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Fela Kuti será primeiro africano a receber Grammy pelo conjunto da obra
O rei do afrobeat, o nigeriano Fela Kuti, será homenageado neste fim de semana em caráter póstumo com um Grammy pelo conjunto da obra, tornando-se o primeiro artista africano a receber esta distinção.
Após uma vida de confrontos com poderes sucessivos da Nigéria, o reconhecimento chega quase três décadas depois da morte de Fela e muito depois de sua influência remodelar a música global.
Ele será um dos vários artistas contemplados no sábado (31) durante uma cerimônia em Los Angeles, na véspera da gala principal de entrega dos prêmios Grammy, considerado o Oscar da indústria fonográfica.
Outros homenageados serão Cher, Whitney Houston, Carlos Santana, Paul Simon e Chaka Khan.
Nos anos 1970, Fela, um artista vibrante e multi-instrumentista, inventou o afrobeat: uma mistura de jazz, funk e ritmos africanos.
Sua criação abriu o caminho para o afrobeats, termo genérico posterior que atraiu um público global ao misturar ritmos tradicionais africanos a sons pop contemporâneos, com raízes na Nigéria.
Em 2024, o Grammy introduziu uma categoria de Melhor Performance Africana, que foi dominada por artistas de afrobeats, especialmente da Nigéria.
Dos cinco indicados a Melhor Performance Africana este ano, três são cantores nigerianos de afrobeats. No ano passado, outra nigeriana, Tems, foi a vencedora na categoria.
"A influência de Fela atravessou gerações, inspirando artistas como Beyoncé, Paul McCartney e Thom Yorke, e moldando o afrobeats nigeriano moderno", diz uma citação da lista dos homenageados ao Grammy deste ano.
Conhecido como o "Presidente Negro", o ativista e músico lendário, morreu em 1997, aos 58 anos.
Seu legado vive através de seus filhos, Femi Kuti e Seun Kuti, e de seu neto, Made.
"Seu reconhecimento chegar neste momento, quando nós três estamos presentes, é maravilhoso", disse à AFP Made Kuti, também indicado ao Grammy.
"É maravilhoso que todos nós ainda toquemos afrobeat, ainda levando adiante o legado tão quanto quando podemos", acrescentou.
- 'Antes tarde do que nunca' -
Yemisi Ransome-Kuti, prima-irmã de Fela, disse à AFP, nesta sexta-feira, que o prêmio é "uma celebração para o povo africano, que deve receber o prêmio como seu, (pois) outro africano está sendo celebrado".
"Mas também queremos enviar uma mensagem àqueles que dão estes reconhecimentos, por favor... Não esperem até as pessoas morrerem", disse ela.
Peguntada sobre qual seria a reação de Fela com o reconhecimento, Ransome-Kuti disse: "Estou certa que ele diria antes tarde do que nunca", embora "durante sua vida ele não tenha se interessado particularmente em ser reconhecido no mundo exterior, particularmente no mundo ocidental".
Durante sua carreira, Fela foi detido várias vezes pelos diferentes regimes militares da Nigéria, às vezes por ativismo político, outras também por alegações de roubo, que ele negava.
Seu primeiro atrito com a lei ocorreu em 1974, quando lançou seu álbum "Zombie", que se tornaria um sucesso, embora geralmente fosse considerado pelas autoridades militares no poder poder como uma dura crítica dirigida a elas.
Suas canções eram longas, desafiadoras e explicitamente contra os governos no poder e contra a corrupção.
Falando por telefone de Los Angeles, onde se reunirá com a família Kuti em sua homenagem, seu empresário, Rikki Stein, se disse confiante de que o prêmio "dará novo impulso à música de Fela".
"Um número crescente de pessoas que não tinham sequer nascido quando Fela morreu expressam interesse por sua música e, espero, por sua mensagem", disse ele à AFP.
H.Darwish--SF-PST