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Incêndios cercam Madri e obrigam a evacuações na França e Espanha
Algumas zonas de Madri amanheceram, nesta sexta-feira (24), com cheiro de fumaça dos incêndios que queimam descontrolados nos arredores da capital espanhola e que, assim como outros focos na França, obrigaram milhares de pessoas a se deslocarem.
"Estamos vivendo uma situação dramática, não apenas em diferentes províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos", disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sobre os incêndios que "estão devastando milhares de hectares".
Pelo menos 19.000 pessoas foram evacuadas ou estão confinadas na Comunidade de Madri devido ao "pior incêndio da história" da região, que já devastou 6.000 hectares, anunciou a presidente regional Isabel Díaz Ayuso.
"Para uma região como esta, com uma forte concentração de moradias e de população, é uma catástrofe", lamentou em entrevista coletiva. "Nunca havíamos vivido algo assim".
Os bombeiros lutaram nesta sexta-feira para impedir a confluência dos diferentes focos de incêndio, porém sem sucesso. No início da tarde, os serviços de emergência anunciaram que dois dos incêndios "se uniram" em uma única frente e ameaçam novas localidades.
Embora ainda longe da capital, as chamas atingem uma série de municípios residenciais bastante povoados, muitas vezes cercados por colinas e áreas de mata que favorecem sua propagação.
- Estado de emergência -
As condições meteorológicas complicam o trabalho dos bombeiros e dos militares que atuam para tentar conter as chamas, segundo as imagens divulgadas pela Guarda Civil.
"Temos uma situação adversa, como podem ver pelo vento. (...) As nossas estimativas apontam para mais de 50 km/h, a temperatura também não vai nos trazer nenhuma facilidade e o mesmo vale para o nível de umidade", disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, do posto de comando instalado na região.
Diante da emergência, o Ministério do Interior espanhol pediu nesta sexta-feira o envio de "quatro meios aéreos" ao acionar o mecanismo de proteção civil da União Europeia, solicitação à qual a Grécia respondeu enviando dois Canadair.
Imagens da Guarda Civil mostram chamas próximas a residências em San Martín de Valdeiglesias, e densas colunas de fumaça se elevando ao redor de Villa del Prado, duas localidades situadas a cerca de 60 km a oeste de Madri.
O incêndio mais importante, no entanto, estava na província de Guadalajara, cerca de 100 km ao norte da capital, e devastou 32.000 hectares em uma semana.
As chamas perderam intensidade e o Exército se retirou da área, embora ainda não estejam sob controle, anunciou o presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page.
Mais de 200 bombeiros continuam mobilizados, assim como cerca de vinte "meios terrestres" e dois meios aéreos.
- 40.000 evacuados -
Na França, o fogo também não dá trégua e avança perto da prestigiada região vinícola de Bordeaux, no sudoeste do país, onde os incêndios obrigaram moradores e turistas a fugir da península de Cap Ferret de barco, em plena temporada de férias de verão.
Cerca de 40.000 pessoas "foram evacuadas ou estão sendo evacuadas neste momento", indicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, que acrescentou que 80 casas foram atingidas pelas chamas.
Este ano é o segundo com maior área queimada por incêndios na União Europeia desde que começaram os registros há 20 anos, segundo dados de satélite do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis) analisados pela AFP.
Desde o início do ano, mais de 50.000 hectares queimaram em incêndios na França, quase o triplo do mesmo período de 2025, informou Laurent Nuñez à AFP.
As autoridades acionaram o mecanismo de proteção civil da União Europeia para solicitar ajuda, declarou nesta sexta-feira o presidente Emmanuel Macron, que advertiu que a crise continuava "muito intensa".
A UE anunciou que fornecerá três aviões-tanque à França.
O sudeste do país também foi gravemente afetado, com dezenas de incêndios que surgiram e foram intensificados pelo vento. As autoridades informaram que desde terça-feira cerca de 25 casas haviam sido destruídas.
Na Itália, milhares de agentes de emergência combatiam dezenas de incêndios na Sicília e na região da Calábria, onde uma autoridade local afirmou que alguns incendiários provocaram os focos amarrando trapos embebidos em líquido inflamável ao rabo de gatos de rua para espalhar o fogo.
As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem há meses com uma seca acentuada pelas ondas de calor excepcionais que atravessaram o continente em junho e julho e que fizeram evaporar mais água.
É justamente a mudança climática, causada principalmente pela combustão contínua do petróleo, do carvão e do gás, que torna mais grave a seca atual, concluíram meteorologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira.
burs/yad/st/hgs-pb/dbh/jc/aa
Q.Jaber--SF-PST