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Lavrov agradece 'plena compreensão' de Cuba sobre guerra na Ucrânia
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, agradeceu ao governo cubano nesta quinta-feira(20) em Havana por sua "plena compreensão" sobre o conflito na Ucrânia, no início de uma visita à ilha em sua viagem pela América Latina.
"Apreciamos que, desde o início da operação militar especial, nossos amigos cubanos (...) tenham declarado claramente sua posição e expressado seu pleno entendimento em suas avaliações das razões que levaram à situação atual", disse Lavrov durante uma reunião com seu homólogo cubano, Bruno Rodríguez, segundo a conta no Telegram do Ministério das Relações Exteriores de Moscou.
Lavrov, que também se reuniu nesta quinta-feira com o presidente Miguel Díaz-Canel e o líder da revolução Raúl Castro, condenou o embargo "ilegal e ilegítimo" dos Estados Unidos contra Cuba, e disse que seu país "também foi alvo de sanções americanas (. ..) muito antes dos eventos atuais".
O chefe da diplomacia russa chegou a Havana na noite anterior, quando os Estados Unidos iluminaram sua embaixada, localizada no movimentado calçadão, com as cores amarela e azul da bandeira ucraniana.
Lavrov conclui na ilha uma viagem que começou na segunda-feira no Brasil e depois o levou à Venezuela e à Nicarágua.
- 'Muitos avanços' -
Desde que o presidente cubano visitou a Rússia em novembro passado "houve muitos avanços, especialmente em termos de abastecimento de combustível e alimentos" para a ilha, disse Lavrov em uma coletiva com jornalistas russos e locais, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores da Rússia no Twitter.
Díaz-Canel, cujo país enfrenta a pior crise econômica dos últimos 30 anos, com grave escassez de alimentos, remédios e combustível, fez então uma turnê internacional que incluiu também Argélia, Turquia e China.
No final dessa viagem, disse ter assinado vários acordos de fornecimento de petróleo com a Rússia e a Argélia.
No entanto, a escassez de combustível continua na ilha. Na semana passada, o presidente declarou que a falta de combustível se deve ao fato de que os países fornecedores de petróleo a Cuba também enfrentam "uma situação energética complexa" e não cumpriram seus compromissos.
Nesse sentido, Lavrov destacou que "estão sendo executadas decisões que permitem garantir com segurança os projetos dos dois países (...) contra as sanções ilegais do Ocidente".
Cuba está há mais de 60 anos sujeita a um embargo econômico por parte de Washington, endurecido por Donald Trump quando chegou ao poder em 2017, sem que seu sucessor Joe Biden tenha revogado essas sanções. Moscou foi sancionada pelos Estados Unidos, Canadá e a União Europeia desde que invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
Rodríguez "rechaçou as sanções contra a Rússia, uma tendência que agrava notavelmente a situação atual", segundo uma nota sobre a reunião divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
Destacou ainda que a expansão da Otan é "a principal causa do conflito na Europa" e "defendeu uma solução diplomática séria, construtiva e realista para a atual crise, que garanta a segurança, a paz e a estabilidade regional e internacional".
O governo de Díaz-Canel manteve uma posição neutra diante da invasão russa da Ucrânia, com repetidos apelos para encontrar uma solução negociada para o conflito.
I.Matar--SF-PST