mesmo lugar de três anos e meio atrás para assistir à partida pela televisão.
"Isso nos traz lembranças daquele título, para poder comemorar mais uma vitória", diz Musanna.
S.Abdullah--SF-PST