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Venda de acesso preferencial a Truth Social por Trump levanta suspeitas
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar pelo acesso antecipado às suas publicações em sua rede Truth Social, que muitas vezes movimentam os mercados, gera preocupação após um ano e meio de um governo que testemunhou um enriquecimento sem precedentes do mandatário e de sua família.
Trump e seus familiares próximos acumularam bilhões de dólares em seu segundo mandato na Casa Branca por meio de negócios de criptomoedas, operações imobiliárias, transações na Bolsa de Valores e pagamentos derivados de ações judiciais.
No sábado, a Trump Media and Technology Group lançou um produto chamado Truth API, apresentado pela primeira vez em meados de julho. O objetivo é que os assinantes do serviço pago obtenham acesso quase instantâneo às mensagens do republicano no Truth Social, segundos cruciais antes do público em geral.
Grande parte do que o presidente publica em sua rede são memes gerados por inteligência artificial e insultos a seus adversários políticos. Mas ele também utiliza a plataforma para anunciar grandes notícias, desde novidades sobre a guerra no Irã até tarifas comerciais, o que pode fazer com que os valores de mercado sofram quedas bruscas ou disparem instantaneamente.
O veículo Axios informou que as tarifas de assinatura mensal para o acesso antecipado variam entre 60.000 e 100.000 dólares (R$ 306,8 mil e R$ 510,5 mil, na cotação atual).
Cinco empresas se registraram pouco depois do lançamento, segundo o Wall Street Journal.
A ideia por trás deste novo serviço pago é "dar aos investidores e algoritmos mais rápidos uma vantagem de uma fração de segundo", disse à AFP Art Hogan, analista da B. Riley Wealth Management.
- "Abuso escandaloso" -
Os críticos afirmam, por sua vez, que a medida se equipara à corrupção.
Na terça-feira, o senador democrata Mark Warner anunciou no X que apresentou um projeto de lei "para reprimir esta corrupção e garantir que todos os americanos tenham acesso livre e igualitário aos anúncios públicos dos funcionários do governo".
Seus colegas Elizabeth Warren e Adam Schiff pediram na semana passada que a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês), órgão que regula os mercados de ações dos Estados Unidos, abra uma investigação sobre o que classificaram como "abuso escandaloso do cargo presidencial para benefício pessoal".
Horas após o lançamento do novo serviço, Trump ofereceu uma demonstração de como suas palavras no Truth Social podem movimentar os mercados: quando anunciou no sábado que cancelava um plano para atacar o Irã, o preço do petróleo caiu.
Ann Lipton, professora de Direito na Universidade do Colorado, afirmou que o presidente americano sabe o valor de suas declarações e que, quanto mais agitar os mercados, mais valioso se torna seu novo serviço.
"Isto dá a Trump um incentivo para publicar coisas que mexam com os mercados, independentemente desse tipo de revelação atender ou não ao interesse do povo americano", observou Lipton.
No mês passado, ele defendeu os cerca de 1,2 bilhão de dólares (R$ 6,1 bilhão) que ganhou em negócios com criptomoedas em 2025, argumentando que "todo mundo está obtendo lucros" com o mercado de ações desde que retornou à Casa Branca.
Mas uma pesquisa da CNN/SSRS, publicada no fim de julho, indicou que 64% dos entrevistados consideram que o mandatário foi "longe demais" na busca de interesses financeiros pessoais enquanto comanda o país.
Segundo a Forbes, o patrimônio líquido de Trump disparou de 2,3 bilhões (R$ 11,7 bilhões) para 6,5 bilhões de dólares (R$ 33,2 bilhões) desde 2024, quando ele venceu as eleições contra Kamala Harris.
E.Aziz--SF-PST