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UE apresenta plano de apoio à indústria automotiva
A União Europeia (UE) apresentou, nesta quarta-feira (5), seu plano para apoiar a recuperação da indústria automotiva, um setor crucial da economia do bloco que enfrenta um "risco de morte" devido à concorrência da China e ao fantasma de uma guerra comercial com os Estados Unidos.
O setor automotivo é tradicionalmente visto como a joia da coroa da indústria europeia. O segmento emprega quase 14 milhões de pessoas direta ou indiretamente e representa quase 7% do PIB de toda a UE.
Porém, o setor enfrenta a realidade de fechamento de fábricas e a perspectiva real de uma guerra comercial com os Estados Unidos, o que levou a UE a anunciar o auxílio.
Em uma entrevista à AFP, o comissário europeu de Estratégia Industrial, o francês Stéphane Séjourné, afirmou que o setor enfrenta um "risco de morte".
Diante do cenário, a UE apresentou um conjunto de medidas que inclui a flexibilização este ano das normas que punem as montadoras pelo nível de emissões poluentes.
Com a regulamentação em vigor, a partir deste ano a UE deve reduzir o nível de emissões que os veículos novos vendidos no bloco podem produzir.
A norma determina que as montadoras devem pagar multas caso as emissões fiquem acima do limite permitido.
Para enfrentar as multas elevadas previstas, várias empresas formaram conglomerados com montadoras menos poluentes para compartilhar seus programas, como Stellantis, Ford e Toyota com a Tesla.
Mas os fabricantes que chegaram tarde aos objetivos de eletrificação de 2025 terão mais tempo de adaptação.
- "Abordagem pragmática" -
Em um comunicado, a Comissão anunciou que "proporá ainda este mês uma emenda à regulamentação dos parâmetros de CO2 para automóveis e vans".
A emenda "permitiria aos fabricantes de automóveis alcançar seus objetivos de conformidade, ao estabelecer a média de seu desempenho durante um período de três anos", de 2025 a 2027.
A UE também pretende estimular a demanda de automóveis elétricos com uma aceleração de sua incorporação às frotas empresariais e o apoio à fabricação local de baterias.
Para que a indústria seja "mais resistente à concorrência feroz do exterior (...) a Comissão garantirá uma disputa justa com o uso de instrumentos de defesa comercial".
Entre as medidas, o bloco menciona a "norma para contrabalançar os subsídios e ajudas estatais, que estão no centro das tensões com montadoras chinesas, em particular fabricantes de veículos elétricos".
Em uma nota, o comissário europeu de Transporte Sustentável, Apostolos Tzitzikostas, destacou que com o plano "estamos dando passos decisivos para fortalecer a base industrial da Europa".
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, indicou que a UE "promove a produção nacional para evitar dependências estratégicas, especialmente na produção de baterias".
O bloco mantém os objetivos em termos de emissões, acrescentou Von der Leyen, "mas com uma abordagem pragmática e flexível".
"Nosso objetivo comum é uma indústria automotiva sustentável, competitiva e inovadora, que beneficie nossos cidadãos, nossa economia e nosso meio ambiente", disse.
Von der Leyen manteve "conversações estratégicas" com representantes da indústria para discutir soluções para a crise.
I.Yassin--SF-PST