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Congresso dos EUA vai investigar acusações de 'antissemitismo' em universidades
O Congresso dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (7) que vai abrir uma investigação sobre a gestão de três universidades de prestígio no país, entre elas a de Harvard, que incorreram no que uma comissão classificou de "antissemitismo endêmico" em seus campi.
Os presidentes das universidades de Harvard, da Pensilvânia e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) estão sob uma enxurrada de críticas desde que participaram de uma audiência sobre o tema no Capitólio na terça-feira.
O conflito entre Israel e Hamas desperta paixões em muitas das universidades mais renomadas dos Estados Unidos.
Os doadores pediram às instituições que condenem claramente as manifestações de estudantes pró-palestinos.
Na audiência, uma representante republicana desvirtuou os chamamentos de alguns estudantes por uma "intifada" (termo que se refere às revoltas palestinas contra a ocupação israelense em 1987-1993 e 2000-2005) em uma exortação ao "genocídio contra os judeus em Israel e no mundo".
Sem se convencer com a argumentação contrária de Claudine Gay, presidente da Universidade de Harvard, que defendeu a liberdade de expressão no campus, a deputada Elise Stefanik exigiu sua renúncia.
Desde então, esse chamado tem sido transmitido por vários políticos influentes nos Estados Unidos.
Outro trecho da audiência, no qual os três presidentes não respondem concretamente à pergunta de se "conclamar o genocídio dos judeus é uma violação do código de conduta" de suas universidades, também repercutiu bastante nas grandes redes de notícias americanas.
Nesta quinta-feira (7), o Comitê de Educação da Câmara dos Representantes considerou "inaceitáveis" as respostas dos presidentes das universidades ao que chamaram de "antissemitismo endêmico" nos campi.
"Os membros deste colegiado estão profundamente preocupados por sua gestão e sua incapacidade para tomar medidas que ofereçam aos estudantes judeus o ambiente educativo seguro ao qual eles têm direito", disse o comitê, controlado pelos republicanos.
Assim, decidiu-se pela abertura de uma investigação para identificar as "falhas individuais e institucionais" destas entidades acadêmicas de elite.
As presidentes de Harvard e da Universidade da Pensilvânia vieram à público após a audiência no Congresso para esclarecer suas declarações.
"Alguns confundiram o direito à livre expressão com a ideia de que Harvard apoiaria os chamados à violência contra os estudantes judeus. Quero ser clara: as exortações à violência ou ao genocídio contra a comunidade judaica, ou qualquer outro grupo étnico ou religioso, são repugnantes", disse a presidente de Harvard em uma nota.
Esses chamamentos "não têm lugar em Harvard e aqueles que ameaçam nossos estudantes judeus deverão prestar contas", frisou.
Por sua vez, Liz Magill, da UPenn, disse em um vídeo que deveria ter se concentrado no "fato irrefutável de que um chamado ao genocídio do povo judeu é um chamado a algumas das violências mais terríveis que os seres humanos podem cometer".
E.Qaddoumi--SF-PST