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A escola da Ópera de Paris e o ensino francês do balé clássico
Uma tradição transmitida de geração para geração nas salas de aula: a L’école de Danse de l’Opéra de Paris ensina a arte do balé clássico ao estilo francês, um patrimônio cultural que atrai cada vez mais bailarinos estrangeiros, inclusive do Japão e do Brasil.
No prédio que abriga a instituição, legado de Luís XIV, em Nanterre, nos arredores de Paris, o burburinho dos alunos domina a grande escadaria central que leva aos estúdios de dança.
A poucos minutos do início das aulas, alguns conversam no pátio, mas a maioria, de tênis e roupa esportiva, faz exercícios de aquecimento.
Nos corredores, Elisabeth Platel, diretora do centro desde 2004, observa cada uma das seis turmas de meninas e seis de meninos, em um total de 144 alunos de 9 a 18 anos, que venceram o difícil processo de seleção para a prestigiosa instituição.
"Além de sua missão principal, educativa, que é preparar os alunos para a companhia da Ópera de Paris, a escola tem uma missão patrimonial: preservar o estilo francês, surgido da dança cortesã da época de Luís XIV, da dança folclórica e do romantismo", explica aquela que já foi "étoile", bailarina principal da casa.
A tradição é transmitida de geração através das palavras: "Há poucos textos escritos e uma grande quantidade de arquivos em vídeo", ressalta. "Nosso programa de estudos nós carregamos dentro de nós", diz, para enfatizar até que ponto os bailarinos o "internalizam" através do próprio corpo. É "uma base muito sólida", transmitida de mestres a alunos ao longo dos anos, acrescenta.
- "Elo da corrente" -
"É como se fôssemos um elo da corrente", considera Stéphane Bullion, outrora bailarino "étoile" e atualmente professor da sexta divisão masculina (dos iniciantes).
Carole Arbo, professora na primeira divisão feminina (as mais avançadas), que, com "mais de 50 anos em casa", também foi "étoile" e aluna, acrescenta: "90% do que ensino foi transmitidos por nossos mestres".
O objetivo é "perpetuar" um estilo que ela define pela "rapidez" no trabalho de pernas e de técnica, por seu "virtuosismo", sua "pureza e precisão nos movimentos", "sem esquecer a parte artística", presente nos grandes balés como "Giselle" ou "A Bela Adormecida".
Ao contrário de outros métodos de ensino, a técnica francesa é "mais precisa", diz Carina, aluna da primeira divisão, originária da Romênia. E esse estilo tem "mais reconhecimento, mais procura", assegura.
- Do Brasil ao Japão -
Na realidade, cada professor acrescenta seu toque pessoal, diz Platel. Ela própria faz o currículo evoluir "em função das necessidades do balé da Ópera e da evolução da sociedade".
Essas particularidades da escola fazem dela um centro de excelência ao qual muitos jovens aspiram.
Neste ano, 47 alunos, ou seja, um terço do total, vêm de 20 países diferentes, entre eles Malásia, Brasil, Japão, Espanha, Estados Unidos, Nova Zelândia... Em 2018, os alunos internacionais eram apenas 20 (de um total de 153).
Ao final da formação, nem todos alcançarão seu objetivo: entrar para o corpo de baile da Ópera. Mas sua bagagem lhes permitirá ter acesso a outras grandes companhias.
No ano passado, de 23 alunos da última divisão, quatro mulheres e três homens do centro conseguiram ingressar na companhia.
T.Khatib--SF-PST