-
Epidemia de ebola na RD Congo deixa mais de 2 mil mortos
-
Indonésia fecha escolas durante incêndios florestais
-
Zelensky diz que Rússia lançou 'mísseis norte-coreanos' contra a Ucrânia
-
Socorristas buscam sobreviventes de terremoto que matou 132 na Colômbia
-
Socorristas buscam sobreviventes de terremoto que matou 111 na Colômbia
-
Meta impulsiona visão global da IA em meio a concorrência com China, OpenAI e Anthropic
-
Colômbia declara "situação de emergência" após forte terremoto que deixou 111 mortos
-
Jogos da Libertadores e da Sul-Americana na Colômbia são suspensos após terremoto
-
Embraer melhora previsões após receita recorde
-
Trump avança em ofensiva contra vacinas nos EUA
-
EUA elogia desregulamentação ambiental em Trinidad e Tobago após reabertura de siderúrgica
-
Sobe para 6.301 número de mortos por terremotos na Venezuela
-
Jogos dos campeonatos locais da Colômbia são adiados após terremoto
-
Parlamentares da Turquia apoiam lei histórica para reintegrar combatentes do PKK curdo
-
Burrito causa desconforto no partido de Trump
-
Forlán assume 'privilégio' de ser técnico interino do Uruguai
-
Forte terremoto na Colômbia deixa 111 mortos e 87 feridos
-
Zagueiro uruguaio Ronald Araújo, do Barcelona, é emprestado ao Liverpool
-
Autoridade islâmica da Indonésia proíbe homens de usar "roupa feminina" para celebrar independência
-
Começa julgamento pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, 30 anos depois
-
Manual de instruções para entender a guerra de poder no futebol mundial
-
Justiça russa proíbe único partido contrário à guerra de disputar eleições parlamentares
-
Restos de mulher grávida de 9 mil anos são encontrados na Suécia
-
Mergulhadores italianos encontram restos de um navio romano com centenas de ânforas
-
Forte terremoto deixa 69 mortos e destruição na Colômbia
-
Após 3 anos de interrupção, campeonato palestino de futebol será retomado em setembro
-
Congressista americana de esquerda documenta processo de congelamento de óvulos
-
Federações de EUA e Canadá, coanfitriões da Copa do Mundo, se opõem a Infantino
-
Meta lança novo modelo de IA e Zuckerberg expõe sua visão sobre o futuro
-
Forte terremoto atinge Colômbia e deixa 18 mortos e danos no oeste do país
-
Barcelona recusa primeira proposta do PSG por Ferran Torres
-
Mbappé se reapresenta ao Real Madrid após três semanas de férias
-
Forte terremoto atinge a Colômbia e é sentido no Equador e no Panamá
-
Ilha de Ulisses espera onda de turistas após estreia de filme de Nolan
-
Começa o julgamento pelo assassinato do rapper Tupac Shakur, 30 anos depois
-
Chuvas provocam 13 mortes nas Filipinas
-
Lucrativa IA chinesa agita a concorrência de preços entre os gigantes americanos
-
Meta enfrenta novo julgamento na Califórnia por efeito viciante de redes sociais
-
Trechos do Reno, na Alemanha, podem se tornar inavegáveis
-
Ataque ucraniano mata 13 pessoas na região central da Rússia
-
Uefa, Concacaf e AFC afirmam a Infantino que o futebol 'não pertence a nenhum indivíduo'
-
Calor recorde em julho em regiões onde vivem 900 milhões de pessoas
-
Crise na Fifa: o futebol 'não pertence a nenhum indíviduo, afirmam Uefa, Concacaf e AFC
-
Tufão Dolphin perde força mas provoca o cancelamento de centenas de voos
-
SCANDIC TRADE Ultimate 2.6 är färdigutvecklat – SNC SCANDIC ECO-Systemet är nu komplett
-
SCANDIC TRADE Ultimate 2.6 je hotový – systém SNC SCANDIC ECO je kompletní
-
SCANDIC TRADE Ultimate 2.6 jest gotowy – system SNC SCANDIC ECO jest kompletny
-
تم الانتهاء من تطوير SCANDIC TRADE Ultimate 2.6 – وبذلك أصبح نظام SNC SCANDIC ECO متكاملاً
-
स्कैंडिक ट्रेड अल्टीमेट 2.6 अब पूरा हो गया है – SNC स्कैंडिक इको-सिस्टम अब पूरी तरह से चालू है।
-
SCANDIC TRADE Ultimate 2.6が完成――SNC SCANDIC ECOシステムが完成しました
A mão de obra precária e invisível por trás da IA generativa
Para que a inteligência artificial generativa realize um relatório de autópsia, trabalhadores em situação precária devem classificar e identificar milhares de imagens de crimes. Do Quênia à Colômbia, os anotadores de dados são cada vez mais numerosos e lutam para melhorar suas condições de trabalho.
"Você tem que passar o dia olhando cadáveres" e "dar zoom nas feridas" para recortá-las e ajudar a IA a identificar essas imagens, "sem nenhum tipo de apoio psicológico", explica à AFP Ephantus Kanyugi.
Este queniano de 30 anos classifica e etiqueta imagens para treinar algoritmos desde 2018. Ele também é vice-presidente da Data Labelers Association, com sede em Nairóbi e que conta com cerca de 800 membros.
A organização divulgará em outubro um código de conduta destinado às plataformas de anotação de dados para melhorar as condições dos trabalhadores, diante da ausência de uma legislação que regule esta atividade no Quênia.
"Somos como fantasmas, as pessoas não sabem que existimos, que somos nós que ajudamos com o avanço tecnológico", lamenta do outro lado do planeta Oskarina Fuentes.
Esta venezuelana de 35 anos, que mora na cidade colombiana de Medellín, trabalha para cinco plataformas de anotação de dados. Ela recebe entre 5 e 25 centavos de dólar (entre R$ 0,27 e R$ 1,36) por tarefa.
Graças a este trabalho, frequentemente invisível, os carros autônomos reconhecem pedestres ou árvores, os robôs conversacionais como o ChatGPT se expressam de forma natural e os sistemas de moderação filtram conteúdos violentos ou pornográficos.
E é um mercado em ascensão: em 2024 representou 3,77 bilhões de dólares (20,5 bilhões de reais), que devem crescer até os 17,10 bilhões (93,1 bilhões de reais) até 2030, segundo o Grand View Research.
- "Escravidão moderna" -
A IA precisará de verificação humana "enquanto continuar baseada no aprendizado automático", diz o sociólogo Antonio Casilli, autor de um livro de pesquisa sobre o "trabalho do clique".
São necessárias pessoas tanto na fase inicial para preparar os dados que alimentam os modelos, quanto na etapa final para avaliar a pertinência das respostas.
As gigantes tecnológicas terceirizam esse trabalho para inúmeras empresas.
Uma das mais importantes é a americana Scale AI, na qual a Meta investiu recentemente mais de 14 bilhões de dólares (76,2 bilhões de reais). Entre seus clientes estão OpenAI, Microsoft e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Os anotadores de dados geralmente têm entre 18 e 30 anos e recebem uma remuneração muito baixa, apesar de terem formação de alto nível, observa Casilli, professor do Instituto Politécnico de Paris.
Eles vêm, em sua maioria, de países com poucos recursos, embora essa atividade também esteja se desenvolvendo nos Estados Unidos e na Europa, com salários mais elevados.
À medida que avançam, os modelos por trás do ChatGPT da OpenAI ou do Claude da Anthropic precisam se especializar em matérias complexas, como matemática, química ou idiomas pouco comuns.
O site da Outlier, filial da Scale AI, oferece múltiplas vagas de trabalho para especialistas em biologia, língua malaia ou programação em espanhol, com remunerações entre 30 e 50 dólares (entre R$ 163,00 e R$ 272,00) por hora.
No Quênia, por outro lado, a Remotasks, outra filial da Scale AI, paga aos seus anotadores de dados cerca de 0,01 dólar (R$ 0,05) por uma tarefa que pode durar várias horas, segundo Ephantus Kanyugi.
É "a escravidão moderna", diz.
"As pessoas desenvolvem problemas de visão, de coluna, sofrem de ansiedade e depressão porque trabalham 20 horas por dia ou seis dias por semana, por um salário miserável, e é possível que nem sequer recebam o pagamento", adverte.
- "Como se suicidar?" -
A Scale AI é alvo de várias denúncias nos Estados Unidos. Os funcionários acusam a empresa de trabalho não remunerado, de declará-los como autônomos e de expô-los a conteúdos traumáticos sem medidas preventivas suficientes, segundo documentos legais consultados pela AFP.
Os demandantes afirmam, por exemplo, que tiveram que abordar com uma inteligência artificial questões como "como se suicidar?", "como envenenar alguém?" ou "como matar alguém?".
A empresa se recusou a comentar as ações judiciais em andamento, mas reconhece que alguns projetos destinados a criar modelos de IA seguros podem incluir conteúdos sensíveis.
A Scale AI garante que sempre avisa os trabalhadores com antecedência e que eles podem interromper uma tarefa a qualquer momento. Também menciona programas e recursos dedicados à saúde mental e uma linha de atendimento telefônico anônima.
Segundo a companhia, ela oferece uma escala de salários transparente, com tarifas iguais ou superiores ao salário mínimo vigente nos locais onde opera.
Esses trabalhadores da IA podem se encontrar sem emprego ou pagamento de um dia para o outro.
Oskarina Fuentes acusa uma das plataformas que a empregava de não lhe pagar cerca de 900 dólares (R$ 4900,00), ou seja, três meses de trabalho, após uma atualização em seu sistema de pagamento.
"Perdi meu tempo, meu esforço, meu sono", afirma.
Ela não pode nomear qual era sua empresa porque assinou um acordo de confidencialidade, uma prática frequente nesta indústria que condena ao silêncio a maioria dos trabalhadores do clique.
No Quênia, a Data Labelers Association contempla levar à justiça a Remotasks, devido às acusações de vários trabalhadores de que, em março de 2024, interrompeu o acesso à sua plataforma sem pagar o dinheiro que lhes devia.
A empresa matriz Scale AI admite uma redução de sua atividade no Quênia e afirma ter encerrado contas de anotadores por infringirem suas normas internas. Mas garante que as atividades realizadas foram remuneradas.
Microsoft e Meta se recusaram a responder às perguntas da AFP sobre suas relações com a Scale AI. O Pentágono não respondeu.
No caso da Anthropic, ela colabora com a SurgeAI, uma empresa emergente de anotação de dados também processada nos Estados Unidos.
O gigante da IA afirma que exige de seus terceirizados que sigam as normas relativas ao bem-estar dos trabalhadores encarregados de conteúdos sensíveis e que estabeleçam uma tarifa equivalente ou superior a 16 dólares (87 reais) por hora.
A OpenAI garante que possui uma normativa rigorosa para seus colaboradores em matéria de segurança no trabalho, remuneração justa, não discriminação e respeito aos direitos dos empregados. Caso esse código não seja respeitado, o criador do ChatGPT considera isso uma violação de contrato e toma as medidas cabíveis, afirma.
- "Salários justos" -
No entanto, os trabalhadores do clique, que na sua maioria trabalham por conta própria ou com contratos de curta duração, muitas vezes carecem de proteção social, lembra o sociólogo Antonio Casilli, que os qualifica como "subproletariado digital".
No Quênia, o futuro código de conduta da Data Labelers Association, ao qual a AFP teve acesso, pretende estabelecer um contrato de trabalho com uma "remuneração justa", garantir a liberdade de associação, o direito a pausas e a um apoio psicológico em caso de exposição a conteúdos nocivos.
Mas essas reivindicações podem se transformar em um cabo de guerra com as empresas.
Nos Estados Unidos, cerca de 250 pessoas que trabalhavam para a GlobalLogic, uma terceirizada que treina a IA Gemini do Google, foram demitidas em setembro depois que vários funcionários denunciaram as diferenças salariais e tentaram obter melhores condições.
"Eles querem anotadores de dados submissos", denuncia Andrew Lauzon, de 31 anos, que trabalhava para a GlobalLogic desde março de 2024 e foi demitido em 12 de setembro.
Membro do sindicato Alphabet Workers Union, este nativo de Boston reivindicava junto com outros colegas "salários justos", "dias de folga" e "uma cobertura médica acessível".
A GlobalLogic, contactada pela AFP, não quis fazer nenhum comentário.
Um porta-voz do Google afirmou que "como empresa, a GlobalLogic é responsável pelas condições de trabalho de seus funcionários".
O grupo afirma que exige de seus terceirizados aderir a uma regulamentação, um tratamento justo e equitativo para seus trabalhadores. E assegura que realiza auditorias periódicas para verificar isso.
"Os gigantes tecnológicos não podem construir o futuro sobre uma força de trabalho descartável", insiste Christy Hoffman, secretária-geral da federação sindical internacional UNI Global Union, que publicou no início de outubro um estudo sobre os trabalhadores na sombra da IA.
"É hora de os titãs do Vale do Silício serem responsáveis pelas condições de trabalho em sua cadeia de subcontratação", acrescenta.
O trabalho do clique sofre sobretudo de uma falta de estrutura jurídica.
Na Europa, apesar da aprovação de uma ampla regulamentação sobre inteligência artificial, ainda existem "lacunas", afirma a eurodeputada francesa de esquerda radical Leïla Chaibi.
"Não há nenhuma menção aos trabalhadores do clique no regulamento sobre a IA", aponta.
E tudo isso considerando que milhões de pessoas realizam esse trabalho, essencial para o desenvolvimento dessa nova tecnologia.
"Se você é carpinteiro ou encanador, há sindicatos e um salário mínimo", lembra Nacho Barros, de 54 anos e residente perto de Valência, na Espanha, que começou a anotar dados durante a pandemia.
"Esse trabalho também deveria ser reconhecido por todos os países como um emprego de pleno direito".
J.AbuShaban--SF-PST