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Scaloni e Tuchel: a calma e a tormenta na busca por uma vaga na final da Copa do Mundo
Lionel Scaloni é sentimental e tranquilo, e se empenhou para resgatar a cultura futebolística argentina, enquanto o explosivo Thomas Tuchel tem dificuldades para controlar as emoções e é um técnico movido por resultados imediatos. Apenas um dos dois disputará a final da Copa do Mundo de 2026.
Os treinadores comandarão a Argentina e a Inglaterra, protagonistas de uma das rivalidades mais intensas do futebol, na semifinal desta quarta-feira (15), em Atlanta.
- Scaloni: voltar às origens -
Lionel Scaloni enfrentou críticas implacáveis e zombaria quando foi nomeado técnico da 'Albiceleste' em 2018. Sem experiência prévia como treinador profissional, ele assumiu inicialmente o comando, de forma interina, de uma equipe que não conquistava um título desde 1993.
No entanto, graças ao seu estilo sereno e conciliador, ele foi aos poucos silenciando seus críticos, contando com o apoio de uma comissão técnica formada por ex-jogadores da seleção argentina, como Pablo Aimar, Roberto Ayala e Walter Samuel.
O quarteto buscou resgatar a essência do futebol argentino: o domínio técnico da bola e o incentivo à criatividade em campo. Ao contrário de muitas outras seleções, a Argentina reforçou seu meio-campo com jogadores de grande qualidade técnica e abriu mão dos pontas tradicionais.
"Cada país tem sua própria cultura e maneira de entender o futebol, e que levaram ao sucesso. Isso tem que ser respeitado", disse Scaloni, de 48 anos, durante a Copa do Mundo na América do Norte.
A aposta, que incluía a estratégia de montar o time em torno de Lionel Messi, deu certo: pôs fim a um jejum de 28 anos sem títulos ao derrotar o Brasil no Maracanã, na final da Copa América de 2021.
Depois, vieram as vitórias na Finalíssima de 2022, contra a Itália, e na Copa do Mundo daquele mesmo ano, contra a França, a primeira vencida pela Argentina desde a glória alcançada por Diego Maradona em 1986. E, em 2024, outro título da Copa América, contra a Colômbia.
Ex-lateral e companheiro de equipe de Messi na Copa do Mundo de 2006, ele sempre manteve uma postura conciliadora e tranquila, muito distante do comportamento frequentemente provocativo de alguns de seus jogadores.
E uma de suas marcas registradas, além de quase sempre usar roupas esportivas à beira do campo, é a facilidade com que se emociona a ponto de chorar. Ele se comove facilmente com uma vitória ou uma palavra de elogio.
- Tuchel: impacto imediato
Thomas Tuchel foi contratado em outubro de 2024 com o objetivo único de conquistar o segundo título mundial para a Inglaterra, após a Copa de 1966.
Ele chegou com um histórico de grande sucesso no comando de clubes europeus de elite, como Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique e Borussia Dortmund.
Também foi escolhido por seu compromisso com um futebol ofensivo (com média de 2,2 gols por partida em nível de clubes), sua flexibilidade tática e sua capacidade de apresentar resultados imediatos.
Em sua primeira temporada com os 'Blues' (2020–2021), por exemplo, conquistou a Liga dos Campeões, a Supercopa da Uefa e o Mundial de Clubes.
Como o terceiro técnico estrangeiro a comandar a Inglaterra, sucedendo o sueco Sven-Göran Eriksson e o italiano Fabio Capello, o alemão busca levar os 'Three Lions' a um patamar acima após o ciclo de Gareth Southgate.
Southgate reformulou a seleção inglesa, mas nunca conseguiu dar o golpe final: a equipe caiu nas semifinais e quartas de final das Copas do Mundo de 2018 (Rússia) e 2022 (Catar) e perdeu duas finais da Eurocopa (2021 e 2024).
Sua seleção chegou ao torneio da América do Norte em 2026 como uma das favoritas, embora seu estilo de jogo nem de longe tenha encantado. Ainda assim, os gols de Harry Kane e Jude Bellingham foram suficientes para deixá-los a apenas uma partida da final de domingo.
Em sua primeira Copa do Mundo como técnico, ele surpreendeu ao deixar de fora jogadores renomados, como o lateral Trent Alexander-Arnold e os meias-atacantes Cole Palmer e Phil Foden.
Ele também mostrou diferentes facetas de sua personalidade: a figura intensa que grita e faz caretas exageradas na área técnica, o líder carismático que se diverte com seus jogadores e o crítico sem papas na língua.
Essa última característica gerou um momento de tensão com Bellingham, autor dos dois gols que eliminaram a Noruega nas quartas de final, com quem ele mantém uma relação complicada.
O técnico de 52 anos questionou publicamente o desempenho da equipe contra os 'Vikings'. O jogador rebateu diante dos microfones, sugerindo que o treinador "talvez não saiba como é jogar" contra atletas do calibre de Erling Haaland, Odegaard, Nusa e Sorloth.
"Acho que é isso que torna o técnico tão especial e grandioso: ele não esconde nada, é emotivo e fala as coisas como elas são", disse Kane à ITV.
I.Saadi--SF-PST