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Keiko Fujimori assume o governo no Peru
A política de direita Keiko Fujimori assume nesta terça-feira (28) a presidência do Peru com a promessa de derrotar a criminalidade crescente que afeta o país.
Keiko, 51 anos, venceu a eleição de junho com uma vantagem de menos de 50.000 votos sobre o esquerdista Roberto Sánchez, depois de perder a disputa presidencial em três segundos turnos consecutivos anteriores.
Filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000), sua vitória representa o retorno do fujimorismo ao poder, um movimento populista que oscila entre o conservadorismo e o liberalismo, e divide os peruanos.
A líder do partido Força Popular anunciou que governará com mão de ferro, como seu pai, em particular para vencer a pior crise de insegurança do país andino desde seu conflito armado interno (1980-2000).
Mas ela precisará convencer muitos peruanos que consideram seu partido um dos responsáveis pela instabilidade política que o país enfrenta há uma década.
Desde 2016, o país de 34 milhões de habitantes teve oito presidentes, a maioria deles destituídos ou forçados a renunciar pelo Congresso, onde o fujimorismo é uma força importante.
Keiko Fujimori, que substituirá o presidente interino José María Balcázar, terá mandato até 2031.
Com ela, o Peru se somará à onda de direita que avança na América Latina, com governos alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante a campanha, ela conquistou votos com um apelo ao legado do patriarca de sua família, o falecido Alberto Fujimori, que polariza os peruanos.
Embora analistas atribuam a Fujimori a vitória sobre a violenta guerrilha maoista Sendero Luminoso e o freio à hiperinflação, ele também é lembrado por fechar o Congresso com os militares e por ter sido condenado por violações dos direitos humanos. Seu governo caiu em meio a escândalos de corrupção.
Agora, Keiko Fujimori propõe operações de busca e apreensão em áreas perigosas, expulsão de migrantes em situação irregular, a instalação de tribunais anônimos e a saída do país da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
No Peru, os homicídios passaram de 1.000 em 2018 para 2.600 em 2025. As denúncias de extorsão subiram de 3.200 para 26.500.
Diante da instabilidade, Keiko Fujimori propôs recentemente uma "reconciliação nacional". No Congresso, ela conta com a bancada mais numerosa, mas os grupos de direita não têm maioria para aprovar todos os seus projetos.
Além da insegurança, sua outra prova de fogo será o fenômeno El Niño, com chuvas e secas extremas e um aquecimento incomum do oceano, que os meteorologistas preveem que será o mais intenso e devastador desde 1998.
O fator climático pode afetar a economia peruana, uma das mais estáveis da América Latina.
O.Mousa--SF-PST