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"Quero sentir a terra brasileira sob meus pés", diz Lucas Pinheiro Braathen
A participação do esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen nos Jogos Olímpicos de Inverno chegou ao fim nesta segunda-feira (16) com uma queda no slalom, uma experiência memorável para ele após a conquista histórica da medalha de ouro no slalom gigante no sábado.
Incapaz de esconder sua decepção com o ocorrido em Bormio, ele refletiu sobre sua passagem pela Itália e disse que já estava ansioso para viajar ao Brasil e comemorar com sua namorada (a atriz brasileira Isadora Cruz), sua família e seus amigos.
"Os Jogos Olímpicos terminaram oficialmente para mim. Finalmente posso começar a pensar em voltar para casa, abraçar minha família e minha equipe. Obviamente, quero voltar ao Brasil, sentir a terra brasileira sob meus pés, comer um pão de queijo, um brigadeiro e comemorar este sucesso com minha namorada e minha família, com todos que me ajudaram a chegar até aqui. Estou muito animado com isso", declarou o esquiador, nascido há 25 anos em Oslo, mas que representa o país de sua mãe no esporte desde 2024.
Depois de dar ao Brasil e à América Latina sua primeira medalha olímpica de inverno com o ouro no último sábado, Pinheiro Braathen teve que administrar a euforia do feito enquanto se mantinha concentrado para a prova desta segunda-feira, com apenas um dia entre as duas para assimilar tudo.
- "Muito orgulhoso" -
"Depois do ouro, eu estava voando, me sentindo nas nuvens. Mas no dia seguinte, tive que voltar ao 'modo atleta', retomar os treinos, me preparar e analisar o que ia acontecer hoje, fazendo os ajustes necessários no meu equipamento", explicou.
"No esporte, existe um ditado que diz que você só é tão bom quanto foi na sua última competição. Essa sempre foi a minha mentalidade. Graças a essa abordagem, consegui progredir e melhorar a cada dia para poder competir por medalhas olímpicas. O que aconteceu hoje dói, mas ainda assim estou muito orgulhoso dos meus Jogos", comemorou.
Pinheiro Braathen largou em sexto na primeira descida do slalom nesta segunda-feira, enquanto uma forte nevasca caía na pista de Stelvio, em Bormio, reduzindo a visibilidade.
"Estamos no maior palco do mundo, competindo por medalhas olímpicas, e você precisa se entregar completamente. Precisa esquiar com o coração e dar tudo de si. Foi o que fiz hoje. O que torna o esqui alpino uma arte é esse delicado equilíbrio entre estratégia, técnica e intensidade. Esse equilíbrio que consegui encontrar no sábado para conquistar o ouro para o Brasil foi o que não consegui encontrar hoje. Mas isso não deve diminuir em nada o que conquistei no sábado, que continua sendo maravilhoso", disse ele.
- Um caminho pouco convencional -
E qual a coisa mais valiosa que Lucas aprendeu com essa experiência olímpica? Essa pergunta na zona mista de Stelvio deixou o esquiador pensativo por dez segundos antes de responder.
"Essa é uma ótima pergunta. Não sei exatamente o que aprendi, mas certamente me ajudou a provar para mim mesmo que ousar ser quem eu sou é a minha maior fonte de felicidade. E a felicidade leva ao sucesso. Acho que ousar tomar as decisões que tomei, trilhar um caminho nunca antes percorrido, um caminho não convencional, é a chave", refletiu ele.
"Eu não seria nada sem a minha equipe, e sou grato a eles. Eles estão comigo todos os dias. Eles têm que lidar com o Lucas destrutivo, o Lucas construtivo, o Lucas intenso, o Lucas amoroso e atencioso, o Lucas triste e também o Lucas irritado e de pavio curto. Então, sou grato a eles", concluiu.
Q.Najjar--SF-PST